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terça-feira

Memórias de um frasco vazio

Frasco vazio de seu perfume, perfume com essência rara que me inebria e me deixa lembranças de sua ausência, nesta sala vazia;
Batom de fina marca, que em mim deixaram indeléveis marcas de sua lascívia;
Tudo aquilo que fora passional como ardente chama, e assim sendo, se consumia...aqueceu por uma noite e esfriou ao amanhecer do dia;
Foi-se sem deixar rastros que não fosse um gosto bom de saudade, partiu sem partir meu coração, era por mim sabida a hora de sua chegada e era certa, a hora de sua saída;
Minha estimada, minha afável querida...doce como o favo do mais doce mel e selvagem como uma tempestade que devasta o chão e atormenta o céu;
Restos das coisas de seu usufruto, guardo como se parte de ti ali ainda estivera...ao menos fazem um palhaço sem graça sorrir, faz-me esquecer de minha vil miséria;
Minha menina, sinto que desta vez seu até mais tinha cara um travestido adeus;
Senti em meu peito o desconforto de um infarto ao desligar pela última vez o telefone e olhar para aquele quarto;
Obrigado por me fazer sorrir de meu próprio infortúnio, por me fazer alturas estratosféricas transcender, sem sequer do chão ou do nosso ninho de paixão ascender;
Sinto que não vai voltar, sinto que partiu sem nada dizer para não ferir, não me machucar...sinto-me único por ter estado em sua trajetória, por ter escrito contigo algumas linhas de sua linda história...por estar comigo agora, neste frasco vazio que contemplo e na memória...enquanto com um sorriso estranho de pesar misto de alegria, minha alma chora.



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