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domingo

Compaixão pelos normais



Visão distorcida dos fatos, distúrbio sensorial...do paladar, do tato, discernimento afetado;
A cada dose de alegria em miligramas com efeito de anestesia, pouco a pouco minha personalidade se desfaz e a mim mesmo, lentamente como meu sofrimento eu mato;
Doses diárias, doses necessárias...os loucos estão soltos por aí, os normais terão de pílulas normativas e corretivas de conduta, engolir;
Os loucos na rua se divertem, se embriagam...se perdem na luxúria e seus corpos como as porcarias que consomem, cheira mal, fedem;
Os normais que não suportaram, buscaram em ato de desespero algo que por alguns segundos acabasse com aquele vívido pesadelo, terão de pagar o preço por todos, o preço por existir, por inteiro;
Normais...loucos, quem dirá quais são, quem dirá quem são, quem será são em um mundo doente e sádico tal qual este, no qual habitamos por alguma razão ou por punição;
Não haverá saída que não seja o disparo de uma arma, subir em um banco ou um cadafalso;
Não é loucura ter vivido em um passado, algum percalço;
Será loucura, pretender ser normal e saber que pode desfrutar de tudo, enquanto trancafia sem se importar o seu louco, motivo do seu pior desgosto, como um vil animal;
Será loucura, ter distúrbios evidentes de personalidade e caráter e agir como se nada fosse, tomar mais um cálice de cerveja ou do seu nojento vinho doce;
Continue sendo normal e ignorando o espelho que parece lhe fazer mal, eu continuo aqui sofrendo;
Continue sucumbindo ante a sua loucura, enquanto eu em minha normalidade, com sentidos distorcidos pelas miligramas de alegria, vou cada vez mais me fortalecendo;
Ao final de tudo isso, tenho certeza, o tempo dirá...quem era digno de uma segunda chance, e quem é carrasco travestido de anjo;
O tempo é sábio, a vida tem maneiras estranhas...pareço estranhar o mundo em que nasci e suas cruéis artimanhas;
Isso há de ser NORMAL...totalmente! Oras!
Seus corpos senhores normais, estão cada vez mais debilitados e fétidos pela embriaguez e por vossas condições de meros decrépitos;
Meu corpo, está cada vez mais são, minha mente ainda necessita de miligramas de alegria para suportar minha prisão...até o dia do definitivo basta, até o dia que não haverá nada entre nós que se pareça com piedade;
Não restará jamais entre loucos e normais, em nossa batalha final no palco da vida
sem lágrimas ou qualquer emoção... sequer algo que se possa chamar de compaixão.



sábado

Minha fiel companheira

Carrego uma maldição comigo, e esta maldição será sempre se parecer com um fantasma;
A maldição que carrego comigo, jamais desejo que carregues contigo;
É maldição dolorosa, maldita ao ponto de se parecer com um vitalício castigo;
A maldição que comigo carrego, jamais se assemelhara por um instante com algo físico, em formas...de amigo ou inimigo;
É algo ainda mais maldito, é algo que não é mencionado, não é lembrado, sequer será dito;
Pergunto-me incessantemente, se nesta para sempre farei meu indesejado abrigo;
Pergunto se há algo de errado, com o mundo em que nasci, ou simplesmente comigo;
Tento parecer normal, mas não consigo...afinal, normal jamais alguém me ensinara o que seria, jamais fora matéria para ser aprendido ou tema, para ser debatido;
É algo nefasto, é algo como caminhar entre mortos e entre os vivos, parecer como um cadáver ou algo ignóbil para ser visto;
O que fizera eu no passado para isto merecer, serei eu merecedor deste eterno viver que se assemelha com o lúgubre habitar de um jazigo?
Campos não florescem à minha frente, não nascerá grama onde eu piso;
Da real felicidade pareço ter desconhecimento...para Deus e seus filhos, pareço ser um fantoche para piadas jocosas e entretenimento;
Paro e penso por um momento...viver sob minha pele, se parece com insistir em dependurar-se à beira de um abismo;
Realmente, acredito ser filho daquilo que não presta...e mereço, para sempre, perecer e apodrecer juntamente com minha querida maldição, que denomino como sendo o mais triste ostracismo.

