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domingo

Ao dissabor...ao meu dispor.





Hoje, precisamente neste momento, me ocorreu uma idéia que há tempos havia se perdido no tempo;
Hoje..somente por um breve instante, me fiz titubear em meu caminhar, o poeta se fez mero escriba e o ser em mim seguro, se fez quase novamente ser errante;
Dias que existem por assim existir, idéias que vão para bem longe e ao seu encontro, jamais deveriam voltar a vir;
Dias que a alegria se faz austera, a mentira se faz verossímil e sincera;
Dias onde a arrogância lhe faz trôpego e sem querer...caminha-se por onde não devia ou desperta sem intenção a fera;
Momentos que são feitos de minutos, vida que se constitui ou se constrói em anos...coisas que se perdem em segundos, vida que se perde em vinte e quatro horas por um simples engano;
Vida terá prazo de validade, firmeza de opinião e caráter jamais deveriam ter;
Vida que se abrevia por ausência ou excesso de auto-piedade, vida que aos poucos passivamente se assiste morrer;
Vento que veio em minha direção, mas não sopra ao meu favor por parecer guiar na contra-mão;
Vento que sopra sem piedade...que traz aquilo que não presta e leva embora do incauto, o resto de sua dignidade;
Vento...não posso lhe desafiar e nem assim hei de desejar, pois és força sobrenatural, maldita ou divina que segue sua direção sem pedir licença ou necessitar de permissão para soprar;
Vento, hoje...neste dia, neste momento. Não sei caminhar um passo a mais na contrariedade, meu corpo já surrado suplica por piedade;
Não posso mais remar contra marés, não suporto mais ver a segurança de um chão firme se partir sob meus pecaminosos pés;
Momento, fração de segundo que determina ou encerra a vida...seja esta já devidamente vivida, seja esta estupidamente interrompida;
Faça-se a vento ao meu favor, faça-se algo que não ocorra a despeito de mim...faça por mim, aquilo que eu mesmo jamais pude fazer...lhe suplico, por favor!

quinta-feira

Falhas e folhas.

Falhei na vida, me lembrei das folhas;
Das flores me lembrei, me esqueci da fala;
Da fala fiz omissão, para de sentimentos diversos fazer em versos, transcrição;
Falei em coisas que se pareciam com afirmativa, falhei sem querer persistindo em postura negativa;
Falei e falhei, nas folhas registrei...vivi e pouco, ao menos aprendi, entre as folhas e flores meu ser, misturei;
Uma falha ao cair...outra sucede em nascer, uma folha verde-esperança...em flor amanhã poderá florescer;
Cair não será necessariamente prenúncio de levantar-se...cair, será necessidade de suportar e resignar-se;
Indignação que traz revolta, ódio que inspira o coração...serão passos que adiante não conduzem, serão os pregos que lhe prendem em um frio caixão;
Cair e falhar, transformar-se em pó com a face no chão, depois de como flor ter vivido para encantar;
Aquilo que é vida se transforma...aquilo que é vida há de falhar;
Desistir é opção, minha escolha é de toda emoção...ser instrumento para na folha registrar.




quarta-feira

Gira mundo, gira.

Um mundo que gira ao redor de um astro de própria luz, mundo que a esta luz chama e ao inferno flamejante te conduz;
Mundo que se faz lar, lar para os bem afortunados, bem aventurados e para os desesperados;
Abrem-se olhos que à luz do astro hão de agradecer;
Abrem-se outros...com ou sem domínio de sua lucidez, que por esta irão lamentar...contra esta hão de praguejar e desejar, o fim desta insana e redundante aventura com jeito de estupidez;
Queimar na epiderme a luz divina ou maldita, que queima para bronzear ou extirpar seu próprio mal;
Translúcidas são as formas mais belas, reais ou etéreas...opacas são as formas de vida mais patéticas;
De superar a mera superfície não somos capazes, alguns voam com asas fabricadas...outros terão de usar a mente, sã ou entorpecida para experimentar novos lugares, respirar outros ares;
Ares, poluídos na cidade...onde prega-se o amor e praticam-se as piores maldades;
Ares fétidos, que inspiram o assassino de vidas e sonhos e instiga a causar a lacerante dor, também há de inspirar um ilustre poeta ou mero escritor...
De inspirações provenientes de mentes contaminadas, porventura transcrever-se-há em palavras aquilo que é mais belo que a flor;
Gira mundo...mundo vadio, vagabundo e moribundo;
Agonize pela sua própria sina, queime em seu próprio calor...na esperança de salvação ou de que, em meio a tanto ódio semeado, venha a brotar algo que não seja uma doentia forma de amor.


terça-feira

Insana rotina.

