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quarta-feira

Sombra do que se foi...



Outrora fora um belo frasco, frasco de estimado valor e distinta beleza;
Hoje são somente cacos, cacos que tentam sem sucesso se juntar e formarem novamente um ser;
Ser que possa ter ao menos jeito de algo, algo que não sejam meros remendos de tristeza;
Tudo aquilo que fora luz, agora se parece com peso de uma pesada e dolorosa cruz;
Todo aquele verde de esperança que no espelho da alma permeava tons de azul, agora se parece sem cor;
A diversão dos velhos tempos não tão longínquos, hoje só remetem a lembranças que se fazem paradoxos de nostalgia e dor;
Perguntam sobre a tristeza, questionam sobre este estado perene de desesperança e ar soturno;
Lembro-me somente que se perdera no frio da noite e em trevas, tudo aquilo que já foi belo e raro como diamante intocado e puro;
Lembro-me das marcas, marcas que não há de se apagar...pouco mais de dois ou três anos se passaram, tudo o que se parecia jovem se parece com velhice e com a face do desgosto que a ninguém apetece notar;
Não há chuva para molhar a relva no âmago de um ser, pois a chuva se parece somente com lágrimas;
Lágrimas...ineficazes tão quanto as que molham um cemitério onde crescem somente ramos de tristeza e de saudades;
Lá fora faz sol, aqui dentro...tudo se parece úmido e de tons cinzentos que remetam à amargura de lacerante tristeza;
Foi-se para sempre a luz no final do túnel, morreu para sempre, aquilo que tentou novamente nascer e ostentar ao menos alguma nuance da velha beleza...


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