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quinta-feira

Grato pela atenção

Pensei por um segundo, em parar pelo desânimo e capricho proeminentes de um ilustre vagabundo;
Pensei em cessar meus pensamentos, sincronizados e motivados pelo coração e seus batimentos...via-me então por demais doente e moribundo;
Parei por tempo suficiente para desistir...uma vez mais, ainda que fossem por algumas horas ou minutos;
Pensei que seria útil para sempre a omissão, renegar minha missão, matar a árvore antes que gerasse frutos;
Após tanto pensar...tantos motivos procurar e achar para desistir e não continuar, vi por mim o desespero daquele que vinha distante a buzinar, abrindo caminhos...pedindo passagem para evitar de seu agonizante pai, o coração para sempre, parar;
Pode parece-se com nada para alguém esta situação corriqueira, pode nada vir a significar...quando com nossos próprios egos estamos sempre entretidos, quando sempre muito pedimos e nada temos para dar;
Pensei que seria inútil desistir somente por mim, pensei que seria fútil desistir pelos inúteis;
Quando for chegada minha hora, quando para sempre também meu coração silenciar...espero ao menos ter cumprido parte de minha missão, livrar o mundo de minha presença estúpida e deixar somente minha palavras...para alguns, úteis;
Quando for chegada minha hora, quero ir em paz ir embora, não quero lágrimas mentirosas pelo que se foi, não quero nada, pois nada serei nesta hora;
Lembre-se somente, um, ou talvez mais...daquilo que deixou como legado aquele ser desprezível que a terra há de deglutir com pesar;
Daquele, que um pouco de seu tempo infeliz colocou à disposição pouco para si e muito para os demais;
Simplesmente para, quem sabe, salvar com palavras dias e vidas que fizessem algum sentido...
Quando minha própria jamais fez, e ainda não faz.

Sete dias, minha sentença

Sete dias não é pena que me pesa, por ter flertado quase que mortalmente novamente contigo;
Sete dias, não serão pesados para se pagar, por ter caminho sem rumo, por ter quase perdido o juízo;
Sete dias, prazo pelo qual não hei de me queixar, sei que mal maior sobre mim poderia o martelo do juiz destino, determinar;
Sete dias, cumpro minha sentença...sem questionar, não mais me apraz desgraça ou desavença;
Sete dias, suficientes para introspeção, suficientes para que uma vida sentada no banco dos réus, com suas provas de inocência vença, ou para que a morte, vil promotora de justiça,  deste prazo peça eterna dilação e ao júri convença;
Sete dias, não será nada para restaurar a alma daquilo e o corpo daquilo que o vento e o tempo vença;
Sete dias, obrigado por terem se passado, e por não terem trazido consigo algo que não fosse absolvição de um pecado que quase cometi;
Eternidade...é o prazo pelo qual pretendo viver e fazer valer a pena ter vivido, seja enquanto caminhar, seja quando já tiver partido;
Em algum lugar, dirão que cumpri pela última vez sete dias...e que do "quase" eternamente saí para ser pleno...como o sentimento do qual tanto falo, mas que acredito que jamais ter, de fato, compreendido...

Acredito no que vejo, detesto o que se parece.

Acordar de manhã contemplando a imagem do sagrado ou de uma santa...se não tenho mais fé, de que isso me adianta?
Acordar para contemplar aquilo que não se move, não se levanta;
A fé em deuses imaginários jamais moveu moinhos ou montanhas;
A fé de um simples trabalhador ordinário move pequenas coisas, faz pequenos milagres e traz consigo aquilo que proverá o miserável pão que o alimenta e com seu suor e sangue, ele ganha;
Na agonia em súplicas olhando para cima, nunca vi ser privado de uma agonizante morte ou excruciante dor, aquele que acredita que exista além das nuvens piedade;
Nas filas de hospitais, ainda que lotados, vejo serem sanadas dores, vidas salvas...e aos céus pessoas agradecerem, esquecendo-se do humano que a ela se dedicou, parecendo-se com ato de crueldade;
Entre céus de esperança, infernos de terrores, já me basta a terra em que vivemos, um palco de belezas miraculosas e palco para dissabores e horrores;
Entre meus maiores temores, não está aquilo que está supostamente acima ou quiçá abaixo...está aquilo que em minha frente meus olhos alcançam, está naquele que se assemelha a mim, sendo este o mais nobre ou o mais baixo;
Entre minhas maiores esperanças, ainda está neste plano, ainda está no olhar das crianças;
Do céu nunca caiu nada que não fossem chuvas de piedade;
Debaixo, nunca brotou nada que não fosse grama, arbustos ou flores, onde não vejo nenhuma maldade.



