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sábado

O melhor está por vir.



Afirmar com veemência que o melhor estaria sempre por vir, não passará de pretensão...apenas para o ego, lisonjeira;
Pode ser, que o melhor já tenha por ti passado...passado de forma desapercebida, sorrateira; 
Pode ser que o melhor já tenho sido dado, sua atenção tenha chamado, mas tu se entretinhas com besteiras;
O melhor da vida passa por um momento, e um momento há de ser único por sua natureza;
Se foi breve a oportunidade para apreciação, ou se fora por dias uma ilustre passageira...já partiu e para sempre se foi, será ineficaz olhar para trás e fazer desejos, ou qualquer menção lisonjeira;
Aquilo que se foi partiu...se foi o melhor, pode ter estado em suas mãos em estado sólido...mas, em algum instante se liquefez e sem que percebesse, sumiu;
Espere sempre pelo melhor, enquanto se entretenha com tudo que no mundo ou em si haja de pior...entretido com as mesmas e velhas besteiras;
Espere por grandes acontecimentos, enquanto aquilo que realmente espera, passe por ti sem dar muito sinais...como se fora coisa rastejante ou rasteira;
Perca seu tempo olhando para o céu, enquanto o momento para sua glória diante de ti tome forma, ou se faça abstrata forma de felicidade que perduraria ou faria valer o tempo de uma vida inteira...
Espere pelo melhor, sem semear nada para que no chão, algo floresça;
Espere por algo para enxergar na lua fria que observa...sem ao seu redor nada notar, esperando que nesta lua algo magnífico resplandeça;
Espere pelo melhor, quando talvez o melhor já tenha ocorrido e se foi para sempre, enquanto seu olhar se fazia distraído, ou sua cabeça estivesse posicionada em contrário sentido.


quinta-feira

Frágeis correntes.


Correntes se formam, de elos tão frágeis...correntes por sua vida ou pela manutenção da alheia calma;
Correntes fortes, contrapondo-se à realidade com a sutileza da hipocrisia..correntes que deveriam se fazer em súplicas de piedade por suas próprias almas;
Estende-se a mão, com passos precisamente calculados...mão que se ofereça, mas sempre com oculto desejo de algo em troca;
Mãos que se juntam supostamente por libertação...mentes, que desejam-lhe talvez tua eterna escravidão em requintada prisão, ou quiçá em drogas;
Correntes que não levam ou trazem nada, como se resultantes de chuvas ácidas, sequer deveriam se formar;
Correntes acerca de escusas intenções...ao esgoto rumam e jamais conhecerão a pureza do mar;
Correntes...formem-se em sua fragilidade, sintam por si mesmas piedade....guardem para si, aquilo que alguém não venha a necessitar;
Sobre suas intenções, interesse não há de se fazer...sobre súplicas advindas de toda forma de egoísmo, os céus não irão escutar;
Esqueçam por um momento, dos fortes e por sua natureza frágil...peçam clemência;
Esqueçam da vida alheia ou de fundações fortes que suas águas turvas, jamais irão carregar...percam sua razão e paciência;
Sejam algo que se faça digno sequer de menção, se façam algo ou alguém, que acerca de suas próprias virtudes, se é que alguma lhes resta, se disponham a enxergar;
Seres fortes não necessitam de parasitas, astros de luz própria jamais necessitarão de sua falsa compaixão para brilhar;
Saibam somente que, seres que sejam completos, não necessitam sequer de bons versos...para daquilo que jamais fora digno de ser plena forma de existência, em um poema se lembrar.


quarta-feira

Soa insípido.


Esperava em uma mesa, um prato da fina iguaria que não merecia...fora-me servido, quiabo;
Tive chances de escolha, chances para escolher...rumos a seguir, mas sempre optei pelo rumo errado;
Acordo com uma nova chance que se parece com insana repetição de passado;
Vejo no espelho, reflexo daquilo que detesto e a cada dia mais envergonho...um rosto velho e amassado;
Do futuro nada sei, pois sequer sobre amor próprio aprendi para exigir ser verdadeiramente, amado;
Do presente, preferia que nada fosse...ainda que com nada se pareça este existir tão desgraçado;
No fim de um arco-íris há um tesouro, mas de ouro de tolo já estou cansado;
Queria a fina iguaria que não merecia, então fora-me servido quiabo;
Faço de cenas banais pantomimas teatrais, faço drama e retrocesso constante, ao mesmo passado;
Meus segundos não avançam, serão meras ilusões de retrocesso calculado;
Minha vida não tem nenhum sentido...pois, sentido, não terá aquele que sua própria vida tenha amaldiçoado;
Caminho sem rumo certo, caminho pelo lado errado;
Quisera provar da iguaria, mas iguaria será somente ilusão para meus olhos e fogo para as vaidades...quisera tudo o que não se sirva a um ser tão derrotado;
Quisera ser o que jamais fui, talvez de meu próprio existir já deveria ter este mundo...privado;
Não sei do amanhã, pois tudo o que se remeta a tempo futuro se faz em diante de meus olhos claros...coisas sem vida, visão obscura do abstrato;
Quisera a iguaria, mas serviram-me quiabo;
Aquele que está a me esperar além da vida, não tem nome ou sobrenome...mas, será vulgarmente conhecido, como diabo!