Prazer, meu nome.


Alguns irão dizer que escondo minha própria personalidade;
Alguns irão dizer que tudo aquilo que digo é pretensa mentira...um disfarce da verdade;
Alguns irão me chamar do que quiserem, me chamarão de perdedor ou covarde;
A mim não importa mais o que se foi, a mim, não agrada ter dos outros algum senso de piedade;
A minha própria já me basta, já me atormenta a minha própria realidade;
Escondo minha face por trás de um rosto de um palhaço por assim acreditar que nascemos alguns de nós, e persisto por assim acreditar permanecer;
Não faço culto à minha personalidade, sequer alguns acreditam meus próprios dizeres, a mim pertencer;
Em uma linha contínua, com algumas vírgulas ou reticências, muito tem e terá um homem a perder, especialmente alguns...por assim dizer;
Espero somente, após aquilo que um dia foi aurora e chamei de vida e agora é crepúsculo e me toca a mais dolorosa ferida...o fechar das cortinas, o real anoitecer. O fechar de meus olhos eternamente, para que nunca mais volte a amanhecer;
Será o final daquilo que me prende, daquilo que restringe ou me consome...jamais quero ser lembrado por um rosto que envelhece ou um corpo que à terra desce;
Somente desejo, que para alguns, eterno e algum significado...TENHA O MEU NOME.

Por: Um idiota, chamado FERNANDO ORDANI.

sexta-feira

Obra Inacabada...

Quando em um passado distante, ainda na inocência dos meus nove anos eu recém havia descoberto sobre a mentira da cegonha e sobre a necessidade de esconder sua "vergonha"; havia obra suntuosa que gostava de admirar e na eficiência de que tudo o que havia começado, tinha de acabar; que esta então em pouco tempo seria concluída e logo entregue eu queria acreditar.
Quando eu ainda era menino, com mochila nas costas...não sabia o que eram reais problemas que não fossem os de matemática, aqueles que atormentavam meu sono, mas não se passavam da antesala dos problemas vindouros, meros problemas de escola. Lá ainda estava ela...os ônibus eram de cor amarela e aquela suntuosidade...ainda parada.
Da sacada da minha casa ou de qualquer lugar eu esperava para ver a conclusão daquela linda obra.
Passados vinte e um anos, percebi que a vida não é feita somente para se viver, mas para se aprender com muito exercício a sobreviver. Ingressei ainda jovem no serviço público, acreditando que alguma diferença faria, acreditando com um ímpeto juvenil de que um dia, tudo haveria de estar em seu devido lugar. Que as coisas poderiam ser diferentes, que um sistema que existe muito antes de mim eu poderia ajudar a mudar...
Hoje, com desgosto, ainda passo pelo mesmo lugar. Muita gente já se foi, e muita gente ainda irá. Vinte e um anos, já não acredito em histórias inventadas, mas sim na realidade das coisas que não são nada fáceis ou engraçadas. Não acredito que ainda tenho uma eternidade pela frente, sei que as pessoas não morrem somente de morte matada.
E lá está, a mesma obra...a obra inacabada. Ainda que haja alguma vontade desta vez, não a vejo mais com a admiração de outrora, vejo esta como uma tremenda palhaçada.
E como conclusão, apesar de ser clichê, reitero o velho jargão de que os palhaços ainda somos nós...cujo dinheiro suado é mensalmente descontado, para se concluir obras que nunca terminam, para usufruto de serviços que parcialmente nos atendem...para salvar vidas que na escuridão da marginalidade se perdem e já se perdiam.
Obra inacabada, olho para você hoje com um ar de sarcasmo...você é do nosso país, o mais perfeito retrato!