Fazer algum sentido

Tentar se propagar onde não haja ar que seja favorável à vida, quando se é um ser vivo;
Tentar preocupar-se com alguém que não seja você mesmo, vivendo no reino da hipocrisia onde se parece que somente Deus ou o acaso está contigo; 

Tentar não soar idiota, tentar ter uma reputação, tentar incessantemente e sucessivamente, embora sem sucesso aparente, não soar sem sal para uma insípida e alienada gente;
Estender uma mão e levar um tapa, sair na chuva esperando não se molhar ainda que despido de proteção, sem nenhuma capa;
Servir com idéias quem valoriza a matéria, servir iguarias para quem há de se deleitar com porcarias;
Tente fazer algum sentido em um mundo ou em sociedades de estranhos anseios e saciedades, que parecem não fazer sentido algum.
Será apenas mais um palhaço, será objeto de troças para um qualquer ou para qualquer um...
Maldito dia que fora à tona trazido para este mundo, sem sequer ter pedido;
Não sou e jamais serei grato a ninguém, pois tudo o que conseguira até então, apesar de se assemelhar com nada, de meus méritos serão frutos e por mim mesmo fora feito;
Maldito seja o dia em que nasci, onde tudo o que se fala ao meu respeito, em atos e na sorte de minha própria sina, ocorre ao meu dissabor ou ao meu despeito.



terça-feira

Paradoxos de um dia, somente.

Vinte e quatro horas, parece ser tudo o que temos, parece ser pouco para quem ri ou com eternidade se assemelhar para quem chora;
Vinte e quatro horas...muito tempo para o trabalho, pouco para se pensar, pensar em existir e exercitar o que há de por aí se pregar;
Tempo, todos parecem nos pedir, tempo para compartilhar, prazos para cumprir;
Horas marcadas e compromissos que não se comprometem com a inspiração, simplesmente com o cumprimento da diária obrigação;
Vinte e quatro horas...prazo suficiente para alguém nascer, mais que suficiente para aquilo que é vida...morrer; para renascer ou no limbo, eternamente se esquecer;
Dia e seu prazo delimitado, paradoxal por sua natureza...ora, tempo demasiado para suportamos uma lacerante dor ou tristeza;
Pouco tempo, entretanto, para vivermos sem pensar em mera sobrevivência, para prestarmos devida atenção talvez, à quem clama por ajuda ou clemência;
Tempo escasso por demais, para tornar sublime o comum e se inspirar com a esquecida beleza.

Sou amador, sim senhor!

Amador, sim senhor! Não há de ser pejorativo aquilo que se faça não por dinheiro, mas por plena satisfação e por amor;
Jamais é o espaço temporal no qual deverei me lembrar, de não me esquecer, do que me trouxera até aqui;
É oriundo do radical mais belo e tem origem no sentimento mais nobre chamado amor, sentimento que desde o princípio em partes somente reconheço...sentimento, que por alguns instantes, por vil ambição, pelo resto dos meus dias quase que completamente me esqueço;
Amadorismo, perdão por me esquecer que fora por ti, que este cara que não é o assíduo leitor ou o talentoso escritor, chegara até aqui;
Aqui...onde para um "cara que escreve", pode ser o fim de uma missão ou simplesmente o princípio;
Daqui, se esqueço-me novamente de lembrar-me de ti...tudo poderá soar sem sentido e poderá ser pesaroso ostracismo e precipício;
Pesaroso jamais por prosseguir, ainda que seja anônimo; mas desgastante por esquecer-me de minha essência despojada e tornar-me do caça-níquel, um involuntário e humano sinônimo;
Amador...amo minha vida, suas desventuras e emoções que em mim floresceram para que fossem transcritas, coisas que me trouxeram até aqui;
Amador...ainda que errante e estranho fanático de tudo que seja empírico e da dor, orgulho-me por assim permanecer e, em versos contar um pouco de minha vida ou utopia...eternizar memórias pelas quais passei ou pretensamente, sobrevivi;
Amador...vim até aqui, vi e intensamente vivi;
Arrependo-me somente de desejar aquilo que para mim sempre fora repugnante e por alguns segundos em ímpetos de insanidade, por poucos passos que permearam e transcenderam o quase, acabei por titubear e quase sucumbi;
Amador...do pouco do amor que sei, escrevi;
Este amor se fez plenitude daquilo que sinto na alma outrora vazia, este amor...fez com que tivesse algum sentido ostentar um nome do qual me envergonhara até um recente passado...que se parece com um recente e finado dia;
Amor que trouxera vida à minha própria já perdida e no amadorismo, fiz renascer em palavras minha própria fantasia.

