Visitantes da página

segunda-feira

Perdi minha graça.

Perdi minha graça, senti-me humano e o pesar da aura que sobre mim se fez véu;
Perdi minha graça, mas com coisas divinas jamais me assemelhei, jamais fora anjo ou tocara o céu;
Se um dia toquei, não me lembro...dos motivos pelo qual ainda caminho, menos ainda saberei;
Perdi o norte que me levava às riquezas de um oriente de especiarias, perdi da minha essência tudo o que não seja reminiscências de abstrata alegria;
Agradeço pelo cair da noite, lamento-me pelo raiar de um novo dia;
Perdi minha graça, e se já a tivera um dia, acredito que ciente não estava, desta pouco sabia;
Vesti a máscara, para ocultar minha face...face daquilo que sempre se pareceu com o nada ao qual esta, ao contemplar em um espelho me remetia;
Agradeci por ser palhaço objeto de troças e viver daquilo que ainda resta;
Agradeço todos os dias, por ainda ostentar algum orgulho vivendo sem a minha graça, que talvez jamais tivera...em um lugar que ao inferno se assemelha, em um lugar onde é humano aquilo que se chama de fera;
Engolir o mesmo orgulho, ser refeito e sentir-se um quase que jamais fora pleno... aquilo que ainda resta;
Engolir este orgulho, e agradecer por ter perdido minha graça quiçá desde a tenra idade...e ter de me contentar com apenas aquilo que me resta...ainda que seja, coisa que não presta;
Perdi minha graça...perdeu, toda a graça!

Intransitivo silêncio.

Silêncio não é verbo, mas será intransitivo;
Algo que por si somente tudo diz, quando lábios silenciam e o olhar é telegrafado...ou simplesmente se oculta, apontando para o nariz;
Silêncio que tudo diz, uma lousa em branco onde já se veja o conteúdo...não necessita da escrita ou do pó do giz;
Instransitivo por excelência, não necessitará de objeto direto ou indireto que complementem o significado de sua presente ausência;
Silêncio por um minuto...reflexão e cerrar de lábios, sábios...como armas infalíveis na contramão do senhor da razão absoluto;
Quando não há argumentação, ou para esta alguma razão...silêncio;
Quando não há necessidade de provocar aquilo que está aquecido próximo ao ponto de ebulição, ou prestes a entrar em erupção...silêncio;
Quando faltarem as palavras, quando o poeta não mais fizer sentido sequer como um vendedor da mais barata ilusão...silêncio!
É da paisagem o sublime amigo, é para a própria evolução, combustível que faça a propulsão;
É inimigo natural de tudo que se acredite não calar e ser assaz sagaz, é intrumento para compreensão de toda expressão de perfeição;
Intransitivo e taxativo como deve ser;
Uma dádiva, assim como a fala...quando desta o sábio ou mesmo o tolo, entenderá que deve se abster.
Silêncio...venha como presente ao boçal para emudecer e se faça ausente somente, quando algo realmente se fizer necessário por dizer.

Memórias póstumas de nós.

Mais um dia para acordar, um dia a mais ou a menos para, no calendário de sua passageira vida, subtrair ou somar;
Um dia cinza ou onde o Sol aparece, em um céu transitório como a vida, que lentamente coloca sobre nós o véu da noite e uma fria e misteriosa lua...que o frio do corpo ou da alma não aquece;
Mais uma oportunidade para sorrir ou chorar, sabendo das teorias e na prática cotidiana persistir para que, seja mais ou seja menos, sobre os mesmos passos errantes do passado caminhar;
Dentro de si há de morar esperança, dentro de nós há algo ou alguém a esperar...por redenção, pelo latente que tornar-se há patente, ou pelo abstrato que diante de nossos olhos, como um sonho há de se concretizar;
Concreto, sob este...gelado e pelo papel edificado iremos por algum tempo parar;
Concreto avaliado, com seu preço...e pelo mesmo papel, tudo há de ter preço a se estipular;
Papel, no qual não se desenham sonhos como os de infância, mas o papel sujo que sonhos há de corromper, vidas comprar e de nossa sublime existência, tornar a cada dia mais vulgar;
Não terei lugar, paradeiro definido neste mundo de concreto...onde o céu é de chumbo e por nós, parece não fazer nada além de se compadecer e em precipitação chorar;
Seria eu audaz ou seria quaisquer um de nós pretensiosos por demais, para dizer que possui vida e não mera sobrevivência, que das coisas sublimes terá tempo para contemplar e destas ter ciência...algum lugar que se chame de conforto de um lar, onde se possa chamar de residência?
Lar, servirá de paradoxo justificativo para nosso diário exercício de tanto esforço empregar;
Para do criativo ócio ou lazer recreativo...jamais em vida poder desfrutar;
A vida é curta demais para se construir aquilo que na mente, há de se almejar...ou o tempo seria rápido demais para aos nossos caprichos estar sujeito; e algum tempo a mais, como alento nos conceder para sobre pernas já cansadas e ossos combalidos, continuar a caminhar;
Talvez o que nos reste seja somente isso, talvez façamos de nossa obsessão o motivo ulterior para saciedade de nosso próprio vício...no exercício do labor, de nosso honrado ofício;
Nos esquecemos de nós para nos lembrar de mundo e suas demandas, nos esquecemos da empatia e das nossas questões assaz humanas;
Talvez, o que nos restará será sempre memória. Memórias póstumas de nós para alguém lembrar, pois sequer acerca de nós mesmos teremos tempo para pensar;
Talvez, o que nos reste, sejam somente lágrimas para nos lamentar...sobre tudo aquilo que um dia se fizera presente e não tivemos tempo para agradecer, realizar ou coragem para apreciar;
Lembre-se de um pouco ao menos, daquilo que é merecido se esquecer;
Permita-se, das coisas sublimes da vida e de algo relevante para si, ao menos por minutos...enquanto é matéria, se lembrar para não deixar no esquecimento, na mesma condição daquilo que não presta, morrer.


