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sexta-feira

Enamorado por uma estrela.

Em um velho teto de minha humilde casa, punha-me a sentar e acerca do longo tempo já passado de minha vida, ponderar;
Até que um dia ela surgiu para mim, como se fosse um doce anjo a me tocar;
Uma estrela distante, distinta em sua forma de brilhar, jamais a tocaria, mas ela haveria sempre de me tocar;
Noites eu esperava ansioso por ela, distraía-me de meus pensamentos e punha-me somente na certeza daquele esperar;
Aquela linda estrela que brilhava como olhos vívidos de criança, para um velho decrépito como eu, vir humildemente sua beleza demonstrar;
Estrela que para mim brilhava, estrela que comigo conversava...sobre meu passado, e por ela aos poucos me enamorava;
Um dia, sem esperar, subi naquele mesmo velho teto após algum tempo e passei a te esperar;
No entanto, não vira mais sua face, seu brilho não mais estava ali para comigo interagir e conversar; 
Esperava com a certeza daquele que espera pela própria agonia, esperava, enquanto somente nuvens em um céu carregado, que já pareciam precursores da precipitação de minhas lágrimas de desespero, eu via;
Fez-se então uma noite toda, nebulosa e triste, assaz fria. Fez-se para mim algo que do raiar de um dia cruel de sol, não mais diferia;
Esperei por tanto tempo, por tanto tempo me inspirei por aquela que eu jamais merecia;
Ela estava no céu e brilhava para me fazer sorrir ainda quando uma lágrima escorria;
Nunca mais retornou, deixando linhas para serem escritas enquanto sentado sobre aquele mesmo teto, outrora de inspiração e enamorado, eu envelhecia;
Foi-se para sempre a minha estrela prateada, foi-se para sempre aquele ser de luz singular que a um anjo se assemelhava;
Foi-se...para nunca mais voltar enquanto o tempo se passava e eu observava tristemente o raiar de um novo dia;
Quem talvez tivera te ceifado...fora o anjo que também irá me levar para sempre estar ao seu lado, ou seria você somente ilusão de minha mente, devaneios de um velho já cansado?
Talvez sucumbira junto com minha capacidade de me inspirar e de amar, talvez falecera para sempre em uma supernova aquela que brilhava somente para me fazer sorrir, ninar, suspirar...agonizou e jamais voltou;
Resta-me somente aquilo que assemelha-se ao que de meu velho coração restou, lágrimas de mágoas que não secam com o raiar do dia, restou-me somente olhar para um céu escuro...ou para uma lua que tentava me consolar, ainda que distante e fria....
Espero ainda por ti minha estrela, estou aqui noite e dia. Espero que o anjo ou seja quem te levou também me leve, para que junto de ti eu para sempre permaneça, e jamais tenha de amargar sozinho sua ausência em uma aurora de agonia.


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