Detesto o que me tiras, mas amo suas mentiras.

Senhor, coloco-me diante de ti neste dia que amanheceu triste em um céu que não sorri, mas a mim dirige sorrisos jocosos após uma noite de tanta alegria;
Coloco-me diante de ti minhas angústias, senhor...coloco para ti palavras e peço somente que empreste-me ouvidos para daquilo que saia do meu dilacerado peito, maldita e conhecida agonia;
Senhor, ela retornou quando acreditava ter partido para sempre, partiu novamente este cansado coração que acreditara ter ao menos cicatrizado...no entanto, não soubera jamais que seria uma vez mais brevemente;
Bateu na porta de meu imaginário, colocou-se como idéia tentadora em minha situação desesperadora...desenhou-se como solução até então abstrata, que deveria permanecer como tudo aquilo que se perca propositalmente no fundo de um baú ou de um armário;
Sujeira que varremos para debaixo do tapete acreditando ser para sempre, seguimos adiante ilesos...acreditando estar saudáveis e não mais perecer na humilhação da condição de doentes;
Do plano imaginário que se pintou, com segundos de minha própria colaboração tornou-se concreta e diante de minha pessoa, apareceu linda, se despiu e uma vez mais me usou;
Senhor, veja o que de mim restou...não te conheço, mas nesta esquina da vida, se parece com uma alma sofrida que com meu olhar juvenil de tristeza se compadeceu e estranhamente se identificou;
Como a vil prostituta, o tudo que inclui matéria e dignidade de mim, uma vez mais consigo levou...no espelho, um rosto desolado após uma noite de prazeres nefastos, de minha pessoa apenas, restou;
Senhor, sou um imbecil, um boçal que sabia quem batia à porta ao abrir e ainda assim, foi consensual o tocar de mãos que a mesma maçaneta abriu para aquela que veio tentadora e vestida como solução, permitiu que minha casa adentrasse e me ferisse assim que meu corpo novamente tocou;
Tocou...profanou, fomos parceiros novamente de um crime, fui escravo que não sabe se libertar e erra sobre os próprios passos...sou aquele, que se afeiçoou com um deja vú que se assemelha com um infeliz e amaldiçoado filme;
Quando há consenso não haverá culpados, se não houvesse fraqueza talvez não houvesse pecado a lhe confessar, não estaria a lamentar novamente pela sorte daquele que se permitiu aliciar para um velho e conhecido crime;
Senhor...não te conheço, mas lhe agradeço;
Siga seu caminho sem com meu nome se importar, apenas com minha história se compadecer e olhos que não sejam de condenação ou desdém sobre minha pessoa, lançar;
De olhos sem alma já não há muito o que se fazer a não ser simplesmente sobre seus pecados dizer, não há motivos para lamentar aquilo que já é sabido de ocorrer como um qualquer amanhecer;
Não há dores que não sejam capazes de se ocultar nesta putrefata e condenável carne, já não há mais lágrimas de arrependimento destes olhos mortos para escorrer;
Por meu corpo não peço clemência, pois já não se faz no espelho reflexo de juventude errante nesta altura de minha idade;
Apenas peço, por uma alma...se é que em algum lugar esta ainda exista e persista, aos céus que chorem por mim em lágrimas torrenciais que se pareçam com divina piedade;
Senhor, obrigado por me ouvir e se materializar talvez como um senhor senil e humano neste estranho lugar, onde sinto o frio de minha alma a congelar e uma vez mais, aquilo que não presta selar minha sina;
Senhor...obrigado por, ainda que sem palavras, mas com um olhar marejado e cansado...minha figura fitar e saber que uma vez mais, fui ferido por aquilo que em mim se fez morada e maldição...sujo e sem aparente explicação uma vez mais estou por ter cedido meu corpo para que fosse profanado por esta súcubo com jeito de inocente menina...
Senhor, perdão por lhe dirigir palavras e procurar alento, mas consciência parece não suportar e desejar de uma ver por todas sucumbir, se faz agora impiedosa polícia e juíza de meus atos e encontra-se assaz pesada;
Quisera eu que permanecesse idéia aquilo que agora se concretiza, é deveras conhecida e maldita minha "fiel" amiga...quisera eu permanecer limpo de sua presença...quisera eu, não ser mais um infeliz iludido pela cocaína.

Liberdade e libertinagem.

