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sexta-feira

Réquiem para minha inspiração

Diz-se do tempo que este esteja do meu lado, mas do tempo não sei se sou presente ou vivo no passado;
Diz-se do passado que já passou e restam memórias, a mim agrada a completa amnésia, a mim, apraz apagar tudo o que se chame de história;
Diz-se do tempo que este está ao lado de quem saiba caminhar à favor do vento, mas de meu corpo perdi os sentidos, não sinto sequer o som do pulsar vital batendo;
Diz-se da inspiração que esta encontra quem ainda possui algo que se chama coração, por este motivo minhas palavras nada além de rimas inócuas ou sem alma serão;
Diz-se do amor e da amizade que sejam verdade, apesar de que para mim, soam como troças da vida em relação à minha ingenuidade, ou inata maldade;
Diz-se...e muito há de se dizer;
Muito se diz e pouco há de realmente se sentir e realmente, viver;
Dirá o sábio que o curso natural da vida é viver e deixar morrer, o entusiasta, viver e deixar acontecer e se surpreender...
Direi eu, que talvez ainda algo reste para se dizer, neste momento não sei exatamente o quê ou por quê...sinto que ao renunciar à toda ilusão, minha inspiração de uma vez eu vi diante de meus olhos morrer;
Direi eu talvez, que o tempo pode estar ao lado, o vento pode ser aliado, o chão pode ser sagrado ou o amor exista e jamais deverá ser questionado ou profanado;
No entanto, se assim dizer serei contraditório em relação ao meu próprio ser...pois, sou simples cacos reunidos que sequer formam este suposto ser;
Fui um simples alguém que permitia que algo, de mim fizesse instrumento para coisas belas ou alento, aos olhos de quem necessitasse de algo ímpar fosse transcrito para ler;
Hoje direi, que vi meu coração completamente enegrecer, que enxerguei meus olhos de uma vez por todas, antes que estes viessem em cegueira completa se perder....hoje direi, que deixei tudo aquilo que havia ou houvesse para se dizer, para outro alguém escrever; 
Tentarei ser algo para mim, quando para alguém nada fui além de mero fantoche ou objeto de desejo, que por algum motivo que venho a desconhecer, parecia ser;
Pois, de mim mesmo já me cansei e somente espero do tempo, nada além de envelhecer para assistir minhas próprias células, junto à minha esperança que neste dia sepultei...por definitivo morrer.

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