sexta-feira

Histórias de piratas


Piratas de histórias, piratas...de infantis contos, apesar de figuras assustadoras, servem para fazer a inocência ninar. Piratas, personagens ou reais e históricos chacais;
Piratas...em busca do alheio, tomar à todo custo aquilo que tenha algum valor ainda que do objeto de seu roubo, nada compreenda...seja o item mais belo, seja o mais feio;
Mercado, mercadorias...obras, quadros, tesouros em ouro verdadeiro ou ouro de tolo, tesouros em forma de poesia;
Inescrupulosos, escória...sem relevância para serem sequer a insetos que sobrevivem curtos prazos necessitando de uma lâmpada;
Piratas do presente especialmente, piratas com os quais não se constrói uma bela história;
Piratas que por livre opção, como seus antepassados...vivem à espreita, esperam a oportunidade para colocar as mãos naquilo que não lhes pertence, o item desejado;
Se apossam daquilo do alheio sem arrependimentos, mas tudo aquilo que será exacerbação da ganância humana, estará sujeito e será por uma lei vigiado;
Piratas...de piedade não são dignos, pois são meros frutos da escolha de se viver como parasitas, que sucumbiram e renunciaram às suas qualidades, para se tornarem conscientemente seres desqualificados;
Querem seu dinheiro, querem sua alma, querem sua calma...tudo o que seja interessante, tudo aquilo que pareça ter valor ou seja brilhante...sede de vampiro, sede de sangue;
Piratas virtuais, ainda de forma mais sorrateira...destróem aquilo que fora com suor ou inspiração construído. Desconhecem o que sente, da emoção que não seja a furtiva...furtar, nada sabem...por serem desprovidos de um coração;
Piratas do passado, piratas do presente e do futuro, não seriam dignos de figurar sequer em uma estrofe de um poema sem sentido, escrito um poeta vagabundo;
Pirata, ser que vive da luz alheia, ser que sua própria vida já perdeu e pernicioso, caminha pelos cantos do mundo moribundo...
Deixe aquilo que a alguém pertence por mérito em paz, deixem de se importar com aquilo que não compreendem, mas em forma de dinheiro parece soar agradável e tanto se apraz;
Deixem a vida de quem produza ou ainda ouse sonhar seguir...ainda que de vossas vidas inúteis tal qual às das moscas varejeiras, tenham de deixar junto com vossas ambições...ao sucumbirem finalmente descendo para sempre abaixo da terra, para trás.

Nos bolsos, gratidão.

Meu senhor, minha senhora;
Sou aquele que parece correr contra o tempo, mas curiosamente chego na esperada hora;
Meus meios não importam, não serão nada comuns, ortodoxos...minhas frases são contradição para muitos de meus atos e de meus próprios versos, antíteses e paradoxos;
Ofece-me uma condição, uma oportunidade, ou um mero café para acompanhar meu amanhecido pão;
Afirmo-lhe, senhor...senhora, que não terei como pagar assim como esperado por vós, talvez possa não soar como útil minha solução de pagamento agora;
Muito embora, de meu semblante sofrido de um infeliz peregrino, tiraste um sorriso;
Em minha alma com seu pequeno gesto, a retribuição será no brilho desta que já se faz quase opaca, ao novamente se acender e fazer acontecer um esquecido jeito de mover os lábios...e por assim reagir, hei de sentir-me um babaca;
Não obstante tudo isto venha a se assemelhar comigo...confuso e tímido, em decorrência da magnitude de minha aflição e mágoas que trago no coração;
Saber esperar...deverá ser exercício para tolos e inato conhecimento para os sábios;
Em meu olhar novamente se acende alguma esperança, por seu gesto que não soa como misericórdia, mas como a compaixão que se tenha por uma desamparada criança;
Por fim, vos afirmo, meu senhor, minha senhora...
Não trago nada nos bolsos que não seja uma amassada, embora bela, flor...que se materializa em forma de minha gratidão;
Em tempos de valores a culto ao papel e ao metal senhor...gostaria de saber, se esta ainda seria válida como expressão daquilo que sinto de mais nobre no coração?
Troco? Não se faz necessário...trocas, em minha época e minha utopia, pagar-se-hão e perdoai-me se por vós não houver aceitação, mas não de outra forma que não seja com a mais pura e nobre...de um homem pobre, sua humilde gratidão!

quinta-feira

A luz que não faz brilhar, mas ofuscar.