Príncipe.

Sou príncipe talvez, mas pelo direito imediato ao trono, fui preterido;
Trago no peito, um trago daquilo que entorpece os sentidos...em um trago amargo de um vil cigarro, tento me esquecer do orgulho ferido;
Sou fera, mas por alguém já fui querido;
Não fui, entretanto, o suficiente para ser sucessor imediato ao cargo pelo destino escolhido...não o suficiente, para deixar de vagar pelas ruas como reles vagabundo no mundo, perdido;
Traído...pelas costas apunhalado, ostento um corpo de tola fera que fez abrigo, chamou por amigo...aquele que hoje ocupa meu lugar e se faz algo, meu detestado inimigo;
Desconheço os motivos, mas rejeito meu destino...de vingança faço desejo e de meus punhos, instrumentos letais, assaz enfurecidos;
Perco minha razão, mas jamais perco aquilo que é comigo;Perco a razão, pois desta jamais desejara ser dono...hei de desejar somente, aquilo que é meu e encontra-se indevidamente, contigo;
De longa distância venho, buscando alguma paz que há tempos se faz ausente em meu existir detestável e sofrido;
Caminho aparentemente sem rumo, mas sei ao certo sobre os espinhos em minha alma...que por noites roubam minha calma, enquanto repousa em paz e ostenta um sorriso maldito;
Usurpando em ultrajante conduta, roubaste minhas vestes...roubaste minha paz, meu lar e talvez não esperasse meu inesperado retorno em sua busca;
Espero, porém, que esteja preparado para seu fim, para minha derradeira luta;Há de valer a pena todo sangue derramado, há de ser justa minha violenta conduta;
Há de ser glorioso meu retorno, pois toda sorte de honrarias hão de ser dispensadas a quem tenha nobreza e jamais, asquerosa astúcia;
Coroa, há de vestir aquele que a mereça por excelência...e jamais, há de perdurar sem sucumbir à ferrugem, quando posta sobre cabeça indevida;
De um procarionte, que acredite ser rei...de um verme que desconheça o preço de toda traição e sobre as leis naturais da vida;
Contados estão seus dias...traçada, fizeste sua sina!


terça-feira

Por ti, vidas morreria ou novamente...viveria.

Faço por você...barquinhos de papel, coisas singelas que talvez, não valham para ninguém;
Por você faço, simplesmente pelo fato de você assim me fazer tão bem;
Quando na escuridão eu me encontrava, esperanças sobre viver, em seu sorriso inocente...sem querer, me levava;
Faço...e ainda creio que seja pouco fazer;
Grato sou e sempre serei, ainda acreditando que palavras ou gestos se façam pouco para agradecer;
Devolveu-me motivos para sorrir, acolheu-me quando ninguém mais queria...devolvia algum rubor a uma face que, em palidez mortal, se empalidecia;
Inocência sempre se fizera presente e tão notória, para os bons olhos despidos de maldade...em sua essência;
Falava sobre o verde das árvores ou azul do mar, quando em obscuridade teimava em permanecer e aos poucos...me suicidar;
Aos demais....não se farão necessárias explicações ou será inútil, perda de tempo explicar;
Faço por você, pois ainda que não soubesse...mostrara para mim que era possível e real o incondicional ato de se gostar;
Por você, faço...e sempre em vida farei;
Quando talvez um dia, aqui não estiver, simplesmente como registro em meu legado deixarei;
Que por tempos difíceis passei, a morte que me desejavam e eu aceitava venci, e contigo...tudo superei;
Se hoje faço, por você sempre farei e para a eternidade...se faz gratidão registrar em palavras, no livro de nossas memórias, que de sua singular imagem...jamais apagarei;
Por ti faço...e por ti, em débito estou e sou grato, ao afirmar que sempre estarei.

segunda-feira

Seria bom que fosse.