Os cortejos, as trovas e o sonhos de romantismo, cederam lugar à exacerbação da libido;
Aquilo que se praticava e se condenava na escuridão, agora é exibido com exaltação à luz do dia e ao vivo;
Ganhou-se a liberdade total de ser um animal, perdeu-se tudo aquilo que te fazia humano pensador, sensível e passional;
Conduta ilibada para quê há de servir? O pecado está à mostra...todos já conhecem o rosto por trás de sua roupa ou de sua social cara...de cartas marcadas não será surpreendente aquilo que há de surgir;
Ganhou-se muito, perdeu-se bastante...aquilo que era desejo oculto, hoje se pratica sem problemas logo adiante;
Alguns condenam, outros, aprovam. Seria por falso moralismo ou inveja? Ou quiçá seria, por real convicção de que ser humano consiste, em ser mais do que seres alienados que não se importam a não ser com o que seja sensorial ao extremo;
A não ser, com aquilo que dá prazer passageiro, aquilo que toca, faz algum sentido...e por instantes, parece lhe fazer pleno. Embora, se pareça com retrocesso ou profano veneno;
A verdade de nossa própria existência, muitos ousam fundamentar, mas ninguém decerto sabe; críticos hão de ter suas razões ou fundamentos para criticar e entusiastas, seus motivos para apoiar;
Talvez essa seja nossa real natureza, talvez cortejar, sonhar...ousar por demais em pensar e neurônios inutilmente desperdiçar, seja pura perda de tempo...ineficaz e inconveniente besteira para se considerar;
Melhor talvez ser um ignorante movido pelas massas, apoiar a total liberdade de evoluir ou se auto destruir, pois nisto talvez consistiria a liberdade plena para pacificamente coexistir;
Melhor talvez, seja você mais animal ou mais racional, ser ao menos original e estar convicto de suas virtudes e falhas...e aceitar, que por definitivo aquilo que você sonha, não é e raramente será aquilo que ao seu semelhante, agrada.




segunda-feira

Se é utopia...ao menos é sua, sorria!

Dane-se se é mera utopia;
Se vivo intensamente na fração de um momento, brilhando intensamente na noite como um vagalume, um vil vagabundo ou ornamento e não sobrevivo para ver raiar o dia;
Dane-se se é fantasia;
Se ainda me distraio após longos anos com aquilo que seja entretenimento pueril, mas que aos meu olhos ainda encanta como magia;
Dane-se...se é sonho;
Se em meu mundo ideal não há espaço para aquilo que condeno, se por aquilo que acredito ainda que seja uma causa solitária, por viver e morrer eu me disponho;
Dane-se se por acaso se pareça com loucura;
Se por instantes hei de negar aquilo que é tradicional e cruel, e faço por opção a cordialidade, cortesia e lisura;
Dane-se se ando a pé em um dia de chuva...da água sou elemento, e esta ao tocar meu profano corpo se faz depuração e leva consigo lágrimas e sofrimento;
Dane-se o que irão pensar, dane-se o que hão de falar...a vida ainda lhe pertence e há de ser, ainda que seja por empréstimo, somente sua;
Dane-se se acredita estar feliz na sobriedade ou ébrio, sob um teto de concreto ou sob um teto de lua;
Dane-se a opinião dos aflitos que vivem para desejar uma página de uma escrita que é somente sua...
Se a trama é algo que seja pronome possessivo, rejeite sem hesitar aquilo que lhe imponham como verdade;
Não alimente a alheia curiosidade e sequer se importe com o que eu sugira quando é toda sua, ao menos da mente, a liberdade;
Viva para escrever e acreditar naquilo que se pareça apraz e seja digno de ser registrado para a posteridade...viva, seja onde for ou seja como for, jamais suplicando por aprovação social ou humana piedade;
Estará no etéreo, eternidade e metafísico quiçá sua inabalável verdade...ou será somente concreto aquilo que lhe faz sorrir e seja o vil metal sua ulterior vontade;
Viva como quiser, viva para não ser somente sobrevivência...ainda que não se complete, busque plenitude em um mundo onde tudo se pareça ou conspira para que seja metade.

Lágrimas e flores

No muro de minhas lamentações derramei lágrimas de minhas ocultas vergonhas e lacerantes dores;
Destas brotaram brotos de esperança, destes...floresceran as mais belas e distintas flores;
Seria a dor o combustível; precursora da inspiração e propulsora da arte que nasce pelas gotas de lágrimas humanas...gotas de dores?
Na alma destes seres divinos e sublimes que enfeitam os campos mais belos e locais de horrores, está presente um pedaço daquilo que vem do âmago humano, de nossas alegrias e dissabores;
Choro de lamentação, choro de glória; choro de vegonha e choro que se oculta entre a chuva e porventura um raro sorriso...hoje, sei que flores não hão de nascer onde não haja exacerbação das emoções da existência ou o simples fim de um ciclo...flores, amostra terrena de paraíso;
Sobre o sepulcro daquilo que um dia foi vivo...brotando das lágrimas de dor ou de alegria, que dos olhos de alguém, involuntariamente tenha escorrido;
Flores ofereço, e ao oferecê-las...sinto que ofereço também um pedaço daquilo que é alheio ou daquilo que se faça pedaço de mim e carrego consigo;
Flores...o presente mais singelo, se faz presente onde esteja o mais horrível ou o mais belo;
Flores...presente da alma que não se calcula o preço, presente da vida que se ganha, se perde e humildemente, se oferece...ainda que ao recebê-las, sempre restará a questão se as mereço...
Flores...