Após tantos olhares, diretos ou de soslaio...tento me afirmar, mas uma vez mais eu caio;
Após tantas desventuras e passos rumo ao abismo com jeito de certeza, após tantas horas vivendo em minha ilusão, a mais excruciante dor e do amor que nada sei, sentir pairar o doce ar de leveza;
Após degustar com nenhuma parcimônia e me perder na embriaguez de cálices de veneno à mim oferecidos, que se pareciam com saborosa cerveja;
Nasci para viver no escuro, meus olhos não suportam a crueldade dos raios de Sol...da clareza;
Aquilo que não quer estar em evidência, talvez seja por saber de antemão, que perde aquilo que, de mais precioso possui quando exposto...sua essência;
Aquele que aprecia o crepitar de chamas, mas chamas pequenas que nada são além de parcas luzes de necessárias e iluminadas velas...aquele ao qual é aprazível estar oculto, pois em sua obscuridade, naquilo que é desprovido de beleza e de suas dores, produzirá suas mais belas pérolas...
Talvez nunca devesse ousar, talvez sequer deveria expor seu rosto em janelas;
A clausura é uma tortura, a liberdade não é via oposta ou paralela;
Por fim, afirmo...na clausura evito a praga que alguém por motivo desconhecido me roga;
Não sou ninguém e ninguém jamais me interessou ser, o nada comigo se assemelha e não quero entrar em um círculo social, quando eu já sei como para mim, há de girar a roda;
Destino, piedade! Mas, esta noite...por ter perdido novamente minha esperança em ilusão de holofotes, quando não sou ser que sobrevive à luz, quando de meu ninho de segurança ou de dissabores jamais sobrevivi saindo mais forte, hoje...VOU ME PERDER NO LIXO QUE A MIM SE ASSEMELHA, HOJE, VOU USAR DROGA E ME LANÇAR À PRÓPRIA SORTE!

quarta-feira

Um bom dia!

Entre arranha-céus pretensiosos, pois os céus jamais tocaram e destes nada saberão;
Entre ruas de asfalto que queimam as solas do sapato, pneus de carros...entre tudo aquilo que profana o chão;
Do conforto que sonho de uma singela cama de palha, de um palhaço que repousa em um confortável colchão;
De tudo aquilo que não sei, sobre todas as coisas incertas que virão;
Virá o dia em que tornarei sublime minha condição, descendo à terra e permeando a estratosfera, transcendendo os limites da carne e do chão;
Enquanto a fumaça perfuma e contamina o ar odioso que meus pulmões inspiram e a estes contamina;
Enquanto contemplo carros passando e caminho à pé...fascinado por coisas mundanas que hão de agradar a um jovem que sonha dentre os demais, coisas que distraem os olhos e transformam em sonhos aquilo que fascina;
Estou aqui neste momento, sentado em uma cadeira de escritório qualquer ou em um chão de cimento...
Sob um céu claro, ou cor de chumbo que não se derreta, assaz cinzento;
Estou aqui, na esperança que ostenta a mesma multidão que comigo acorda e adormece, esperando em seu sonho alguma realidade que os livre da vil vida vadia;
Estou aqui...simplesmente para lhes dizer que sou um anônimo e pretenso poeta que caminha entre vocês, que sou aquele que não muda estação como uma solitária andorinha;
Estou aqui, com o simples intuito de desejar de coração aquilo que raramente tenho para mim, a todos vocês...UM BOM DIA!


Rumo? Simplesmente andar..

Andar, por assim o fazer...por jamais desistir do ato natural de adiante seguir, 
simplesmente caminhar;


Andar...por superfícies planas onde pareça plainar, deslizar, onde pedras não hajam para tropeçar;
Caminhar; pelo simples fato da próxima estação onde irei reabastecer, de tristeza ou de emoção...com meu combustível me locomovo, com eventuais percalços já não sofro;
Aquele que anda pela superfície plana, não mais se importa com as pedras, pois em um patamar mais elevado, depois de tanto tropeçar...nelas aprende apenas a seu mais cauto, 
apenas observar e a alguns, talvez ensinar; 
Da minha sanidade já me despi, na nudez, já caminhei...entre mortos e feridos sobrevivi e a loucura, esta perigosa dama, já cortejei; 
Das máscaras que vestia me livrei, não digo que completo equilíbrio encontrei;
Simplesmente...encontrei um caminho, com mais rosas para apreciar e seu aroma apreciar do que espinhos; 
Simplesmente caminho...sem motivo aparente, por assim seguir adiante. Como há de voar seguindo seus instintos e sua cautela...o passarinho.



terça-feira

Racionamento democrático.