Ipê urbano

Ipê urbano, nascido em território estranho, nascido para florescer em meio ao cinzento covil humano;
Ipê humano, floresce em diferentes cores para fazer sorrir o triste solitário ou na clausura, que se derrete em tristes memórias e em seu pranto;
Ipê cigano, nascerá onde os ventos levarem suas sementes, florescerá onde o pássaro canta no campo;
Ipê urbano, é colírio aos olhos que perturbam-se com a fumaça e com as desgraças de nosso cotidiano;
Ipê, continue crescendo, onde seja plantado ou onde te leve o vento;
Continue pertencendo à natureza, assim como o ser humano, mas se fazendo urbano e aos nossos caprichos se submetendo;
Assim como nós, perece em meio à poluição, em meio à destruição...perece dentro dos muros que se elevam para cercar sanatórios ou uma prisão;
Ipê, continue para nossos olhos ávidos e perturbados, para nossas mentes doentes e distraídas;
Distraia da realidade cruel que se faz presente, mostrando a quem queira por um minuto te observar, que ainda há uma chance para a vida...ainda que insista em pairar a essência da morte, no ar viciado que se respira.




Amigos...para sempre? (Eh nóes, parça??)

Um dia, em um espaço temporal não muito longínquo na linha de nossas vidas, caminhei contigo;
Nestes dias do passado, me chamara por irmão, estive sempre em seus planos...jurava ser meu amigo;
Aventuras memoráveis e desventuras detestáveis juntos vivemos, parecia que era jóia nossa amizade, parecia verdadeiro todo aquele sentimento;
Um pelo outro, o outro por um a qualquer hora, a qualquer momento;
Éramos passageiros em baladas da noite, éramos a sobriedade que nada ostentava, mas inveja causava. Fitávamos no olhar do outro, sem medo ou desconfianças durante a luz do dia;
Parecíamos, quando caminhávamos sobre as mesmas trilhas temíveis ou inofensivas, irmãos que não nasceram da mesma mãe; mas de alguma forma, fraternal sangue pelo outro derramaria;
Diferenças de idade não era a questão, em nossa afinidade, nada se parecia com problema que não houvesse solução;
No entanto, como disse um célebre poeta...que tudo que deveria ser para sempre, sempre acaba e não passa de agradável ilusão;
Nossa amizade não transcendeu às barreiras mais simples da vaidade individual e com olhar de estranhamento, nos afastamos compartilhando a mesma marca maldita, a mesma condição;
Se jamais fora meu amigo, se eu jamais fora para ti um irmão...mal jamais te desejara, mágoas não desejo ostentar em meu coração;
Sei que caminha por veredas obscuras, sei que nos estranhamos a um ponto de não suportar talvez, do outro a lembrança ou a indesejada visão;
De sua vida hoje pouco sei, de ti na verdade...tenho a infeliz impressão de que nada soube;
Tudo em relação a sua personalidade para mim se ocultava por trás de máscaras, algo que ao me dar conta não pude conceber, em minha vida à partir deste dia...sua presença tampouco não mais coube;

Pouco sei de seus passos, embora esteja ciente de que caminha entre trevas que são fotografadas como a inocência da paisagem de paraíso para os seus, para inocentes e incautos;
Sei que não sente felicidade em ostentação, que talvez busque dentro de si algo que parecia ter...uma personalidade e um coração;
Hoje...não sei se deveria eu lançar um olhar pesaroso, jocoso ou indiferente sobre seus percalços;
Ou quiçá, ignorar e fingir que nada jamais ocorrera...e que junto a pessoas como ti um dia caminhei, os temíveis e paradoxalmente, afáveis falsos.

quinta-feira

Filmes, simplesmente.



