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domingo

Cemitério





Caminhando pelos verdes campos onde a mais bela grama havia de brotar e nascer, por elas passeava e sentia pairar a paz, a paz que não sentia lá fora naquele triste entardecer;
Sentia esta sensação estranha de placidez, aura branda e estranhamente mórbida...sabia que ali somente, procurava motivos ao caminhar, para livra-me das dores e persistir em viver;
Meu semblante ali não deixava entristecer, observava as placas no chão, cuidadosamente e respeitosamente por estas eu passava e dedicava um olhar ao brevemente ler;
Nomes gravados com trajetória devidamente demarcada, trajetórias que na memória de alguém com certeza, não haveriam de sucumbir como a carne que ali jazia...não haveriam de morrer;
Naquele local onde não havia desespero ou cheiro de morte, mas somente de saudades, encontrei o que procurava ao simplesmente por ele todo passear solitário, analisar e perceber;
Que as formas de vidas mais belas nascerão onde aquilo que se encerra, deverá ao chão descer;
Um corpo sem vida jamais deveria ser velado...evitando comparações entre quando há o sopro da divindade e a eterna palidez;
Um corpo sem vida não há de ser nada a não ser memórias que não devem ser guardadas, é mera imagem do sadismo que parece agradar de forma estranha aqueles que esperam uma ressurreição daquilo que não há de, em carne, se levantar e renascer;
Naquele lugar, onde repousa para sempre a memória do ser; não me incomodavam histórias de fantasmas...restos mortais ou coisas do tipo, que jamais hei de temer;
Temo o mundo lá fora, um mundo que não permite a natural transformação da energia, que dita as regras ao seu cruel modo de ser;
Um mundo, no qual pareço não ser nada além de um número e, que a em um momento que jamais hei de saber...
Saber...quando este encerrará minha trajetória selando meu espaço eterno com uma placa sem dizeres, que ninguém talvez venha olhar por não haver nada de interessante para se ler;
Que não se edifiquem do chão, monumentos ou ornamentos para honrar memórias da vil carne, que ao tempo perece e ali, simplesmente encontra sua morada para em sua natureza servir e definitivamente, pertencer;
Uma lápide talvez, com meus últimos dizeres...isto sim me apetece, para que na memória de quem de mim se recorde ou por ali passe, pare por um minuto que seja para refletir e atentamente, como hoje eu fiz...algo de interessante ler;
Preocupo-me com o mundo aqui fora...que leiam e recordem-se de mim enquanto vivo, neste momento e para sempre, pois do inevitável não pretendo fugir e com este admito que já flertei;
Em poeira e ossos um dia também hei de me transformar, para que a grama mais verde sobre minha eterna morada, venha a nascer...a pessoa não é a carne, o poeta ou seja você quem for, é tudo aquilo que aos olhos, a carne insiste em esconder.

"Descanse em paz Ricardo, seus restos aqui jazem...sua memória, os teus eternamente consigo, trazem"
Fernando Ordani

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