Estranha sucessão daquilo que se sucede incessantemente como desnecessária e incômoda aliteração;
Nem graça ou desgraça hão de chegar de modo furtivo, quando nada é o que se tem de um ciclo insano e repetitivo;
Motivo...previsível e jamais intempestivo, sonhos que agonizam antes de nascer e verdades indesejáveis que nascem com o amanhecer;
Verdades...para se enfrentar, vida para sobreviver e jamais desfrutar;
Repetição. Nos olhos onde outrora habitava alegria e alguma emoção, somente se contempla o vazio deixado pelas marcas do ódio...com ou sem justificável razão;
Os olhos e a mente do psicótico se esvaziam, adoecem e se enfurecem...
Olhos dos psicopatas sem diagnósticos, observam, regozijam-se e escarnecem...
Escárnio é o que resta, carnificina poderia ser o que haveria de restar;
Entre monstros e demônios, sobrevivendo sabendo exatamente o que esperar;
Sento-me impassível diante do show da vida, e espero o espetáculo acontecer e tudo o que poderia ser alegria, por mim passar.

segunda-feira

Ingratidão.

O insano senso de possessividade da razão toma seu confortável coração;
Com palavras de ultraje e maldição, desdenha daquilo que já foi da sua mesa...seu próprio pão;
Fala em perdão, mas mágoas do passado habitam por trás de olhos plácidos que ocultam de seu caráter, a nefasta escuridão;
Fala com a propriedade do tolo, com a altivez e propriedade que lhe conferem seu pedestal de um presente que se assemelha a confortável ilusão;
Falhas de conduta todos possuem e todos terão...para falhas do caráter, entretanto, questiono-me se o que há de restar é perdão, piedade ou mera lamentação;
Fora sempre ser desorientado e pela metade, agora acredita ter a divina piedade e salvação;
No entanto, a empatia não é notória em seu ser, e te assemelhas com obra inacabada procurando ferir para se esquecer...buscando conclusão;
Fora projeto que se torna hoje projétil, que fere mortalmente quem fomentou no passado seu sonho e lhe defendeu de atroz humilhação;
Vire as costas para um ser humano em detrimento de outro que encontra-se para ti, na mesma condição;
Cuspir no prato que um dia te alimentou...não será perdoado pelos seus, sequer pelo Deus em que acredita e utiliza como base para sua frágil argumentação e questionável base de sustentação;
Pratica o que condena, mas adora praticar o ato de julgamento e admoestação;
É contraditório...mas, acredita que todos perante suas palavras ácidas e venenosas se aquietarão;
Cuidado, meu caro...minha cara: lembre-se do espelho ao acordar-se, lembre-se de contemplar o pecado que oculta em sua agora santificada face...lembre-se, que não passa de criança mimada buscando atenção...
E lembre-se também...que lágrimas de hipocrisia ou remorso, jamais ressuscitaram mortos de um caixão;
És flor inodora, és ser humano sem essência...é poesia sem sentido e palavras que matam a inspiração. É algoz da própria divindade, é com distinta crueldade que fere um coração;
Por fim lhe digo que, sua consciência, será a pior juíza que lhe aplicará a devida pena e condenação!

Brilha estrela.

Brilha estrela, mas brilha somente onde necessitar;
Impera soberana sobre o céu, lance sobre o pequenino mar a imensidão de seu olhar;
Brilha estrela, ainda que seja quando necessário para ofuscar...apague com a intensidade de sua luz a chama do ódio ou do desejo maldito que se omita em palavras, mas se acenda em uma mente ou reluz em um olhar;
Oculte seu brilho estrela, onde a escuridão não seja digna de se iluminar...onde somente seres pequenos e invejosos, de sua luz própria colocar-se-hão a detestar;
Surja com seu estonteante encanto, brilhe para iluminar ou ofuscar...reluz em um céu de cor escura, simplesmente para seu propósito inato cumprir e a bons corações, inspirar;
Saiba sempre, estrela...quando for noite de tormenta, onde até mesmo o dia jamais chega por medo de ali iluminar...
Brilha estrela, mas brilha somente onde não haja risco de sua luz alguém furtar, onde seres mesquinhos se ocultam por necessidade ou vergonha, simplesmente para lhe odiar;
Brilha em um sorriso para a uma vida alegrar...cerre suas pálpebras, seus olhos puros, para que sua alma com a maldade que paira, jamais se ferir ou se contaminar;
No escuro habita aquele que encontra conforto no oculto, pois oculto está em seu coração a intenção que suas palavras insistem em ato contraditório, afirmar;
Em sua luz, entretanto, habitará o coração puro que nada oculta ou com seu intenso raio haverá de se queimar, mas somente conforto encontrar;
Brilha estrela...mas, cuidado em seu lindo brilhar.