 Filmes passam por aí, filmes hão de passar;
Músicas e trilhas que nos remetem a romances épicos ou horrores sádicos na tela, músicas que destes nos farão lembrar;
Cada momento tem sua trilha, cada trilha tem um caminho a ser obedecido para se trilhar;
Cada filme tem sua marca, marcas em você poderão ou não deixar;
Alguns, por sua excelência tendem a se repetir, podem em alguma esquina da vida ou na tevê reprisar;
Será digno novamente a mesma cena apreciar? será simplesmente ato de sabedoria....ter o controle em suas mãos e aquela trilha "inesquecível"; esquecer? Aquela cena horrível repudiar e, simplesmente, o canal da tevê mudar?
Filmes passarão, filmes continuarão a passar;
Propaganda insistente farão em sua tela, ainda que sem você desejar;
Filmes que já encheram...passem de uma vez, e jamais diante de meus olhos venham a se repetir; 
Suas falhas e suas virtudes irritam ao invés de como outrora, agradar e estas com meu controle hei de repelir;
Filme do passado, filme ultrapassado...como o sábio que sabe a hora de parar, você deveria saber a hora de parar de se exibir;Filmes...se são ilusão de vida para alguns, hei de preferir o concreto e a realidade para mim.



À beira da insanidade


Retrocesso não é caminho e jamais será admitido;
Retroceder é covardia, é repetição do desnecessário, será mais tempo perdido;
Caminhar adiante, achar uma nova rota será preciso;
Olhe adiante, siga em frente, à direita ou à esquerda, seja intrépido ao menos uma vez, seja diferente;
Seja diferente, mas jamais diferente como pensa;
Seja diferente do que penso ser errado, seja diferente do que distinto ser, você pensa;
Seja livre, liberte-se de seus próprios males;
Mas, lembre-se...tudo terá seu preço, inclusive a vigilância constante, por olhos alheios, de sua própria liberdade;
Seja inteiro, seja pleno, pare de ser pela metade;
Se for metade, seja pelo menos a metade que interessa...tanto faz e tanto fará, se esta metade, for ou não sua real essência, se parecer com você de verdade;
Muros estão edificados, à sua frente, em quaisquer direções que pense seguir em seu recomeço, que se parece com um princípio de insanidade;
Muros estão e estarão sempre edificados...transncendê-los será crime. Para seu retrocesso, lembre-se, não haverá piedade!

Dor...causas, e causador.

Dor...necessária para vida trazer, a mesma dor necessária talvez para nascer;
Dor, se aprende desde o berço...com as primeiras reprimendas vindas do lar ou da vida;
Dor...intermitente e cruel, causada ainda cedo por aquele que te trouxe ao mundo e se diz seu amigo mais fiel;
Dor, para sentir e aprender...para consentir e para solidariamente sofrer;
Dor...para quê existes senão para à vida algum sentido trazer...senti-la nos faz sentir vivos, sentir os músculos a crescer, a pele endurecer...e o espírito, amadurecer;
Dor, odiamos te sentir, agradecemos após o término da jornada por existir;
Pelo aprendizado trazido por vossa pesada mão, pelas mudanças causadas em nosso ser devida a sua impiedosa imposta humilhação;
A única dor possível para se evitar, talvez fosse a dor de amar...mas, se não descobríssemos também esta, como saberíamos desconfiar, nos decepcionar;
Compreender que o ser humano, com a dor flerta e se afeiçoa...e jamais se importa em causá-la em si mesmo...quem dirá, em qualquer outra pessoa;
Vivemos em uma miragem esperando pela real e paradisíaca imagem...vivemos de esperança, para degustar o cálice e o dissabor da sacanagem...é a vida acontecendo por assim ocorrer, é a dor, te ensinando e te corroendo e assim, te ensinando a sobreviver.

quarta-feira

Perseverar...em uma rua, um palco, ou qualquer lugar.