Racional...ratio, racionamento. Estará sujeito o cidadão que paga seus impostos, à sua ração. Estará sujeito o nobre cidadão, em época de eleição, à todo tipo de privação;
Exploração...explorar a mente do inculto ou incauto, faz-se da propaganda e dos meios que se utiliza para conquista, um meio para um sórdido e diário assalto;
Quem raciona é por demais racional, quem sofre de democracia e demagogia aguda, é por demais passivo e passional;
Vamos cantar nosso nacionalismo, vamos respeitar e fazer silêncio para o hino nacional;
Vamos nos entreter com tudo aquilo que nos distraia, vamos nos distrair enquanto aqueles que nos fazem promessas impossíveis, se propõem sorrateiramente a nos trair;
Diariamente vamos resistir, vamos aceitar todo tipo de extorsão, todo tipo de taxa e todo tipo de racionamento;
Nobre cidadão obrigado a votar em sua "democracia", pobre cidadão impedido de protestar ou sequer, sem saber um caminho por onde começar;
Coibir, proibir e acariciar, um jeito estranho de se fazer democracia...um jeito estranho de nos fazer instrumento para superfaturar, enquanto estaremos sujeitos a tudo aquilo se raciona e para raros venha a abundar...à quota merecida por não utilizarmos de paralisações relâmpago, boicotes, de raciocínio suficiente para com as armas que toda massa, todo gado que é conduzido e com sua ração há de se contentar, LUTAR!

Quase que acerta...quase!

De ti nada escapa, de ti quase nada se esconde;
No oculto onde pensa estar o esperto ou o meliante, você assiste ou o assiste...depende de quem seja, depende..de quanto e de onde;
Sua presença é quase eficaz para ser onipresente;
Observa aos que têm saúde em sua privacidade, observa agonizar em seu leito...o pobre doente;
É instrumento impressionante da destruição de nossa privacidade, é meio de divulgação daqueles que divulgam a mentira ou a verdade;
Por trás de uma lente, por trás de um microfone..jamais saberás onde estão, jamais saberás onde o vigia se esconde;
Incomoda-me a idéia de um Deus me observar em minha ignóbil privacidade. Causa-me, entretanto, pavor e ódio imaginar que seres humanos, se divertem observando meu pecado e meu ócio;
De ti...quase nada se oculta, pra quase nada nos quase todos lugares em que está, você serve e quase...faz sua função como deveria;
Pune a quem não queria e não devia, o bandido poderoso anistia;
É nisso que dá a vigilância divina caber como brinquedo nas mãos humanas...é isso que acontece, quando o homem tenta imitar algo que não está além de sua inteligência, mas foge ao seu discernimento e capacidade;
Por isso, adoece o mundo....por esta razão, padece a humanidade;
Onipresente, onipotente e onisciente...desculpe caro humano. Quando pensar ter nascido perfeito e imortal, TENTE NOVAMENTE!


segunda-feira

Abraços e memórias

Abrace uma memória, sinta a leveza de seus braços que nada tocam ao prender-se para sempre em dias de sua glória;
Lembre-se de sua história, esqueça sua ainda contínua e viva trajetória...aquilo que morreu com sua auto-estima, ainda vive como pulsante artéria neste doce espaço temporal, no qual se apraz prender-se como em um inabalável pedestal;
Perdeu-se a fé, perdem-se os motivos...vive aquilo que deveria morrer, morre aquilo que permanece respirando e parece agonizar, embora com saúde aparente e ainda vivo;
Sinta seus braços que se prendem ao abstrato...viva do sentimento inócuo que remeta a um retratro;
Sinta em seu combalido coração não bater nada além do saudosismo, a saudade...sinta de si mesmo ou por aquilo que jamais deveria ser a razão de uma vida individual, pesarosa piedade;
Lágrimas que são prenúncio de uma mente que adoece com o passar dos anos, ao chegar da idade;
Mente...mentir para si mesmo parece ser um refúgio, abrigo para quem possa dizer que viveu anos dourados ou neste viu coisas, e destas coisas fez relevância para que estas fossem motivos para fazer meros fatos ou épocas da própria vida, serem motivos para eterna redundância...pelo caminho de uma mente ausente, uma vida que resiste...respira, mas se faz esquecida;
Abraçar algo que se pareça com o completo vácuo, será tão útil e eficaz quanto agarrar-se a um defunto desejando que este, desesperadamente retorne à vida, esquecendo que tudo o que passa é meramente fugaz;
Fuga...fugaz, perdem-se facilmente motivos quando se há necessidade de algo para motivar ou rochas inabaláveis que argumentos ou o tempo irão, com sua implacável ferocidade abalar;
Conte suas histórias,viva e cultive suas memórias...mas, para que destas nunca se esqueça ou para que talvez sua mente jamais adoeça, jamais permaneça com braços envoltos em torno daquilo que já se fez uma história. Permita-se viver o passado, mas jamais se esqueça que, apesar dos pesares e das bagagens...ainda existirá, esperando por você, o AGORA!