Será que não faço mais sentido, e talvez fosse melhor por outra direção, seguir?
Será que viver é mero desperdício...sobrevida é mais do que eu tenha deste miserável modo de existir?
Resistir, a toda sorte de infortúnio, ver suas vestes em conluio com o tempo...se fazendo somente pele e sutilmente, sumir;
Resistir....ao próprio ímpeto egoísta de, sobre sua própria história, fazer abreviação e abruptamente desistir;
Vontade de aqui não permanecer, mas vontade de para lugar algum que se faça na mente paisagem, partir;
Vontade de nada fazer, porém nada é mais do que tenho feito...e deste nada, por um momento me pego a ponderar acerca do que seria posterior ao meu partir;
Será apenas mais um que ficou pela metade, ainda que fosse projeto para um pleno existir;
Será somente mais um na multidão, ainda que algum sucesso em sua mente se fizera ilusão...a ceder sua maior preciosidade e ante a adversidade, sucumbir;
Será apenas poeira, que sequer irá afixar-se em um livro com sua marca...pois, este, jamais chegara a concluir;
Será apenas mais um que desistiu, que antes de sua hora decidiu por conta própria partir;
Será apenas mais uma nuvem passageira...um nome a ser por segundos lembrado e por uma eternidade esquecido, será ruína responsável por seu próprio ruir;
Será então, nada além de restos....restos dando algum trabalho para a terra, ter de engolir.



Urso polar...



Olhos que pairam e caprichosamente repousam, no longínquo distante;
Olhos, que se parecem com safiras, mas gelados e alheios à tudo se parecem por um instante;
Olhos que optam pela distração, quando tudo ao redor...não se faça merecedor de atenção;
Olhos...que jamais estarão, no entanto, distraídos;
São olhares vazios, em uma plácida e inexpressiva face, são olhares que se percam por premeditado e oculto motivo;
Seria cautela, apreensão...seria hesitação ou estranha e inerte forma de excitação...seria, saudades do antigo?
Não se faz necessário entendimento,  somente será relevante a causa por trás daqueles curiosos olhos cor-de-gelo, que se fazem quase descoloridos;
Somente será entendimento, para quem se faz por estes...realmente conhecidos;
Lá está ela, estática a fitar;
Olhos que não se assemelham com tristeza, olhos que também por alegrias não se proponham a faiscar;
Olhares de safira...olhares de gelo que vencem o fogo e o calor que em um céu de um dia em chamas, se proponha a queimar;
Olhares perdidos, que talvez assim se façam por necessidade ou, propositalmente.,.para de alegrias não falar, tristezas não se recordar, ou sobre sonhos, com estes, nada falar; 
Olhos que se fazem mudos, furtivos, como a paz do silêncio...ainda que este não seja o som que no ar se faça prevalência, se faça ecoar;
Olhos que pairam e se fazem doces ou gélidas incógnitas....olhares que não serão para ti, ou talvez para ninguém...
...Ninguém, que não seja aquela que se oculta por trás da incógnita proposta por este tipo de olhar.

domingo

Imagine.


Imaginar é humano e imaginar, jamais será pecado;
Imaginação que imagine pessoas vivendo para o presente momento, quando tudo o que se veja serão desejos de futura prosperidade ou lamentações pelo passado...sentado;
Permanece o homem imaginando, em movimento frenético que contradiga a inércia de sua mentalidade, permanece a vil sociedade, sem rumo caminhando;
Imaginar é permitido, mas não será bom falar sobre o que se imagina ou aquilo que se desenhe no subconsciente...enquanto está sonhando;
Ainda que alguém consinta, se fará conveniência unir-se à maioria e jogar em time que esteja aparentemente ganhando;
Ganhando, porém aquilo que não se sabe ao certo e despersonalizando...permanece um homem a imaginar, mas permanece a alça de mira incerta, focada na testa deste...em silêncio o detestando;
Imaginar que religião seja salvação, quando o religioso que sente ao seu lado e, por vezes, seja até mesmo seu consanguíneo... ao diabo esteja orando por sua maldição;
Imaginar que guerras são vencidas, que toda verossímil conversão será salvação...quando tudo de nefasto, permaneça na principal igreja que se edifica no coração;
Imaginar que ninguém se venda, que dinheiro não traga felicidade...imaginar que o bem sempre vença e que jamais prevaleça a maldade;
Imaginar...mas, tudo o que imaginar há de ter seu tempo precisamente contado para seu preço pagar;
Imaginar...como se estivesse, simplesmente ao se dispor em empatia praticar, algum tipo de transgressão imperdoável a praticar;
Imagine, o tamanho do problema que na mente...ainda que se faça sonho, sanar;
Não se imagina, entretanto, a proporção potencializada...que se faça perigo, pelo simples ato de imaginar;
Aquilo que é humano, geralmente por si mesmo somente há de mudar...cavar sua própria cova, será sua sina, quando em sua mente se faça proposta, a idéia de por uma coletividade ou coexistência pacífica...imaginar!
Imagine...mas, imagine no singular. Se acaso for plural...cuidado, ao imaginar.



sábado

Batendo em velhas teclas.