Para que se pare uma caravana que há tempos segue, ainda que por um instante, ou se repare em algo que esteja em seu caminho;
Deverá ser perigoso para ser relevante, deverá ser da rosa que inspira o perigoso e ameaçador espinho;
Quando as cortinas se fecham, o encanto se acaba por instantes quando nos vemos na obrigação de um artista que se veja na obrigação de atuar sozinho;
Para perserverar e crer em sua missão, para permanecer após um duro e inesperado golpe, em pé;
Não haverá manual de instrução que não seja a própria adversidade adiante que te ensine a persistir em sua fé;
Sua maquiagem se desfaz, o desânimo em ti torna a idéia de desistir, algo que instantaneamente lhe apraz;
A máquina propulsora de seu sucesso te conduziu até metade do caminho, mas quando os caminhos se dividem, é hora de aprender a caminhar sozinho;
O motor parou, a maquiagem se desfez...o palhaço de fazer sua graça se cansou;
As palavras emudeceram, poucas lágrimas de dor, agonia e decepção, de seu cansado rosto...raras escorreram;
Levanta-se o homem, recompõe-se e recupera daquilo que mais ostenta e que é sua única riqueza e orgulho;
Recupera o rumo, ainda que sem o mesmo brilho de outrora, e segue persistindo em levar esperança, reflexão...fazer sorrir e chorar, ainda que na platéia haja somente um simples espectador atento;
Não se fará mais necessária a mesma bagagem de antes, todo aquele barulho já não suportarei... viver de autenticidade será meu único alento;
Efusivo havia de ser todo o comportamento que contrapunha-se, era contrasenso quando comparado ao seu ser;
Segue o palhaço sem graça, segue seu caminho a pé...segue persistindo e acreditando em sua missão, ainda que abandonar aquilo que o impulsionava, seja sua única opção;
Aqui estou e aqui permaneço, de atenção ainda hei de carecer, com meras palavras que não trarão o mesmo brilho e vivacidade de antes, hei de pagar para ver...se valerá a pena o esforço, ou no abrigo do frio ostracismo para sempre me faço esquecer.

Impossível será...

Impossível é deixar de pensar, deixar de flertar com a lua acreditando que esta seja intangível;
Impossível há de ser, deixar repentinamente de acreditar no que fora real, mas permanecer parece com tempo instável, tempestades previsíveis, altamente temível;
Impossível acreditar que por um segundo, tudo aquilo que mais te importava neste mundo passa a ser banal, o extraordinário passa a ser normal e o sonho bom, volta em um despertar cruelmente real;
Impossível, não deixar de querer bem aquilo que em você passou deixando um pedaço de si e levando um pedaço seu consigo...deixar de crer que há neste mundo de concreto coisas sobrenaturais, me recusarei, não consigo;
Impossível...palavra que descreve tudo aquilo que traz o desânimo antes de se algo ter início, que mata no ninho o sonho de voar de um recém-nascido passarinho;
Impossível, termo indesejado, termo indesejável e por vezes, detestável;
Impossível viver somente para sobreviver e não acreditar que possamos tocar ou transcender o inimaginável;
Impossível viver somente o sonho de alguém, acreditando que o incondicional é mera utopia, não será realidade para ninguém;
Impossível viver sem imaginação, devaneios...quando lhe faltam asas para voar;
Impossível será viver eternamente acreditando no concreto e no vil metal, e do divino ou nefasto insistir em duvidar;
Impossível é viver na constante e tediosa sobriedade, sem com a loucura, ainda que seja por breves momentos em suas desventuras, vir a flertar;
Impossível é crer que nascemos somente para cumprir um ciclo e morrer, sem um ponto acrescentar, aquela linha proibida audaciosamente cruzar, ter um conto para contar, ou o curso de alguma história, modificar;
Impossível é tentar sempre fazer algum sentido, quando buscamos em incessantemente, algum motivo para nossa própria existência justificar e para persistir em nossas ulteriores metas...em acreditar;
Impossível, há de ser tudo aquilo que simplesmente deixamos morrer e cruelmente agonizar, como sonhos bons que ainda sonhamos em realizar...impossível viver sem motivos, motivos que tornem inviável o simples ato de ser livre para sua própria trajetória, poder nas linhas do tempo escrever e em suas próprias mentiras...acreditar!





