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quarta-feira

Ei você, lembra-se de mim?

Seríamos frutos da divina dádiva, do mero acaso ou do capricho de dois jovens que um dia, sonharam contigo?
Não sabemos ao certo, simplesmente saberemos que a um mundo de perigos fomos estranhamente trazidos;
São estes jovens que um dia se apaixonaram e, por plano ou acidente, se surpreenderam contigo;
Enquanto era apenas um embrião em formação, um ser que fazia de sua mãe crescer na barriga e estufar seu umbigo;
Se assustaram contigo, você se assustou com eles...quando precisou de um amigo, soube durante toda sua vida, que poderia contar somente com estes;
Os cabelos destes jovens ficaram com o tempo grisalhos...você cresceu, ficou cheio de razão e esquecera com uma vida agitada, de seus amigos do passado;
Por eles já não tem mais tanto apreço, não se importa...ainda que sejam estes que sempre estejam te esperando enquanto você está distante e não dá notícias, dormindo de olhos abertos ou aflitos em uma porta;
Deles, a maior alegria é vê-lo retornar são e salvo ainda que sem dar notícias, ainda que ingrato...ainda, que já seja o raiar de um outro dia;
Você somente pensa em livrar-se deles, pois de sua vida já não constituem plano;
Estão velhos demais, você acredita que sequer sejam dignos, por já estarem ranzinzas com as marcas do tempo e pelas surras que levaram para cuidar de ti, de serem ao menos tratados como seres humanos;
Livrar-se daquilo que esteja no caminho, livrar-se até de seus mais fiéis laços...viver acreditando em seus próprio egoísmo...viver somente para seus próprios planos;
Tipicamente imbecil, tipicamente, humano...
Seria somente uma lágrima de desesperança e sofrimento, aguardando um abraço que já não sente há muito tempo...perdido em algum lugar, perdido no tempo, nosso triste e último momento?
Seria a lembrança ou o completo esquecimento, tudo o que restaria de décadas de vida por mágoas infundadas...esquecer de quem se lembrou e viveu por ti em um úmido, frio e triste confinamento?
Seria então, a vida uma brincadeira estúpida...na qual até de nossos progenitores nos utilizamos enquanto conveniente for e depois, quando necessitados de nós, os abandonamos ao dissabor do vento....



*TEXTO DEDICADO AO MEU PAI: ISAC ORDANI

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