Quando penso em dizer aquilo que em palavras não se deveria proferir, hei de optar por omitir;
Quando penso, mas, pensar se faça pensamento prejudicial a repudiar ou repelir...após breve ponderação, ao ímpeto há de se resistir;
Quando se pensa em aquilo que se detesta, por instantes em se assemelhar...será melhor se distinguir;
Quando não restar opção que não seja confronto, a saída pela tangente não será covardia...  no entanto,  será sabedoria e um meio seguro de em sua razão resistir;
Não provocar, para não se perder ou se ferir;
Caminhar em jardins floridos, ver o mundo com a inata inocência e recuperar aquilo que se fizera perdido;
Embora, da inocência que é contigo, fazer um pouco de astúcia para entre rosas e espinhos, jamais voltar a se ferir...sabedoria, será saber discernir;
Quando pensar em retroceder e já se faça sabido o que lá te espera...melhor seguir adiante e fazer cegueira para quem escolheu se queimar, a obsessiva fera;
Quando o abstrato se faça como uma luz suave de estrela real a ti presenteada...será melhor de tudo esquecer, e somente escrever sobre como a vida pode ser bela;
Não há necessidade de confrontos com a malévola astúcia, quando por si somente...sentirá as dores por seus passos e planos caindo por terra;
A inteligência verdadeira e o coração puro prevalecem....e pena não restará para quem escolha tenha e venha a optar por ódio infundado, que aos sentidos entorpece e a visão, cega;
Restará compaixão...restará  coração, restará aquilo que por um instante se pareça dúvida, mas a pureza de sua alma reconhece e jamais nega;
Restará somente pensar sobre aquilo que poderá ou deveria ser, e jamais... voltar atrás para sangrar os punhos naquela venha faca, ou bater na mesma tecla; 
A realidade é constituída por fatos...há de pagar o preço ou sentir o pesar, aquele que contra a pureza atente ou desta, deseje se apossar sozinho ou com seletos asseclas;
A vida segue, você ficou para trás...a vida seguirá, pois vida é divindade que se faz maior em comparação àquilo que em seu coração carrega...seja vil conveniência, ou sejam trevas!



Dear...would you care?

Dear, I wonder if you care...
Saying things that only you know I love to hear, as a whisper no one's supposed to steal from my ear or secrets...no one would ever share;
Dear, I'd love to be someone who would dare...
Being just one more time next to you, when the world's coming down...when you scream at night in despair and no one's there;
Dear, I'd like you only to know;
That no matter how you suffer and feel so cold, I'd wipe your tears and melt all that thick snow;
Dear, my dear;
I wonder if you care...I wonder if you dare;
Trying to figure my pain, when I struggle to find words unnecessary to say...when inside these green old eyes, you can easily read my soul;
Take my hand, let it all burn to ashes, when they turn...with the wind, the past shall go;
Take my soul, but I guess just one more thing I'll say before I close my eyes and rest for eternity...
One more more thing... you oughta to know;
When I finally find rest, you can have my presence which will linger as long as you live...
And follow you, wherever you go.
 Unecessary to understand things humans could never say....

sexta-feira

O destino e mim.