Crimes sem autores.

Caminhada adiante por caminhos de iguais ou diferentes, em um mundo indiferente;
Carícias e afagos de víboras que seus pés não pisam, mas dotados de mãos, com palavras que contradizem os atos lhe ferem mortalmente;
Destinos opostos, pernas insistem em seguir enquanto a mente, segue em devaneios por rumo ignorado ou simplesmente divergente;
Amigos circunstanciais, amigos condicionais e ocasionais...amigo será somente o leito de seu eterno descanso e uma memória curta que lhe traga alguma alegria e sempre lhe recorde de não olhar para trás;
O laço que ata, o veneno que mata...a palavra que agrada em um olhar estranho daquele que a qualquer momento e por motivo desconhecido, lhe ataca;
O carinho e a adaga...a dúvida que impera em dois gumes de uma só faca;
Seguir adiante é seguir a despeito do que quer que seja, esteja próximo ou distante;
Seguir adiante parece tarefa insana, que se faz obrigação ou punição desde a concepção...de seu abrir de olhos para a luz de um mundo de mentiras ultrajantes;
O ávido psicopata está nas ruas, a sanidade encontra-se na clausura...viver é algo único e deveria ser constituído de mais certezas do que dúvidas...pois, a sobrevivência é algo que permeia e flerta com a loucura;
Direções, caminhos...um tapa fará toda a diferença quando se necessita de cuidado e carinho;
Quando não se encontra em seu descanso ou exercício algo confortável que se pareça ao menos por instantes com berço ou ninho...não haverá de se lamentar seu estimado algoz quando sua opção, for simplesmente esquecer-se de toda razão para caminhar sem se importar, e totalmente sozinho;
Livre estará a estrada, quando libertar-se dos sorrisos desnecessários que desdenham de sua sorte e parecem lhe desejar a morte...ainda que matar seja sutil ato de um benfazejo desgraçado que lhe mata devagarzinho;
Não será necessário ostentar ao seu lado aqueles que façam questão de desejar-lhe implicitamente o iminente e trazer-lhe em um mundo assaz hostil, ainda mais dissabores;
Entre monstros e atores, crimes e seus autores...os normais à solta com seus sorrisos e falsas flores, fazem parte de meus piores pesadelos e povoam meu universo de horrores.

sexta-feira

Injeção de liberdade

A vida é algo que tive de esperar, como a liberdade que espero há anos para que venha me visitar;
A vida...é algo que não tive de roubar ou trapacear para ganhar, simplesmente vim à tona, vi a luz e aprendi sem muito esforço a respirar;
Se esforçar e exercitar, exercício intenso e incessante sem ceder ao cansaço até um objetivo alcançar ou ao seio da mãe terra, simplesmente retornar;
Liberdade não se parece com algo que com trabalho se consiga, ou estado que com anos de exercício físico ou mental, venha a se alcançar...é algo que se parece mais com droga líquida que se decide repentinamente injetar;
Sobreviver para exercitar, sobreviver para esforço empregar sem êxito jamais lograr, sem hesitar...para tão somente. dos demais que roubam, a prosperidade testemunhar e por vezes até invejar;
Ser livre para obedecer, ser livre para ceder...ser livre para fazer sentido para seu algoz, ser livre somente para consentir e consequências sempre temer;
Viver deveria ser mais do que consentir com o mero exercício ou simplesmente o bom ato de coexistir...deveria ser experiência única e intensa, algo que valha a pena e seja marcante para em uma memória permanecer ou sobre esta, em algum livro alguém escrever;
Viver não deveria ser somente saber esperar, saber obedecer e saber consentir;
Deveria ser plenitude de satisfação mental e sensorial, escolhas incondicionais que não submetessem ao castigo seu involuntário ato de neste mundo existir;
Dádiva ou castigo...liberdade ou perigo?
Deixar que cada um descubra por si mesmo...aquilo que seja amigo ou seja inimigo; e ainda que todos sejam potenciais e travestidos inimigos...que você ao menos, sinta-se dono em uma efêmera existência de seu próprio umbigo;
O cordão umbilical fora há anos rompido...deveria significar algo, que não fosse prenúncio de submissão eterna ou ilusão de que por liberdade plena pudesse esperar...ou que esta, sempre estivera contigo.
Pegue minha mão, aceite como presente sua desejada dose...sua injeção. Mas, esteja ciente de minha condição!