Soldados de brinquedo, soldados para brincar.

Lembro-me de quando era apenas brincadeira, lembro-me de dias de infância...tardes inteiras;
Eram eles cor verde oliva, eram eles...cor de pele, verossímeis, cor de gente viva;
Conflitos e onomatopéias que imitavam sons de tiros e explosões, coisas de crianças...onde se faz ausente discernimento, mas a maldade está presente em atitudes compelidas pelas emoções;
Influenciados por filmes adultos, presenteados com brinquedos que imitam a fera...soldados que imitam humanos para se digladiarem, presenteados por adultos incautos que desconhecem o que é uma guerra;
Entretenimento...com o intenso combate, com tudo o que seja interessante por um momento e descartável ao se derreter com uma lupa translúcida sob um sol intenso;
Vidas de plástico descartáveis, sonhos...que nascem de idéias de glória e medalhas de respeito por dilacerar seu semelhante, arrancar sem hesitar e sem uma justa causa aquilo que bata em um peito;
Vidas humanas descartáveis...afinal, haveria causa justificável o suficiente para que se destruam lares, para que se queimem soldados condicionados e meramente comandados, que obedecem sem questionar por acreditar que fazem aquilo que seja direito...sem tempo para indagar, quando o assunto é sobreviver...se é certo ou errado?
Aquilo que na infância derrete-se impiedosamente com o foco convergente da lente, queima-se rápido ou lentamente...no fogo que venha da terra ou do céu, no covarde fogo do artefato nuclear "inteligente";
Soldados não são brinquedo, soldados são gente comum como a gente;
Soldados serão aqueles que não esperam nada além de uma justa causa para sua vida, a glória;
Soldados...serão aqueles que ao menos esperam um morte digna ou quem sabe...vitória; pessoas humildes a quem tanto se humilha, que têm em uma arma talvez sua única esperança e de afeto, sua única forma metálica de família;
Unidos em um batalhão, em um pelotão...separados pelo destino, aguardando sob as intempéries do tempo, expostos ao calor que entorpeça ou ao frio que remeta à sua solidão;
Soldados...brinquedos em adultas mãos;
Peças necessárias para a manutenção de soberania em um mundo onde fronteiras já deveriam ser passado...mundo cão; peças descartáveis em um mundo onde aquilo que nasceu fera e humano, já deveria ter encontrado evolução;
Soldados...em qualquer canto do mundo lutando por uma causa e sem saber, sofrendo e sendo entretenimento por sua vil condição;
À vocês meu respeito...à vocês, de mim mesmo o próprio desprezo por um dia ter acreditado que guerras e dor fossem solução;
Por acreditar que fossem super-heróis que não poderiam ser feridos, mas jamais comandados e expostos às maiores desgraças e correndo, enquanto escorrem e ocultam suas lágrimas...correndo em direção ou para longe da iminente dor desnecessária, de seu destino e da própria e humana lástima;
Correndo dos jogos adultos criados para vocês, correndo para ferir, mas ferir como a fera que adestrada para agir ou, ao ferimento causado reagir, sempre estará;
À espreita de uma presa para ter de seu superior e oficial sem ofício, a maldita condecoração manchada de sangue e orgulho...e para saciar seu próprio ódio deveras infundado, sua libertação...
Ainda que esta seja ao encerrar sua própria existência sem ter sequer tempo para ver de onde partiu o projétil ou, da explosão, ouvir o barulho que silencia para sempre seu coração;
Às armas soldado! És da nação o orgulho e tua missão é a nossa proteção;
És para seus comandantes, um mero número descartável e mesquinha diversão.




domingo

Apagar das luzes.