Fiz o cativeiro perfeito, mas não fiz o pássaro cantar;
Fiz uma oração pela estiagem, mas não fiz da nascente água brotar;
Fiz o remédio certo, mas a morte não pude evitar;
Fiz tudo aquilo que queria e que e talvez pudesse, mas meus sonhos ainda estão por se realizar;
Fiz no canteiro um jardim, mas jardim só se fora feito, após a vida que não pude fazer, brotar;
Fiz uma ramalhete de flores, mas meu amor não consegui conquistar;
Fiz a lágrima por um dia secar, mas jamais fizera a chuva de mágoas que atormenta meu existir cessar;
Fiz o fogo, mas frio continuo a sentir;
Fiz o jogo da vida, mas não consigo evitar o vazio de meu próprio existir;
Fiz meu papel, fui servil soldado, fui coronel...
Das abelhas já provei o doce mais doce, mas jamais fizera o mel;
Fiz fusão de metais, mas jamais derreti o chumbo dos céu;
Fiz de conta que não me importava, mas jamais pude disfarçar minha angústia por viver em um insano carrossel;
Fiz casamento, mas jamais fiz da lua que vejo...algo não fosse mero satélite frio, mas fosse lua de mel;
Fiz promessas que não cumpri, cumpri com coisas que jamais prometi;
Fiz coisas e coisas se fizeram assim...eu não hei de ser nada, mas aquilo que me antecede, há de ser tudo muito antes de mim;
Fiz...mas, coisas que fizera jamais definiram meu ser ou por si somente foram feitas plenas...apenas o destino lamenta por mim;
Destino que de mim nada fizera, todo desatino e lágrimas do céu se derramam...por aquilo que jamais fora meio sequer para um determinado fim;
Fiz as grades de minha própria prisão...e somente com minha poesia, posso imaginar o mundo lá fora e porventura...
...Quando receber a visita de minha amiga inspiração, esta me conceda as chaves para o mundo enxergar, sem sequer daqui sair!

quinta-feira

Paradoxos temporais.


Passado de volta,  em um triste e cômico paradoxo temporal;
Faz-se lágrimas daquilo que deveria ser sorriso, faz-se ódio daquilo que deveria ser caso banal;
Passado não deveria retornar, regresso ao velho copo do conhecido veneno...poderá no presente ser fatal;
Poderá ser presente maldito...aquilo que lhe presenteia a mão perigosa, daquele que faz premeditação de todo mal;
Será estupidez a inocência....será estúpido dar ouvidos ao coração, quando este se parece ser afeito ao inimigo já conhecido e mortal;
Passado de volta, mas o que passa não deveria regressar;
Vida deveria ser vivida no presente segundo, pois do ontem nada se faz ou, do amanhã...nada se saberá;
Vida deveria ser, mas por vezes, se parece com algo que jamais será;
Vida não se contenta em respirar por aparelhos, minutos após de um coma profundo sair e à tona retornar;
Passado não regressa, e será de forma geral, perigoso se voltar;
Ponteiros do relógio somente avançam...retrocesso, é algo que se assemelha ao próprio processo do natural existir, contrariar;
Do futuro nada se sabe ou se saberá, presente de penúria ou alegria é o que há para se desfrutar ou modificar;
Futuro será pretensão, sonho ou ilusão, passado já se foi e adiante o Sol sempre seus passos estará a guiar;
Presente não necessariamente será plenitude daquilo que lhe faça feliz...mas, presente...
...É o que há, a voz que lhe acorda para neste minuto viver, futuro construir e passado...não mais se importar.

Utopia de Justiça.

Necessidade de justiça armada, quando não se faça inimigo o fogo, ou onde sequer haja fogo;
Justiça opressora, troças do sagaz algoz, serão consentidas...pois, de vida,  se faz mero jogo;
Necessidade de imediata justiça, quando esta pareça ter preguiça;
Quando se faça ecoar um grito de horror, ainda que silencioso...se fará surdo todo ouvido que se afeiçoe à hipocrisia;
Clamor por justiça, quando sobre ser justo pouco se saiba e prevaleça acerca desta, nada além de oculta ojeriza;
Justiça será a minha, justiça será propriedade e pronome possessivo...para a mente obscura, se faz obsessiva;
Justiça...para quem possa mais, para aquele que nada além de seu vil propósito, valoriza;
Justiça em um mundo de injustos camuflados, justiça que não veja além de um rosto angelical, o verdadeiro culpado;
Justiça que condena, ainda que sem irrefutáveis argumentos...justiça que justifique e traga anistia tudo ao que seja errado;
Instrumento será a própria mão, instrumento...seria no máximo uma clava ou imediata e peremptória punição;
No entanto, do ato escuso pouco se sabe, justiça assim...não se faz às claras, mas somente onde haja escuridão;
Justiça que exista para restringir a força, mas favoreça a liberdade da covardia;
Justiça para fazer sorrir o astuto, justiça que na forca...sufoca e tire a vida de quem clamava por socorro e anistia;
Justiça benéfica ao malévolo,  e maléfica à toda sorte de benevolência;
Justiça...que se compra, que se venda, olhos vendados que espiam por pequena fresta o peso que na mesma balança, deveria se fazer igual...e até então, se equivalia;
Mas....se estou a versar sobre justiça, onde prevaleça a lei de injustos...
...Justiça, será sempre utopia!



quarta-feira

Apenas, um repentista.