Salgueiro de saudades

Na mesma árvore, onde em tempos de infância brincava, de longe te via e sem saber o motivo, te adorava;
Entretinha-me com jogos e diversão pueris, como havia de ser...mas, quando sua imagem ante aos meus olhos despidos malícia, sem querer como paisagem bela a se pintar, surgia...meu coração e respiração paravam por segundo, desejos estranhos em mim despertaria;
Juvenis demais para serem compreendidos, fortes demais para serem marcantes, como nossas iniciais que marcamos por brincadeira nesta árvore de saudades, jamais esquecidos;
Éramos jovens demais, o sentido das coisas e da vida...seus motivos ulteriores, não compreendíamos, pois fazia-se cedo demais para serem compreendidos;
Entretanto, sabíamos que por trás daquela estranha sensação, de nossas diferenças evidentes da inocência dos contos e Eva e Adão, que aquela marca fazia algum sentido. Sabíamos que eram marcas feitas em madeira, mas de alguma forma, ficariam gravadas estranhamente no coração;
Distraía-me da vida, quando em ti me punha a pensar, distraía-me de quaisquer coisas que fazia, quando de tua presença eu, ainda que sem palavras, pudesse desfrutar;
Anos se passaram, passaram-se por mim e por ti haveriam de passar;
Marcas em nossas vidas deixaram, por caminhos distintos a vida insistiu em nos conduzir e fazer caminhar;
Hoje já não te vejo mais, não sei por onde andas ou o que faz, mas uma certeza esta marca neste velho salgueiro ao menos me traz;
De que aquilo que com o tempo perece, mas jamais há de sumir ou se apagar, é prova que as coisas feitas pelo coração serão talvez eternas, ainda que o tempo e tempestades insistam em castigar;
Não sei por onde andas, não sei onde estás...mas, ao fitar com olhos marejados e finalmente, entender o que estas marcas venham a significar, me traz a esperança de um dia ao menos, ainda que já sofrida e envelhecida pelo tempo, eu venha e te encontrar;
E simplesmente...possa te dizer: meu primeiro amor, como é bom te reencontrar e debaixo deste salgueiro que traz a marca de nossas vidas, te abraçar....


"Para sempre, será tempo demais ou de menos, para aquilo que ao tempo não há de sucumbir, jamais será apagado"
Fernando Ordani

terça-feira

Memórias de um frasco vazio

Frasco vazio de seu perfume, perfume com essência rara que me inebria e me deixa lembranças de sua ausência, nesta sala vazia;
Batom de fina marca, que em mim deixaram indeléveis marcas de sua lascívia;
Tudo aquilo que fora passional como ardente chama, e assim sendo, se consumia...aqueceu por uma noite e esfriou ao amanhecer do dia;
Foi-se sem deixar rastros que não fosse um gosto bom de saudade, partiu sem partir meu coração, era por mim sabida a hora de sua chegada e era certa, a hora de sua saída;
Minha estimada, minha afável querida...doce como o favo do mais doce mel e selvagem como uma tempestade que devasta o chão e atormenta o céu;
Restos das coisas de seu usufruto, guardo como se parte de ti ali ainda estivera...ao menos fazem um palhaço sem graça sorrir, faz-me esquecer de minha vil miséria;
Minha menina, sinto que desta vez seu até mais tinha cara um travestido adeus;
Senti em meu peito o desconforto de um infarto ao desligar pela última vez o telefone e olhar para aquele quarto;
Obrigado por me fazer sorrir de meu próprio infortúnio, por me fazer alturas estratosféricas transcender, sem sequer do chão ou do nosso ninho de paixão ascender;
Sinto que não vai voltar, sinto que partiu sem nada dizer para não ferir, não me machucar...sinto-me único por ter estado em sua trajetória, por ter escrito contigo algumas linhas de sua linda história...por estar comigo agora, neste frasco vazio que contemplo e na memória...enquanto com um sorriso estranho de pesar misto de alegria, minha alma chora.



Texto sem sentido...vida sem propósito.