Desânimo que em mim se abate, coração que em meu peito desistiu da intensidade e somente para manutenção de uma vida perdida, bate;
Desânimo...aflição que em um copo de Whisky ou em uma droga qualquer se afogue, algo que me faça esquecer de meu próprio nome e a mim, aos poucos e suavemente mate;
Desânimo...em minha alma não se inspira mais o poeta, mas sucumbiu ante às adversidades cotidianas o boçal que em mim habita e respira somente aquilo que faz mal e infecta;
Não me apraz aquilo que não seja veneno,  não me interessa o que seja sublime...sua magnitude, o sucesso e seus mistérios, tudo o que seja grande ou como minha alma, pequeno;
Me interessa muito o antraz...me interessa demais o excruciante e nada excitante fechar das cortinas, me cansei da ilusão e de qualquer pantomima...dê-me logo o veneno;
Veneno...que paralise de uma vez por todas aquilo que já não me traz soluções, mas somente problemas, incapacite meus pulmões doentes, traga-me a fatal síncope...o irreversível edema;
Sufoque minha capacidade de pensar, minha capacidade de respirar, minha capacidade que se assemelhava ainda a uma pequena fagulha, de sonhar....
Pois, deste mundo, não quero nada levar e não tenho nada mais aqui por dizer ou realizar...não quero saber do amor e de toda hipocrisia, já cansei de me cansar;
Veneno...sirva-me em um copo ainda que sem minha ciência para que eu possa de vez tomar, para que tudo se concretize em eternidade infernal, mas que ao menos...DISTANTE DESTA TERRA E DESTA GENTE, EU POSSA SOFRER E AO PRÓPRIO DIABO ABRAÇAR!

Filhos da víbora


Te ofereceram um emaranhado de dúvidas, quando tudo se parecia com certezas;
Te ofereciam mais peso, quando as coisas se encaminhavam para aparente leveza;
Contaminaram seu sangue com veneno, com cocaína...quando estava ébrio demais para discernir e culpado pela sua apreciada cerveja;
Te ofereceram doenças, ocultas na lascívia tentadora da mais doce e tenra boca que te beija;
Te trouxeram ao mundo com lágrimas de dor simplesmente por capricho, para que chegasse neste lugar assaz pérfido e imundo, com estas lágrimas que eram prenúncio do sofrimento vindouro e de sua tristeza;
Te oferecem chances despretensiosas, ocultando expectativas quanto a ti, que no fundo soam como certezas;
Te cuspiram da cloaca, do ato que fora profano para um mundo de beleza...mas, como tudo que é proveniente de profano, jamais poderia estar livre do castigo implícito, da já referida tristeza;
Te fizeram carne...a carne destinada a perecer e apodrecer, jurando que eterna seria sua beleza;
E ainda que, quem houvesse jurado fosse você mesmo...seria somente sua a culpa por seu infortúnio e por tudo aquilo que este mundo insano em ti despeja;
No entanto, se te tornas responsável por aquilo que desconhece e pelo mal latente que como dor iminente em seu peito combalido bate naquilo que chamas de coração...
Não haveria este de pulsar então...seria este somente músculo involuntário que irriga uma vida que se parece não dádiva, mas maldição;
Seríamos nós então frutos do acaso e merecedores de nossa condição, frutos de nossas próprias incertezas...não filhos de um Deus ou do homem, mas da víbora que sob um chão impiedoso, por sua própria sobrevivência...diariamente rasteja.



Deus e o diabo na Terra....


Deus e o diabo, costuraram em território neutro que se chama Terra um acordo;
Um acordo de camaradas, onde cada um levaria um percentual das almas que aqui nascem com cara de aborto;
Fagulha de bondade inata que nasce em um ambiente contaminado, faísca de maldade que conosco cresce, sem interferência do divino ou apoio do nefasto...ainda que este pareça estar a lhe coagir, ao seu lado;
Deus e o diabo fizeram acordo político em um lugar onde estranhos se abraçam para fotos e ideais conflitantes se confundem e flertam estranhamente. para mais votos;
Votos de confiança...do rebento recém nascido em um berço, jamais se saberá de quem este tornar-se-há declarado ou secreto devoto;
Costuraram um acordo onde tudo se parece com remendo, com cicatrizes, feridas abertas e machucado;
Onde até mesmo a flor que venha a nascer como milagre de beleza no campo, deverá perecer com a praga e sucumbir como pecado...para o vil olhar, para de alguém, o agrado;
Céu acima, inferno...abaixo?
Estou a falar de coisas hipotéticas, do metafísico...de coisas que possam ser reais por demais ou imbecis criações da mente para à respeito eu ter versado;
Estou a falar de coisas terrenas que infectam até mesmo o que habita acima ou habita abaixo...estou a falar de coisas políticas, das forças invisíveis que se fazem para nós polícia...estou a falar de Deus descendo de sua majestade à Terra, e do diabo...subindo até aqui como de costume, para fomentar um pouco mais de ódio, pragas e espalhar sua propaganda de terror e de guerra;
Estou a falar da política, coisa tão maldita que deveria ficar envolver apenas aquilo que fosse carne e que nasce neste desgraçado berço onde a besta já dá sinais de que, absoluta, impera;
Pobre do divino...vendo-se obrigado a descer por sua criatura para costurar acordos políticos com o maldito, sendo este acostumado com todo tipo de artimanha e senhor das malditas alianças...pobre onipresente e divino, que nesta terra de ninguém, se parece com um impúbere menino.


sexta-feira

Ser, mistério.