O poeta é repentista;
No repente em que ocorra um lampejo, tal qual ao piscar intermitente de um vaga-lume...lhe ocorre uma repentina idéia que rabisca;
A idéia, está onde ninguém veja, a idéia...está no distinto observar deste ilustre letrista;
O pirilampo pode piscar a qualquer momento, e repentinamente lhe ocorrem as palavras precisas;
O poeta não é necessariamente músico, não é necessariamente ator ou artista;
O poeta escreve sobre qualquer coisa, mas qualquer coisa de uma forma distinta ou jamais vista;
Escrever é seu único dom, buscar por versos que façam sentido, se faz sua sina;
A palavra que aguarda pode estar em qualquer lugar, pode ocorrer a qualquer hora...no intervalo em que uma vida nasce ou na intensidade do fugaz grito de uma conquista;
O poeta enxerga o objeto, mas nem sempre se faz direto;
O poeta brinca nas entrelinhas, versa com o transitivo ou intransitivo verbo;
Que seja aglutinação, mas nem sempre será justa sua posição;
O poeta é tudo aquilo que traduza ou se proponha como algo a ser decifrado, no simples deslizar de um lápis ou de uma esfera;
O poeta nem sempre é fingidor e nem sempre fingirá sobre sua própria dor;
Mas, será na interjeição de espanto, ou de tudo o que seja interrogativo que encontra satisfação para sua nobre arte, seu estranho labor;
O poeta não é profissional, é simplesmente um observador da vida assaz passional;
Não será nada se suas notas simplesmente por si mesmo forem notadas;
Será tudo, entretanto, se sua missão de levar idéias ou emoções transcritas vierem a ser apreciadas com a atenção devida;
O poeta é amante da vida...não visa ao lucro ou a coisas que não sejam satisfação que justifique sua razão de existir;
Ser poeta é simplesmente pertencer a uma estranha classe de artista, cuja arte maior é subsistir e sobre coisas que poucos se importam, em versar insista;
Na fração de um segundo sente-se pleno e acredita ter mudado o mundo...na fração do posterior segundo, sente-se novamente vazio a esperar pela idéia que o preencha...sente-se nada além, de um réles vagabundo.

terça-feira

Luz a me esperar.

Aquilo que em meu leito me busca, se assemelha diante de meus olhos cegos à incerta luz que me ofusca;
Luz, que me procura...seria solução para de meus próprios males, o caminho para a cura;
Seria ilusão que se faz abstrata e tão real, seria o resultado de meus devaneios e fruto de minha própria loucura;
Luz que se acende em uma sala escura, luz que consome em um breve e caprichoso...suave queimar;
Que em cinzas, se consuma... luz que se assemelha à lenta escavação de minha própria tumba ou para a paz eterna, caminho a indicar;
Há de consumir toda forma de medo...e medo, será mero empecilho que me impeça de avançar;
A luz ali permanece, alheia aos meus pensamentos, espera simplesmente por minha proteção vestir e seu caminho desconhecido, trilhar;
A luz não se faz luz por acaso ao intensamente brilhar;
Seria mal, que para o inferno me conduzisse e de minhas excruciantes dores estaria para me livrar?
Seria bem, que do paraíso nada fosse além de um relance reluzente de piedoso olhar?
A luz não é matéria, mas se assemelha com uma mão imaginária à minha pessoa para me levar;
Mas o destino ainda é incerto, o medo ainda me faz inerte e estupidamente esperto;
Continuo esperando, lentamente consumindo em brasas, coragem para um dia resoluto me tornar;
Se sigo, definitivamente esta forma divina ou nefasta de luz...
Ou se espero, contido e resignado em minha covardia, por esta real e tão imaginária forma de iluminar, simplesmente para sempre se dissipar;
Um dia...toda paciência, seja minha ou seja daquilo que me espera, de talvez se esgotar.

segunda-feira

Pobre gado, nobre.