Não sou começo para nada, nunca fui um meio e desconheço qual será meu fim;
Faça o que quiser de minha pessoa, faça o que quiser da personificação de mim;
Não tenho auto-estima, não sei quem sou...sei que somente sou um grão comparado ao mar, um mero componente descartável em uma multidão;
Da imensidão, jamais me fiz notório o suficiente para ser amado, mas...sinto que o fiz mais que devidamente para ser detestado;
Não sei de onde vim, não sei para onde vou...do meu passado pouca relevância se faz para se lembrar, pouco há neste para definir algo com que se pareça o que sou;
Olho para o espelho e este não me diz nada, olho para uma multidão onde passo invisível e esta, nada me diz;
Não me recordo de arrogância ou austeridade, lembro-me somente que há trinta anos fui concebido em alguma maternidade;
Meu presente se parece com insana repetição, jamais trouxe acima de meu olhar cabisbaixo meu nariz;
Dentro de mim, ainda insiste em bater um combalido coração...meus planos de futuro se desenham ante a mim com a fragilidade daquilo que se apaga como giz;
Entre ruas passo, passarei pela multidão...meu nome?
Não interessa, jamais interessou...caminho para o mesmo rumo daquele que jamais começou, nunca esteve certo de ter sido, ou jamais concluiu, resolveu-se ou algo terminou;
Caminho rumo ao limbo, ao esquecimento...
Em alguma frase ou palavra serei talvez lembrado;
Meu corpo presente, se parece com o etéreo, o translúcido...se parece com saudade ou com o ausente;
Meu corpo presente é indesejado como uma indesejável surpresa, sirvo para meramente servir como um boçal de postura hilária e subserviente;
Sentido talvez jamais tenha feito e me pergunto se algo nesta história toda em algum momento fez, somente sinto pouco a pouco, se desfazer e falecer aquilo que nunca possuiu vida, aquilo que jamais para si mesmo ou para alguém, alguma diferença...também fez.

Mais um momento, por favor...


Paciência...coisa que aprendemos desde cedo, está para a ciência, para da ansiedade, ser a continência...está para a subserviência;
Paciência, não é por nenhum destes elementos citados que tenho insistentemente te exercitado;
Um minuto senhor, mais um ano...meu caro, mais uma década e eu, paro!
É o contrasenso que se exige em um mundo pelo stress agitado e infartado por sua insuficiência;
Será simplesmente a espera, por ter movido uma pequena pedra, por uma pequena semente ter semeado...paciência, quando por minha existência suplico por divina clemência;
Aguardo e meu destino parece ser aguardar, aquilo que no curto alcance do meu olhar insisto com ansiedade ou calma a fitar...detestar ou desejar;
Não importa quanto tempo passe...os anos e os dias são ineficazes a ponto de não mais contar;
Os dias são sempre iguais, a mesma paisagem com pouca mudança que se parece com alguma proximidade de algo interessante, aproxima-se para me animar ou perturbar...
Paciência...hei de te exercitar, se assim deve ser, se com exercício cansativo insiste em se parecer;
Paciência...sei que um dia por ti, se algum aprendizado ou experiência irei adquirir jamais saberei...somente tenho a certeza que paciente me tornarei, quando por sua razão paciência...eu definitivamente enlouquecer.

Quimera

Com estranha a alguns olhos que te observam e beleza ímpar, fora concebida;
Alguns te chamam aberração, outros...provável falha genética;
Eu te chamo de figura rara, única e distinta entre as folhas comuns...desafio aos padrões de estética;
Com seus soturnos olhos de cores distintas, a luzes apaga...de sua figura refletida foge aflita;
Se esconder por ousar ter nascido somente, por ser diferente em uma sociedade cruel e maldita;
Acenda a luz, ascenda ao patamar elevado e enalteça sua condição;
Tudo aquilo que já cruzou pela linha do tempo com modos ou distinta afeição, crucificado ou queimado fora...pelas cinzas e pelo fogo aceso por aqueles que se dizem filhos de divina criação;
Incompreensão...alguns podem lhe chamar de triste falha passível de correção, eu te chamo quimera;
Fruto que comprova a veracidade das teorias Darwinistas, assusta aos demais por ser somente uma natural evolução! Sorria e seque suas lágrimas, nobre ser de figura singular...discriminado, ostentando em seu peito um ferido coração.


O lobo humano e o câncer.