Segregado...jamais aquele que é aglutinação, mas sempre justaposição e de escanteio...de tudo o que se pareça com felicidade, se situa ao lado;
Sempre ligado, admirando o espetáculo e deste nunca sendo parte, somente ao observar taciturno e de soslaio;
Sorrateiro...de qualquer ilustre facínora, no máximo um mero lacaio;
Não é zero que se posiciona à esquerda, mas terá o mesmo valor de carta fora do baralho;
Voto de silêncio fará o vil desgraçado, no entanto ninguém notará do som ineficaz de sua voz, a ausência;
Greve de fome ou protesto fará o anônimo infeliz, por sua morte ou de represálias que sobrevenham...há de escarnecer o ser social normal de todo o infortúnio, pela causa solitária que há de lutar ou daquilo que diz;
Segregado, grão que se separa da praia e sequer à margem da imensidão azul se situa, estranho grão da mesma areia...desconhece seus semelhantes e não ouve o canto, ainda que seja maldito de uma sereia;
Dentre afortunados e raros agraciados com toque de Midas, fora amaldiçoado com o toque da Medusa...tudo aquilo que deseja ou parece amar, ainda que do amor não saiba, se petrifica;
Ser esquecido, ser que lembrado será somente por quem lhe odeia em segredo e por seus exíguos ganhos, como ceifeiro de seu pouco dinheiro, à espera fica;
Ser que não é notório, ser que ostenta consigo o pesar da aura de um velório...ser que a cada dia se encontra e se perde em sua solidão e o coração, solidifica;
Votos de silêncio não há de fazer, tudo aquilo ao que se proponha será ineficaz de se executar, escrever ou de dizer;
Ser...que ainda vive, mas vive para ser alvo de troças daqueles que jamais o levaram a sério;
Ser que persiste, insiste e sobrevive, mas desejaria estar há anos repousando sob a lápide do esquecimento de tudo o que se enterra em um cemitério;
Ser estranho e cansado, ser cômico e profano...ser, mistério!


quinta-feira

Assassinar o passado, é preciso.


De meus fluidos corporaís, não flui nada que não seja purificação...já não há marcas do que ficou para trás;
De meus valores morais, não restaram nada além de estilhaços de um orgulho ferido e retificações...reconsiderado e revisto fora aquilo que se pareça com jamais;
Das marcas que trago no rosto e na pele, não restará nada além de estigmas de um passado que me condena e memórias com as quais sou obrigado a conviver, mas minha mente repele;
Do que fui não me recordo, no presente me faço um mero componente de um todo, quiçá para alguns um nada;
Não hei de me incormodar com esta condição, entretanto, pois se tudo um dia fui não me recordo, mas hei de preferir a realidade ainda que seja mágoa...ao torpor que meus passos conduziam entre estranhos, por uma estranha estrada;
Será mais eficaz viver como algo que nada representa, pois aquilo que se auto proclama relevante e considera-se pleno...jamais será meio que se disponha a evoluir e propagar o sublime;
Alguém que dispa-se das confortáveis máscaras, que assuma a tarefa de ostentar sua própria bagagem e deixar de ocultar seu vergonhoso crime;
Será ainda talvez, alguém que nunca há de conhecer sobre empatia e humildade, que sinta-se seguro e inerte, preso em sua própria razão ou verdade;
Me lembro apenas que, muito tempo compartilhei com seres dos quais pouco me recordo;
Pouco tempo, dispunha para lembrar-me de mim mesmo e do respeito, que deveria estar dedicado ao ser cuja face ainda se reflete no espelho quando acordo;
Muito de mim ofereci, quando tudo parecia para alguns representar...muito de mim perdi, quando em semelhantes decidi minha própria vida confiar e a mim mesmo, em ultrajante conduta negligenciar;
Por fim, vos digo que de um passado, seja este recente ou longínquo detesto me recordar;
Bagagens já tenho demais para ostentar e vergonhas não me faltam para me envergonhar;
Apenas reafirmo, que daquilo que ostento não hei de me queixar e, àqueles que deste lapso temporal que não me apraz em memórias guardar...esqueçam de minha face, esqueçam de meu nome se lembrar;
Deixem-me viver com minhas próprias questões, pois de vossas existências de fato não me recordo...e se ao acaso ainda me lembro, faço como exercício diário a tentativa de apagar desde o momento em que, para mais um dia...a vida ou o que desta resta, ainda insista em me acordar.

