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sábado

Memórias no concreto da vida.

Hoje, após longos anos decidi caminhar por caminhos que há tempos faziam sentido e não mais os via;
Caminhei lentamente, retornando para o meu lar, pelos mesmos pedaços de chão que eram motivos de sorriso em meu rosto em idade juvenil, que era esperança que se renovava ao raiar de um novo dia;
Caminhei, após longos e paradoxalmente curtos, treze anos...pelos lugares onde nada demais fizera, mas vivi no ápice de minha inocência, na adolescência, meus mais doces sonhos;
Sonhos jamais deveriam ser construídos de concreto, sonhos são etéreos e deveriam permanecer eternos;
Ao final de minha caminhada, cantando lentamente as mesmas canções de outrora, não sentia mais a mesma emoção, aquilo que sequer traz um nó à garganta...hoje sequer minha alma, de frieza ao recordar doces lembranças, chora;
Simplesmente tentei reviver o passado, mas o passado para sempre se foi....e com ele, como em um porta retratos, foram-se pessoas, foi-se minha capacidade de sorrir, ficou registrado no concreto da história;
Em minha memória mais viverão lembranças, pois estas não merecem viver quando você as sente como um coração que bate a quilômetros de distância;
Coração que bate longe de mim, cesse seus batimentos...de nostalgia não mais quero viver, não mais quero procurar no concreto motivos para sorrir, para reviver um glorioso momento;
Eis-me novamente escrevendo em meu lar, após caminhar lentamente ao relento...eis-me aqui, um homem que tanto esperou por idade adulta, mas padece por este desejo e carece de alma e amadurecimento;
Definitivamente, as pessoas se foram, na rua estão estranho...naquele concreto pisei novamente por um momento;
O coração de dezessete anos bate a uma distância que já não se faz relevância...coração que pulsava puro, hoje coração poluído que sangra;
Coração do passado, pare de inutilmente bater...seu pulsar já não tem mais graça, só me faz sofrer e sentir piedade por ainda restar como envelhecido resto deste passado;
Ficou no concreto e em qualquer registro fotográfico minha mais doce lembrança...
Preciso de um sentido que me faça novamente sorrir ao irromper da aurora;
Quando tudo o que sinto em meu peito, hoje ao ouvir as velhas canções e lembrar das velhas emoções, minha alma em prantos se consome...oculta por olhos sem vida que sequer uma gota de lágrima chora;
Me deixe deitar e ao menos descansar, pois se todos meus sonhos se resumem a um coração que bate distante e um saudoso passado, mostre-me uma razão para uma vida nova...ao menos, vão-se definitivamente embora.

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