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quarta-feira

Salgueiro de saudades

Na mesma árvore, onde em tempos de infância brincava, de longe te via e sem saber o motivo, te adorava;
Entretinha-me com jogos e diversão pueris, como havia de ser...mas, quando sua imagem ante aos meus olhos despidos malícia, sem querer como paisagem bela a se pintar, surgia...meu coração e respiração paravam por segundo, desejos estranhos em mim despertaria;
Juvenis demais para serem compreendidos, fortes demais para serem marcantes, como nossas iniciais que marcamos por brincadeira nesta árvore de saudades, jamais esquecidos;
Éramos jovens demais, o sentido das coisas e da vida...seus motivos ulteriores, não compreendíamos, pois fazia-se cedo demais para serem compreendidos;
Entretanto, sabíamos que por trás daquela estranha sensação, de nossas diferenças evidentes da inocência dos contos e Eva e Adão, que aquela marca fazia algum sentido. Sabíamos que eram marcas feitas em madeira, mas de alguma forma, ficariam gravadas estranhamente no coração;
Distraía-me da vida, quando em ti me punha a pensar, distraía-me de quaisquer coisas que fazia, quando de tua presença eu, ainda que sem palavras, pudesse desfrutar;
Anos se passaram, passaram-se por mim e por ti haveriam de passar;
Marcas em nossas vidas deixaram, por caminhos distintos a vida insistiu em nos conduzir e fazer caminhar;
Hoje já não te vejo mais, não sei por onde andas ou o que faz, mas uma certeza esta marca neste velho salgueiro ao menos me traz;
De que aquilo que com o tempo perece, mas jamais há de sumir ou se apagar, é prova que as coisas feitas pelo coração serão talvez eternas, ainda que o tempo e tempestades insistam em castigar;
Não sei por onde andas, não sei onde estás...mas, ao fitar com olhos marejados e finalmente, entender o que estas marcas venham a significar, me traz a esperança de um dia ao menos, ainda que já sofrida e envelhecida pelo tempo, eu venha e te encontrar;
E simplesmente...possa te dizer: meu primeiro amor, como é bom te reencontrar e debaixo deste salgueiro que traz a marca de nossas vidas, te abraçar....


"Para sempre, será tempo demais ou de menos, para aquilo que ao tempo não há de sucumbir, jamais será apagado"
Fernando Ordani

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