Graças e louvores...

Trazer à luz, conceber...dar o direito de nascer ao rebento que está condenado à terra descer;
Seria por capricho do destino? Seria meramente por explicações fundamentadas em crendices que justificam a morte e chagas que o ser humano ostenta, merecer?
Nascer...para pouco tempo depois de contemplar com olhos ainda sem discernimento, sucumbir e como um anjo impúbere ao esperado "céu" ascender;
Chorar ao nascer...seria simplesmente uma necessidade vital, procedimento normal...ou seria prenúncio de que a este inferno, viemos para perecer?
Anjos que são concebidos, capricho de um estranho destino...faz uma esperançosa mãe sorrir ao seu filho ver...faz esta chorar e querer partir, por aparentemente sem motivos, ver o anjo da morte, seu pequeno tesouro levar para onde a aquilo que se chamou de vida há de escurecer...há de se esquecer;
Pequenos anjos que têm seu destino selado logo após seu breve amanhecer, pessoas que nascem saudáveis...para que ainda que breve e sofrida seja nossa passagem...ainda mais com uma maldita doença tenham de perecer;
Senhor "Deus"...após tantas promessas, após condenações, histórias de milagres e ressurreições...não merecemos sequer uma explicação? Do acaso realmente seremos filhos e mães ainda hão de chorar por assistirem seus pequenos agonizarem e morrer?
Muito obrigado...a humanidade causa seu próprio mal muitas vezes, admito...mas, esta humanidade maldita e mesquinha, em seu livro é dita como parecida com VOCÊ!



sexta-feira

Se agrada aos sentidos...

Consome-se na brasa que aos poucos o consome, consuma-se o esperado fato, enquanto degusta-se do prazer do natural ou artificial pecado;
O que haveria de ser pecado, quando em um mundo de tentações e tantas supostas provações, parecemos estar à nossa própria sorte abandonados, o que te faz pleno...que não haja no ingrediente um pouco daquele repugnante e amável veneno?
Consome-se o proibido, ilegal ou por conveniência legalizado...afinal, se é veneno não deveria ser igualmente recriminado ou condenado?
Admitido, repudiado...consumido aquilo que marca em seu rosto uma linha, escreve em sua vida uma página, carrega consigo como sina e se faz uma vez mais presente quando poderia ser para sempre passado;
Fato consumado, vaidade satisfeita e desejo saciado...o nojo e o gozo, o clímax e a sensação de pesar imposta por aquilo que flerta com o nefasto, seria ímpeto satânico e desprezível pecado;
Se agrada intensamente aos sentidos, se por acaso se parece repugnante por um consenso social com o qual jamais consentira, deverá então ser condenado;
Se agrada somente aos sentidos, não há de ser liberdade...há de ser mais bagagem, há de ser mais sofrimento para acumular na consciência neste aparente inferno onde ousar viver e saciar o animal presente no ser racional, será passível de punição e açoite, será passível de linchamento moral;
Cada um, cada um..cada qual será cada qual, ser indivisível, ser visível e sensorial;
Ser humano, ser de natureza desgraçada de dor e mortal...proibido será aquilo que, como a mentira repetida mil vezes será tido como verdade absoluta, aceitável será casar-se com sua mulher e pagar na obscuridade pelos serviços da desejada prostituta;
A cada resposta uma nova questão, até mesmo para o mais excelente filósofo e fervoroso teólogo, a fé ou a razão...por minutos serão questionadas, por segundos que sejam, se abalarão;
Eterna incógnita, eterna contradição...pratico aquilo que condeno, hei de punir ou recriminar de forma severa o explícito, mas hei de adorar em meu abrigo, tudo que se pareça com o profano e ilícito;
Sobreviver...saber com as coisas deste mundo que a todos os pecados nos compele, mas em rede pública quando a estes cedemos, há de nos demonizar...afinal monstros criamos, quiçá monstros somos e de monstros piores que nós, haveremos de necessitar;
Por fim, sem conclusão aparente e, como muitos de nós ainda que não publicamente assumidos, não afirmo e não negarei por estar titubeante, receoso, temeroso e ainda assim, pelos pecados mais estranhos...curioso. Sou vidraça neste momento, mas também não fujo à regra e sou tijolo;
Por que será que tudo aquilo que se pareça assaz prazeroso, intenso, libidinoso ou gostoso...há de se parecer com proibido, há de fazer mal e se assemelhar com ato pecaminoso?



INOCENTE???? AHAM...MMMMMM...com certeza!!! Eu também sou! hehehehhe


Um canto qualquer, onde o pássaro não há de cantar.