Plenitude de vazio.

Sobra álcool na gasolina de um carro, falta beijo verdadeiro que não tenha gosto de escarro;
Falta álcool no copo de torpor do anônimo boêmio, falta na lâmpada incandescente que acende uma idéia, o filamento de tungstênio;
Falta inspiração para o poeta, falta objeto de estudo para o gênio acadêmico;
Falta água na cidade, sobra corrupção no ninho da administração e morte...na margem, onde vive o gado abandonado à própria sorte;
Sobra vontade de escrever, falta vontade de persistir em sobreviver acreditando que seja pleno o viver;
Sobre vontade de transcrever, mas quais emoções não foram previamente transcritas com excelente maestria, que ainda venham a restar para algo acerca se dizer?
Sobram palavras, faltam ações...falta razão, sobram exacerbados ímpetos norteados por estranhas sensações;
Sobram palavras proferidas pela boca e não consentidas por corações, sobram laços que venham a unir por interesses mundanos e destróem até mesmo aquilo que não seja amor, mas somente paixões;
Verborragia, demagogia...descrença naquilo que não se veja, morte da magia;
Dentre tantas ausências sentidas e presenças indesejáveis ou exíguas consentidas...que não falte neste dia algo que se pareça com alegria...
Que o Sol venha a nascer no mesmo horizonte de sempre e irradiar o pessimismo que habita na lúgubre penumbra ou em uma alma triste e vazia;
Faça-se luz uma vez mais, dia...venha para fazer renascer como esperança, a vida ainda que efêmera, que insista em abraçar a missão de fazer diferença, embora a hora se pareça por demasiada tardia.

quarta-feira

Um homem grande e um grande homem.

Qual a distância a percorrer, para grandioso se tornar?
Quais as placas a seguir, sequer uma mão haveria para indicar?
Vejo ao meu redor somente muros que se parecem instransponíveis...minha altura jamais será suficiente e meus pés que a superfície não superam, jamais poderão alcançar;
Não vejo escadas ou luzes no final do túnel, meus olhos estão cegos diante de uma estranha luz a me ofuscar;
Seria com a mente somente, minha chance de lá fora o mundo imaginar e neste, me ver notório e quiçá grande...grande, o suficiente para alguém que não seja eu mesmo notar?
Minha mente confunde meus passos e nestes, insisto em tropeçar;
Meus braços são longos, mas jamais foram suficientes para meus sonhos que se parecem com estrelas em um céu, alcançar;
Sou aquele quase que poderia ser pleno, no entanto ainda sinto a ausência do meu invísivel pedestal que da prisão irá me libertar e à tona, me trazer para respirar;
Entre o cheio e o vazio, consigo ser meio termo e não ser nada...sinto somente meu corpo com necessidade talvez de asas, padecer em um solitário mundo de tristeza chamado de vazio;
Sinto-me somente mais um que sonha, mas não realiza...alguém que tenta, mas jamais tem algum êxito...sou alguém que, ainda que forme-se ao meu redor uma fogueira, se faz gelo e frio;
Sou vadio...caminho pelas margens, marginal sem nome à beira de ruas ou avenidas, ou às margens de um caudaloso e manso rio;
A distância ainda não sei, os meios ainda não descobri...da indiferença muito conheço, e no fracasso por demais já padeci;
Acredito ainda que assaz combalido, um dia não me dar por vencido...e antes de me lamentar somente prestes à sucumbir e desaparecer no esquecimento e no infinito, transpor os muros que somente com minha imaginação consigo...ter sucesso ainda que seja por um dia e resolver ainda que seja um singular e intrínseco conflito;
Aflito...persisto e acredito que lições, ainda que não suficientes...aprendi;
Acredito, que um dia com meus próprios olhos hei de enxergar meu sonhado pedestal, meu elevado patamar...com meus olhos agora acometidos pela cegueira de tudo que é profano e mundano, enxergar e com meus braços curtos, transpor...alcançar e finalmente respirar;
Neste dia, não mais hei de me lamentar e simplesmente, ainda que pouco tempo de vida me reste, hei de caminhar adiante e tudo o que parecia intangível e utópico, dizer que toquei e tornar realidade eu consegui...
...Neste dia, gostarei de olhar para trás simplesmente com um jocoso sorriso nos lábios e afirmar para mim mesmo que na prisão estive, suportei...vivi e ainda que tardiamente, com consciência tranquila eu VENCI!