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segunda-feira

Memórias póstumas de nós.

Mais um dia para acordar, um dia a mais ou a menos para, no calendário de sua passageira vida, subtrair ou somar;
Um dia cinza ou onde o Sol aparece, em um céu transitório como a vida, que lentamente coloca sobre nós o véu da noite e uma fria e misteriosa lua...que o frio do corpo ou da alma não aquece;
Mais uma oportunidade para sorrir ou chorar, sabendo das teorias e na prática cotidiana persistir para que, seja mais ou seja menos, sobre os mesmos passos errantes do passado caminhar;
Dentro de si há de morar esperança, dentro de nós há algo ou alguém a esperar...por redenção, pelo latente que tornar-se há patente, ou pelo abstrato que diante de nossos olhos, como um sonho há de se concretizar;
Concreto, sob este...gelado e pelo papel edificado iremos por algum tempo parar;
Concreto avaliado, com seu preço...e pelo mesmo papel, tudo há de ter preço a se estipular;
Papel, no qual não se desenham sonhos como os de infância, mas o papel sujo que sonhos há de corromper, vidas comprar e de nossa sublime existência, tornar a cada dia mais vulgar;
Não terei lugar, paradeiro definido neste mundo de concreto...onde o céu é de chumbo e por nós, parece não fazer nada além de se compadecer e em precipitação chorar;
Seria eu audaz ou seria quaisquer um de nós pretensiosos por demais, para dizer que possui vida e não mera sobrevivência, que das coisas sublimes terá tempo para contemplar e destas ter ciência...algum lugar que se chame de conforto de um lar, onde se possa chamar de residência?
Lar, servirá de paradoxo justificativo para nosso diário exercício de tanto esforço empregar;
Para do criativo ócio ou lazer recreativo...jamais em vida poder desfrutar;
A vida é curta demais para se construir aquilo que na mente, há de se almejar...ou o tempo seria rápido demais para aos nossos caprichos estar sujeito; e algum tempo a mais, como alento nos conceder para sobre pernas já cansadas e ossos combalidos, continuar a caminhar;
Talvez o que nos reste seja somente isso, talvez façamos de nossa obsessão o motivo ulterior para saciedade de nosso próprio vício...no exercício do labor, de nosso honrado ofício;
Nos esquecemos de nós para nos lembrar de mundo e suas demandas, nos esquecemos da empatia e das nossas questões assaz humanas;
Talvez, o que nos restará será sempre memória. Memórias póstumas de nós para alguém lembrar, pois sequer acerca de nós mesmos teremos tempo para pensar;
Talvez, o que nos reste, sejam somente lágrimas para nos lamentar...sobre tudo aquilo que um dia se fizera presente e não tivemos tempo para agradecer, realizar ou coragem para apreciar;
Lembre-se de um pouco ao menos, daquilo que é merecido se esquecer;
Permita-se, das coisas sublimes da vida e de algo relevante para si, ao menos por minutos...enquanto é matéria, se lembrar para não deixar no esquecimento, na mesma condição daquilo que não presta, morrer.


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