Em um canto qualquer do mundo, um canto onde qualquer anjo se esquecera de vigiar ou sobre este cantar;
Em um certo lugar incerto até no mapa, que até os deuses teriam compaixão por olhar ou dificuldade para encontrar;
Neste lugar, onde o uivo de um coiote soa como sirenes ou cornetas para cortejo fúnebre, funesto e lúgubre lugar;
Lugar em meio ao nada, de onde o tudo se esqueceu...e apenas a luxúria e o pecado se fazem presentes, quando da alma imortal o homem se esqueceu e para sua honra selvagem, cedeu lugar;
Neste pequeno local, grande demais para quem é passageiro evitar e se assustar, e pequeno demais para quem procure alguma paz ou tenha escolhas habitar...até mesmo um leve assovio parece prenúncio de desgraças, parece a morte iminente anunciar;
Neste lugar, onde os ímpetos mais primitivos persistem na persistência daqueles que ali insistem em habitar, não se necessitam motivos para justificar, intensidade é o que importa e matar será justo em um simples desencontro no olhar;
Lugar impiedoso, lugar nefasto...de onde nasce a vil criatura humana e assim ela perdura, lugar onde em um trago de torpor tenta-se esquecer de quanto a vida ali se faz dura;
Lugares...o que seriam senão cidades fantasmas, senão pelas almas perdidas ou pessoas marginalizadas que ali, por livre escolha ou obrigação vieram a habitar?
Fazer vista grossa a estes, esquecê-los é a melhor opção para sobreviver, é uma chance para com aquilo que sela seu destino não se deparar;
No entanto...seria realmente interessante, seja no presente ou naquilo que remete ao passado, em filmes de faroeste...deste povo sofrido e selvagem algo que se pareça com esperança e piedade...por medo, não levar?
A bala que espera para partir de um coração dilacerado, para no seu se aninhar e mortalmente te ferir, poderá com uma palavra somente fazer duas vidas se salvarem, dois caminhos encontrarem seus motivos...a arma engatilhada, ao coldre retornar...
Talvez, nos esqueçamos do que seja ser humano, quando este por sua condição inata...simplesmente resolvamos seguir em frente e ignorar. Sabedoria, ou mesquinho ato de sua própria pele, salvar?

quinta-feira

Sobre sonhos e ceifeiros....


Eu tinha um sonho...não sei, entretanto, se deveria sobre ele falar;
Sobre sonhos parece pairar um ceifeiro, quando acerca destes alguém ousa comentar;
Ninguém saberá ao certo, se no ar que se respira..há ódio, amor que à favor conspira, ou haverá inveja para seu sonho de realidade em seu berço de recém natalidade, cruelmente matar;
Eu tinha um sonho, de não ter mais de ver meus velhos pais tão cedo terem de acordar, de tanto em suas já consideráveis idades, por mim terem de trabalhar...

Eu tinha um sonho, e não me cansarei de sonhar, ainda que tudo que seja onírico e desejado, pareça custar caro neste ou naquele lugar...persistirei neste exercício diário, e não hei de tão cedo parar;
Sonharei até minha respiração cessar, até de tanto trabalho ou atribuições das quais resolvi, com braços não tão grandes, mas fortes o suficiente...comigo ostentar;
Minha missão abracei, de mim me esqueci para de outros me lembrar... ou quiçá também de meu próprio nome; a tal identidade desconhecida buscar, e em busca dessa permaneço a escrever e perseverar;
Ó vil ceifeiro de sonhos, que destes nada saberão além de sufocar...que à espreita estarão sempre a observar de seu inferior patamar;
De minha pecaminosa boca jamais haverá de se ouvir palavras a proliferar;
Sei que espera impiedosamente com sua foice, sei que aguarda uma vez mais, quebrar o encanto do abstrato com seu súbito açoite ou talvez, com seu objeto de metal frio e tão real;
Aguarde eternamente para me adicionar mais um rótulo...uma bagagem, ou novamente me frustrar, fazer-me sentir um ilustre boçal;
Eu tenho um sonho...e continuarei a sonhar, até o incerto fim de onde se fazem reticências ou ponto final, de onde não se sabe se algo irá continuar;
Eu tenho um sonho e sobre esse, jamais voltarei a falar, pois sei, como já supra afirmara...em que possa culminar;
Esperanças vivas são prenúncios belas metas a serem estabelecidas, pelas quais por algo de concreto com suas pequenas obras, por algo grandioso porventura, você há de esperar;
Sonharei, e sobre sonhos somente hei de escrever em prosa ou sobre estes versar...para que o ceifeiro de mim se afaste, para que um dia, eu possa escrever no conforto do lugar que neste momento, somente posso imaginar;
De negócios humanos e do vil metal ou papel, das artimanhas de mercado pouco entendo. Por este motivo, deposito minhas esperanças em singelas palavras somente, e somente hei de semear na espera de um dia, algo destas vir a frutificar;
Da piedade alheia jamais esperei um vintém, pois por minhas próprias habilidades eu fora agraciado Pelo divino imaterial, onipresente e invisível do qual me faço instrumento; sinto que palavras que me ocorram em um lampejo...na fração indivisível de um imensurável momento a me inspirar, serão minhas simples armas para lutar;
Talvez seja somente sonho, pretensão de um sóbrio ou ébrio poeta que a realidade insista em detestar;
Talvez, seja eu somente um orgulhoso tolo...que sobre os mesmos temas já abordados em um passado por poetas grandiosos, esteja audaciosamente e de forma distinta, a abordar;
Posso soar patético, mas reitero que meu orgulho de homem pobre e sonhador, toda piedade ou falso apreço, irei sempre em minha austeridade inata recusar;
Eu tenho um sonho, e ainda que a realidade seja dura para suportar....insisto, sou teimoso, e quieto, sem palavras...persistirei em sonhar!


quarta-feira

Utopia de perfeição, em um duro solo sem coração.