Pobre povo nobre...de tua personalidade pouco se sabe, quando homogênea se faz dentre os demais de tua classe e sobre tua face, nada se descobre;
Nobre povo...tão pobre;
Conduzido como gado, comendo migalhas e dizendo obrigado...pobre povo que sofre;
Adoecer para ti será mero desleixo, será somente mais uma marca para ostentar em seu rosto tão machucado;
Adormecer para ti, será luxo...quando sua noite se faz tormento, temendo pelo futuro e por tudo o que ainda não tenha se passado;
Imaginado...serão seus sonhos, e sonhos para ti custarão por demais caro;
Ilusão é pensar em recuperar o que perdera, pois em um tempo de duração de sua curta vida, estará estigmatizado;
Pensar em ter algo, será pecado...será mera pretensão pisar no chão com um velho sapato, sonhando em dirigir aquilo que passa diante de seus olhos como provocação, um simples carro;
Agradecer ajoelhado, pela visão que ainda possui, pelo próprio joelho que de tanto rastejar-se, se faz dilacerado;
Agradecer, por tudo que sejam restos...viver daquilo que se tenha, sonhando por toda vida até que seu destino seja selado;
Ingrato é o destino, pobre é ignóbil ser que caminha sob o sol solitário e surrado;
Ninguém há de se importar com suas dores, pois é inato guerreiro;
Ninguém há de notar suas súplicas, pois é ignóbil o suficiente para sequer ser passageiro;
Ninguém há de lhe encontrar como uma face, quando ao demais se mistura;
Pobre povo...nobreza, desconhece e talvez por esta, jamais procura;
Procura apenas por um lugar ao sol que não seja para sofrer, mas para brilhar....alegra-se tão carente de atenção, por um segundo de exposição que não seja de sua vergonha nua e crua;
Vida...que se veja obrigada a sorrir sem dente, vida dura;
Serás sempre pobre, será sempre idiota...ainda que consigo carregue um coração de caridade e ferido, e algum resquício de uma alma...ainda pura!



domingo

Chamas de piedade, cinzas do que não será saudade.



Vapor, consuma-se em brasas tudo aquilo que outrora fora sólido, sólido resquício de dor;
Pedaços do que restava, pedaços do que era passado... mas, se fazia oculto presente a obscurecer tudo o que fosse luz, tudo...o que fosse amor;
Vapor, que aos céus não merecem ascender, somente consumir-se em cinzas de seu próprio dissabor;
Rancor...no crepitar de chamas impiedosas de justiça, pedaços de passado, resquícios do que sufocava, agora grita e agoniza;
Mas, pedaços sorrateiros e resquícios assaz impiedosos, jamais souberam algo sobre perdão;
Pedaços que clamam ardendo em chamas pelo que jamais tiveram...agonizem sentindo dor e toda sorte de infortúnio que consigo trouxeram;
Sobre histórias daquilo que fora resto, não restará registro ou saudades;
Para criminosos inescrupulosos e ceifeiros de alheia alegria, não restará pena pior que ostracismo no limbo e alguma piedade;
Restos...com a vívida chama que se abranda e se acalma, cinzas se fizeram;
Sopram agora junto ao vento e rumo ao nada, agora desprovidos de poder e despidos do ódio que a lugar indevido trouxeram; 
Onde nunca venham a novamente se encontrar, retornem ao esquecimento de onde vieram;
Ódio jamais será bem vindo em lugar algum, ódio não deveria resistir ou persistir, ainda que em terras profanas onde não seja sublime toda sensação que se sente; 
Soprem agora, rumo ao acaso e misturem-se ao vento...desfaçam-se completamente em pedaços e certifiquem-se, de esvanecer para sempre.





sábado

Visão, além do simples olhar.

Materializa-se o imaterial, materializações do sublime e etéreo para se adorar;
Material se torna o amor, matéria se faz a preço fixo pela salvação...que se compra com papel, que no bolso haja, por salvação pagar;
Por salvação não deveria se pagar ou pedir, não deveria diante do inanimado material se pôr a suplicar, mas agir;
Do sublime que não se veja, mas somente em sonhos ou delírios viessem a surgir;
Fossem feitas, somente para encantar aos olhos, mera forma de humana arte para se distrair;
Dos céus pouco se sabe e de nossas próprias capacidades, pouco sabemos, mas muito há para se descobrir;
Basta o simples ato de se dispor...basta a simples opção por, de orgulho, se despir;
Dádivas ou maldição, suplício ou missão...personifica-se então, aquilo que se faça prova da divina intenção;
Anjos que não disponham de asas, mas serão obrigados a peregrinar entre nós pisando o mesmo chão;
Anjos...que de sua condição desconheçam, mas que não se importem em sentir na própria carne a dor, se for justa causa ou necessária salvação;
Anjos estranhamente feitos humanos, estranhamente entre nós caminhando...em busca de sua própria razão;
O que fora feito carne ou da carne venha a ter origem...é perecível ao tempo,  se faz infundada para seu comum semelhante qualquer dedicação;
Será vista como perda ineficaz do próprio tempo, seria para o inato egoísmo tipicamente humano, uma estranha contradição;
Anjos verdadeiros buscam por utilidade, anjos que se vistam de carne buscam para sua própria dor, justificação;
Anjos verdadeiros não necessitam de pedidos ou que saibamos de seus nomes para chamar;
Será sublime contemplar diante dos olhos, a visão daquilo que se pareça conosco...sua real identidade revelar;
Anjos verdadeiros, virão até nós...quando necessário for, simplesmente para seu existir justificar e por sua missão, incondicionalmente amar.


