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domingo

Compaixão pelos normais



Visão distorcida dos fatos, distúrbio sensorial...do paladar, do tato, discernimento afetado;
A cada dose de alegria em miligramas com efeito de anestesia, pouco a pouco minha personalidade se desfaz e a mim mesmo, lentamente como meu sofrimento eu mato;
Doses diárias, doses necessárias...os loucos estão soltos por aí, os normais terão de pílulas normativas e corretivas de conduta, engolir;
Os loucos na rua se divertem, se embriagam...se perdem na luxúria e seus corpos como as porcarias que consomem, cheira mal, fedem;
Os normais que não suportaram, buscaram em ato de desespero algo que por alguns segundos acabasse com aquele vívido pesadelo, terão de pagar o preço por todos, o preço por existir, por inteiro;
Normais...loucos, quem dirá quais são, quem dirá quem são, quem será são em um mundo doente e sádico tal qual este, no qual habitamos por alguma razão ou por punição;
Não haverá saída que não seja o disparo de uma arma, subir em um banco ou um cadafalso;
Não é loucura ter vivido em um passado, algum percalço;
Será loucura, pretender ser normal e saber que pode desfrutar de tudo, enquanto trancafia sem se importar o seu louco, motivo do seu pior desgosto, como um vil animal;
Será loucura, ter distúrbios evidentes de personalidade e caráter e agir como se nada fosse, tomar mais um cálice de cerveja ou do seu nojento vinho doce;
Continue sendo normal e ignorando o espelho que parece lhe fazer mal, eu continuo aqui sofrendo;
Continue sucumbindo ante a sua loucura, enquanto eu em minha normalidade, com sentidos distorcidos pelas miligramas de alegria, vou cada vez mais me fortalecendo;
Ao final de tudo isso, tenho certeza, o tempo dirá...quem era digno de uma segunda chance, e quem é carrasco travestido de anjo;
O tempo é sábio, a vida tem maneiras estranhas...pareço estranhar o mundo em que nasci e suas cruéis artimanhas;
Isso há de ser NORMAL...totalmente! Oras!
Seus corpos senhores normais, estão cada vez mais debilitados e fétidos pela embriaguez e por vossas condições de meros decrépitos;
Meu corpo, está cada vez mais são, minha mente ainda necessita de miligramas de alegria para suportar minha prisão...até o dia do definitivo basta, até o dia que não haverá nada entre nós que se pareça com piedade;
Não restará jamais entre loucos e normais, em nossa batalha final no palco da vida
sem lágrimas ou qualquer emoção... sequer algo que se possa chamar de compaixão.



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