Mediocridade, não há de ser ofensa quando nos consideramos simples seres medianos em busca de evolução...há de ser perniciosa quando, viciosa, nos faz escravos de nossa própria maldade e inata maldição;
Sentir-se sublime requer reflexão, requer ponderar qual seria o motivo, qual seria a razão;
Se pressupõe um mais amplo discernimento ou visão, há de pressupor uma missão...se pressupõe missão, renegá-la poderá ser uma opção;
Opção...opção é concedida aos que sofrem na carne desde quando esta é concebida, opção que se pareça com obrigação, se renegada, resultaria em iminente punição?
Somente o tempo dirá, ou somente este colocará em lugar de resposta, uma outra questão;
Sentir-se sublime dentre tantos iguais, negar-se para ser aceito socialmente a cometer o mesmo repugnante, sob sua ótica, recorrente crime...não seria talvez a ante sala da arrogância, seria talvez escolher refúgio em sua criticada opção, um lugar seguro vivendo em uma insana sociedade sem identidade, que jamais fora nação;
Seria crime a abnegação, seria passível de do açoite quando do vil metal, abre-se mão para abraçar àquilo que não enriqueça aos bolsos, mas plenitude e da missão o cumprimento...como sensação trazem ao coração?
Não se sinta ofendido por sua mediocridade, não sinta-se arrogante por sentir-se em superior patamar de evolução;
À cada qual caberá sua consciência para julgar, à uma polícia armada, caberá para uma sociedade de animais pouco racionais, mais a repressão do que propriamente a proteção;
Proteja-se de si mesmo, sua melhor arma é um coração batendo em consonância com a razão;
Proteja-se dos demais...somos pobres diabos pagando por um desconhecido pecado, seres que buscam ou não por evolução, sofrendo e derramando do próprio sangue...perecendo para sobreviver na multidão;
Somos seres distintos, mas que sonham...cada qual seu sonho. Somos seres distintos que vivem na utopia sua perfeição, pisando em um solo quente, impiedoso...rezando para o mesmo céu esperando salvação;
Pobre ser humano, piedade por nossa condição.

O filme do Pelé...ainda está no ar?

Alguns hão de dizer, à distância do seu olhar, longe de te tocar...para por dias melhores, você esperar;
Alguns dirão, em um dia chuvoso e no conforto de seu luxuoso carrão, com ar de piedade e sarcasmo e de ti zombarão;
No entanto, hão de lhe afirmar com típica hipocrisia, que dias melhores, enquanto você caminha a pé...virão;
Muitos, de você se lembrarão, no momento de sofrimento...quando suas palavras servirem como alento e então, logo do tal sarcasmo se esquecerão ;
No entanto, de ti, novamente se esquecerão com certeza na hora da felicidade ou aprazível lazer do marasmo...no clímax do seu nojento orgasmo;
Alguns dirão para você prosseguir, outros dirão para você parar;
Alguns dirão para você engolir, outros, para você vomitar;
Alguns...ainda dirão que a cruz jamais é mais pesada que seu corpo forte não possa suportar e que outros no passado, justificam a vida que você também deverá como existência plena, justificar;
Alguns dirão desistir...outros dirão perseverar;
Mas, o mundo sempre irá dizer algo quando em seu âmago, tudo o que deseja é a boca de todos calar;
Simplesmente, para talvez poder escutar seu próprio coração bater e as vozes dentro de ti a te orientar;
Alguns...no final de tudo isso, quiçá, lhe dirão que faltou-lhe fé;
Quer saber? Eu sinto que direi somente no final de toda esta história insana...QUE TERIA SIDO MELHOR TER IDO ASSISTIR AO FILME DO PELÉ!

Realidade de poeta será mera pretensão...