Bípede contradição.

O mundo é hostil desde o berço...
No entanto, se é hostilidade que nos traz lágrimas desde a concepção, logo me conformo com o sofrimento e acredito que existir na condição de carne, eu mereço;
Enquanto muitos recolhem-se e reclamam de seu cansaço, esforço e suor para manter girando a roda de insanidades...que a nenhum lugar conduz, eu me disponho e faço;
Enquanto alguns em seu próprio assento se solidificam, eu me liquefaço;
Enquanto, alguns hão de se precipitar, eu hei de preferir sublimar...ou quiçá o contrário;
Quando a idéia que me perturba a alma, me chama para onde não deveria...lugares onde residem meus horrores e toda sorte de trauma, espontaneamente eu perco a calma;
Quando por minutos penso em pôr tudo a perder, lembro-me que tudo neste mundo já se encontra perdido...e por minha própria angústia esqueço-me de lamentar...
Pois, lamúrias serão prenúncio de derrota, serão tudo aquilo que se contraponha ao sucesso e me lembram da razão pela qual jamais minha própria paz, eu consigo;
O mundo é hostil, mas o mundo não é somente hostil comigo;
Se não tentar, jamais saberei se consigo...se evito, jamais descobrirei o que o vento me traz, se é amigo ou inimigo;
Se coloco-me a contento em minha clausura, jamais descobrirei coisas da realidade, se possivelmente seja suave ou realmente, cruel e dura;
O mundo é hostil, mas o mundo não é meu próprio umbigo;
Entreter,  com coisas do cotidiano ou, em meus devaneios entretido;
É minha maior expressão de arte, entreter, sem saber quem realmente eu seja...é a dádiva ou maldição que carrego e oculto, em um quarto escuro, orgulhoso demais para pedir por um ombro amigo;
Assim sou eu, assim é o mundo...assim, eu sigo!

sexta-feira

Espelho, para ti.

Paz na cama é aquilo que se clama;
Mas, paz será em seu colchão estranho sossego que à morte chama;
Paz é o que se pede, mas ódio é o que oculta e dissemina, como fino vinho fatal oferece;
O fogo com que fere, é fogo que lhe falta...e faz-se eterno inverno em sua pele;
Olhar para a rosa, admirando o espinho;
Ser espinho e parecer-se com rosa, que necessita de algum afago...para o ego, algum carinho;
Admirar ao novo pássaro, mas matá-lo com o olhar ainda no ninho;
Não se sacia sua sede senão com o alheio infortúnio ou capricho mesquinho;
Passado é onde vive e do passado não se esquece;
À tona faz retornar passado, faz-se presente em tempo exato e calculado que lhe apetece;
Retorna tudo o que deveria ser pretérito e a mesma trama, tece;
Perdão é o que pede...ensina o que não sabe e de doença de caráter, padece;
Pretensão é tudo o lhe resta, ser metade que jamais será conclusão, é a sina escolhida que merece;
A alegria alheia detesta, com inveja fora regada e como flor de maldades, estranhamente confunde e cresce;
Todo chão se torna infértil após o dobrar de seus joelhos para uma prece;
Toda lamentação, é perda de tempo para quem vive...mas, é típica forma de negligência do viver para sua espécie;
Jamais tocará aquilo que não lhe pertence ou ostentará consigo aquilo que não merece;
Jamais será sequer digna de menção...jamais, é tempo pretérito onde vive e aos poucos, o mundo de ti se esquece;
Suas lágrimas são ácido corrosivo, sua dor...é pantomima perfeita para peça de teatro já por demais conhecido;
Poderia ser, mas tudo o que poderia...por natural condição, se faz no tempo, preterido;
Poderia ser...mas, nunca será sombra sequer, que assombre vida plena de quem viver em plenitude, tenha escolhido;
Poderia se assemelhar àquele de quem tanto fala...no entanto, jamais parecera realmente ter compreendido.