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quinta-feira

Sobre sonhos e ceifeiros....


Eu tinha um sonho...não sei, entretanto, se deveria sobre ele falar;
Sobre sonhos parece pairar um ceifeiro, quando acerca destes alguém ousa comentar;
Ninguém saberá ao certo, se no ar que se respira..há ódio, amor que à favor conspira, ou haverá inveja para seu sonho de realidade em seu berço de recém natalidade, cruelmente matar;
Eu tinha um sonho, de não ter mais de ver meus velhos pais tão cedo terem de acordar, de tanto em suas já consideráveis idades, por mim terem de trabalhar...

Eu tinha um sonho, e não me cansarei de sonhar, ainda que tudo que seja onírico e desejado, pareça custar caro neste ou naquele lugar...persistirei neste exercício diário, e não hei de tão cedo parar;
Sonharei até minha respiração cessar, até de tanto trabalho ou atribuições das quais resolvi, com braços não tão grandes, mas fortes o suficiente...comigo ostentar;
Minha missão abracei, de mim me esqueci para de outros me lembrar... ou quiçá também de meu próprio nome; a tal identidade desconhecida buscar, e em busca dessa permaneço a escrever e perseverar;
Ó vil ceifeiro de sonhos, que destes nada saberão além de sufocar...que à espreita estarão sempre a observar de seu inferior patamar;
De minha pecaminosa boca jamais haverá de se ouvir palavras a proliferar;
Sei que espera impiedosamente com sua foice, sei que aguarda uma vez mais, quebrar o encanto do abstrato com seu súbito açoite ou talvez, com seu objeto de metal frio e tão real;
Aguarde eternamente para me adicionar mais um rótulo...uma bagagem, ou novamente me frustrar, fazer-me sentir um ilustre boçal;
Eu tenho um sonho...e continuarei a sonhar, até o incerto fim de onde se fazem reticências ou ponto final, de onde não se sabe se algo irá continuar;
Eu tenho um sonho e sobre esse, jamais voltarei a falar, pois sei, como já supra afirmara...em que possa culminar;
Esperanças vivas são prenúncios belas metas a serem estabelecidas, pelas quais por algo de concreto com suas pequenas obras, por algo grandioso porventura, você há de esperar;
Sonharei, e sobre sonhos somente hei de escrever em prosa ou sobre estes versar...para que o ceifeiro de mim se afaste, para que um dia, eu possa escrever no conforto do lugar que neste momento, somente posso imaginar;
De negócios humanos e do vil metal ou papel, das artimanhas de mercado pouco entendo. Por este motivo, deposito minhas esperanças em singelas palavras somente, e somente hei de semear na espera de um dia, algo destas vir a frutificar;
Da piedade alheia jamais esperei um vintém, pois por minhas próprias habilidades eu fora agraciado Pelo divino imaterial, onipresente e invisível do qual me faço instrumento; sinto que palavras que me ocorram em um lampejo...na fração indivisível de um imensurável momento a me inspirar, serão minhas simples armas para lutar;
Talvez seja somente sonho, pretensão de um sóbrio ou ébrio poeta que a realidade insista em detestar;
Talvez, seja eu somente um orgulhoso tolo...que sobre os mesmos temas já abordados em um passado por poetas grandiosos, esteja audaciosamente e de forma distinta, a abordar;
Posso soar patético, mas reitero que meu orgulho de homem pobre e sonhador, toda piedade ou falso apreço, irei sempre em minha austeridade inata recusar;
Eu tenho um sonho, e ainda que a realidade seja dura para suportar....insisto, sou teimoso, e quieto, sem palavras...persistirei em sonhar!


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