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sexta-feira

Dia frio, dia qualquer...

Um dia frio, dentro da alma da envelhecida juventude onde no passado tudo era rio, hoje resta gelo que queima de nostalgia, hoje resta um incômodo vazio;
Dia frio...quando no passado olhos coloridos se acendiam em chamas e a atenção chamavam, hoje são cinzas e cinzentos se fizeram de melancolia, não há mais vida que não esteja por um fio;
Dia, quente ou frio...não fará diferença quando em um corpo jovem combalido por uma alma envelhecida, habita nada além de um abismo onde já correra águas que tinham cor vermelha e se faziam vida, secara quase completamente o rio, e o que resta deste, não passa de água congelada pela alma que partiu;
Dos olhos nada mais caem, a não ser lágrimas que, como as palavras, sentido não irão fazer;
Não há nada lá fora que resolva, quando aqui dentro, não há comburente ou combustível para um pouco de vida a alguém que morre no frio, devolver;
Caminha por aí, caminha sem saber...caminha sem fazer diferença, caminha no vácuo onde habita ar não se respira que não seja de indiferença;
Parado em uma ponte, à distância...no lá embaixo se contempla;
Um rio turvo, um rio que sirva para um propósito, mas que em nada das águas límpidas da juventude ou das lágrimas quentes de olhos flamejantes caíam, ele lembra;
O rio é turvo, buraco negro dói onde antes batia um coração em um peito;
Escuras e profundas parecem ser as águas, profunda é a dor que se sente por não saber mais o propósito de se viver, por dentro, velas que não aquecem simplesmente velam o sono eterno de qum já morreu e frio está há algum tempo;
Escuros se faz o horizonte que já não se enxerga logo à frente...uma última gota de piedade cai dos olhos daquele que caminha com pouca saúde e com uma mente doente;
O rio já não se faz distante, se faz presente...o frio não mais se sente, no rio afoga as mágoas e finamente em paz se sente;
A água de cor clara que corria dentro de si e lhe trazia vida, agora é escura...e lhe dá a paz final, cessa para sempre sua respiração e pára para sempre um já destruído coração, trazendo-lhe a morte como um agradável presente.

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