Tudo talvez, principiara quiçá há muito tempo, como um jogo de fantasia e ilusão;
Tudo talvez sequer um dia passara, de boas escusas ou de realidade, onírica pretensão;
Já começara há tempos meu próprio jogo, vivo encontro-me em um mar de medíocres, em um mar egos inflados de razão;
Vivo para falar de coisas abstratas, em meu inferno que se parece com prisão, vivo para falar de lugares longínquos, quando pouco conheço do meu próprio chão;
Falo do mar, falo da brisa litorânea, de vertiginosa sensação, quando de vertigem o máximo que conheço é dentro de meu microcosmo longe do mar, vertigem que resulta num barato vaso sanitário no qual contemplo a única água que vejo e me inspira, em asquerosa regurgitação;
Viver para sonhar, sonhar com viver...sonhar para escrever, escrever, para jamais saber;
Da existência e de nossos propósitos somos grandes pontos de interrogação, seja na penúria de um gueto, seja na bonança e fortuna que se traduzem em carros de luxo ou em habita em uma mansão;
Necessita-se de algo escrito, necessita-se de uma canção...necessitar-se há de mentiras verossímeis que se assemelhem com inabaláveis verdade, necessitar-se-há de intensa emoção;
Viver para acreditar, viver em incessante busca por respostas sempre encontrando uma nova questão...viver supondo que não sobrevive somente, viver acreditando em um céu quando sente-se o próprio inferno arder ao tocar com pés descalços, um amaldiçoado chão;
Ser humano, humano é ser....ser alguém que seus próprios anseios desconhece, ser alguém que de si mesmo pouco possui para compreender;
Buscará em novas ou velhas escritas, em peças teatrais, em filosofias, que nem sempre compreenderá para acalentar seu aflito coração;
Tudo talvez não se passe de pretensas verdades, desde o princípio...a verdade absoluta daquele que registrou suas vontades ou loucuras em um papiro, em gravuras rudimentares ou no chão;
Tudo, talvez seja fruto do acaso ou não, para a sensação do vazio que sentimos, sonhar é algo que preenche por instantes nosso ser com aquilo que necessitamos para viver, um anseio ou uma emoção...esperando a palavra de salvação, esperando por algo que faça sentido bater o coração;
Até mesmo, quando sem aparente explicação...no luxo em que conquistou, em um paraíso de facilidades e ostentação...lágrimas mornas ou frias insistem, quando ocultas tua face, em molhar o seu travesseiro, umidecerem seu valioso colchão;
Pobre ser humano que ostenta bússolas no caos de sua sociedade e sua mortal e dolorosa condição, pobre vida que perece, pobre ser que ascende ao céu somente com o olhar, mas jamais sairá de seu próprio chão.

Jogo das vaidades

Em um jogo de vaidades, qual ego deverá restar remanescente, qual ego deverá prevalecer?
Em jogos onde a vaidade é o objeto maior em questão, nada deverá durar tempo suficiente para queimar enquanto há combustível, tudo irá se consumar e consumir após célere combustão;
Há de prevalecer aquilo que é dominante, a mais forte personalidade para ser prevalente;
No entanto, não há de adoecer tudo aquilo que é são, toda mente que se envolve em um jogo de frivolidades deverá restar doente;
Sequelas restarão, nada mais restará;
De tudo aquilo que um dia se pareceu, quase foi...sempre é o nada em sua maior expressão que fica como impressão daquilo que deveria se completar;
Incompleto, imperfeito, assimétrico...com defeito;
Jà nasce fadado ao fracasso, jogo maldito onde vestem-se máscaras que não são adereços de alegoria...serão sempre para ocultar a face do mal, ainda que de um inofensivo palhaço;
Vaidades...destróem lares, destróem relacionamentos, e amizades, nós que se parecem eternos subitamente se desfazem;
O astro segue Sol e segue flamejante, a estrela segue ardendo e à este sujeita, fria...se luz própria, com pretensão de ser lembrada como importante em um universo de várias, pretensa perfeita;
Similares e afinidades hão de se estranhar, quando tudo o que se foi e se passou...não foi fugaz e flamejante paixão, não foi incondicional amor, não foi sequer verdadeira amizade...simplesmente, fora mera lenha para aquecer uma maldita fogueira de vaidade.

Meu raio de Sol.

Um dia, hei de querer ver minha fagulha dourada, um raio de luz para mim, raiar;
Um dia desses, hei de sair para despretensiosamente caminhar, rumar por onde nunca fui, por onde jamais estive, me enveredar;
Viver distintas aventuras, saborear dissabores e desfrutar, dissertar quiçá sobre minhas desventuras;
Um dia, sei exatamente quantas horas ele dura...sei o quanto estas horas têm sido redundantes, tediosas e este micro universo, algo que me prende como algemas...que restringe como ataduras;
Neste dia sairei, que horas deverei voltar, não mais informarei;
De satisfações eu pouco sei, dá-las aos demais até o presente momento, como se fora eu sequer algo aquém de um errante ser humano, eu sempre dei, mas não sei ao certo se ainda darei;
Neste dia, talvez eu partirei, do meu paradeiro, somente eu saberei...atrás de uma colina, virando a próxima esquina, talvez lá eu estarei...
Estarei, livre finalmente, esperando o calor do Sol que me trará à tona para respirar novamente, e calor em um corpo que padece na escuridão, na palidez e no frio, alguma vida e notoriedade...devolver, mas devolver distintamente;
Satisfações então, não mais darei por jamais dever, satisfeito então neste dia estarei, por estar um pouco além da mera sobrevivência...satisfeito estarei por estar vivendo plenamente!