"HOMO HOMINI LUPUS EST" - THOMAS HOBBES




Vida que floresce inesperadamente dentro de outras vidas, vida que se alimenta da seiva de qualquer árvore favorita;
Vida...que brota desapercebida, nasce e cresce lentamente ou rapidamente, sem à princípio incomodar, sem se parecer com parasita;
Vida, ainda que ostente este sublime nome, por sua condição se faz maldita;
És a dor que causa no seio de uma formosa dama, é o drama que faz adoecer um ser humano e toda uma família;
Vida que ninguém pediu para nascer, assim como a nossa própria, vida que nasce perniciosa e golpeia cruelmente pela retaguarda, pela costa;
Vida que cresce e se alimenta farta, enquanto outra que possui relevância e caminha sobre duas ou quatro patas...faz definhar e aos poucos, mata;
Vida estranha que nasce dentro da gente...genética puramente ou castigo de origem sobrenatural que ataca sorrateiramente?
Cresce e se espalha...movimenta hospitais, traz a enfermidade e o desespero, mas...enche de dinheiro o bolso de alguns ávidos animais;
Vida que nasce bandida, que deveria no berço ser, sem piedade antes de se manifestar, punida;
Quando deixará de ser interessante sua existência ao seu hospedeiro, sem escrúpulos e interesseiro...quando será extirpada de uma vez por todas, livrando do sofrimento o infeliz enfermo?
Sua existência e permanência talvez seja explicada quando se assemelha com a nossa própria, e talvez será finalmente eliminada, quando o câncer chamado raça humana...da face da Terra for exterminada!










segunda-feira

Durma em paz...

Senta-se o rapaz, com plácido semblante à contemplar uma incandescente e poente esfera através de sua janela;
Seu rosto ostenta a expressão do nada, vazio e lúgubre como um cemitério é seu interior, onde sequer há fagulha acesa que se assemelha à luz de uma vela;
A esfera que observa lentamente mergulha no mar, ante aos seus olhos calmos e levemente marejados;
A cor do céu neste dia parece consentir com sua tristeza, um triste tom alaranjado;
Seu semblante consterna-se um pouco, parece pressentir no que há de culminar tudo o que sente, sentia-se insuportavelmente sufocado;
Quando do céu o fogo aos poucos se enfraquecia, sua mão rapidamente, evitou que daquela cena se fizesse escuridão e, uma última fagulha, se fez ao cair o dia;
A fagulha não era de vida, era fagulha provocada...após um breve estampido, seu corpo sem vida no chão de seu quarto, para sempre se deitava;
A noite, para ele não chegou naquele dia...evitou escurecer, a escuridão que em si habitava e tanto temia;
Seus olhos...cerraram-se para sempre, e para ele, não interessava quando não havia mais esperança, a expectativa do raiar de um novo dia;
Durma em paz jovem, encontre no além o que tanto queria, ainda que neste cruel chão que habitam seus semelhantes, chamem de "ato de covardia";


Somente você de suas razões sabia e somente a ti...a escolha entre continuar ou um ponto final colocar, cabia.

São as estatísticas!!!!!

Números para dizer quanto vale seu tempo, números para quantificar o preço para sanar a dor;

Números que contam unidades infindáveis, mas jamais nos contaram segredos de viver, segredos do amor;
Objeto inanimado, danificado será dano a ser considerado, alguém deverá por isto ser punido...valor será estimado, calculado a ser pago;
Objeto ou "dejeto" humano desabilitado para sempre, ferido...encoste este infeliz e dê-lhe somente aquilo que contribuiu, vagabundo que não produz deveria ir para o saco;
Números que quantificam, estipulam padrões, delimitam territórios e atribuem valores;
Números, em uma sociedade hipócrita onde acreditamos ser livres, serão estes que poderão sanar questões humanas e tantos dissabores?


Quanto deverei pagar para cruzar uma delimitada barreira, pagarei com a vida se ao acaso, incauto cruzar a fronteira?
Aquele que se debruça ao chão, em gesto servil e deixa tudo pronto para o exercício de sua honrosa função...jamais terá seu devido valor, para o ilustríssimo senhor ainda é fruto da escravidão;
O pobre fez somente o seu papel, cumpriu sua função...o doutor assinou um papel, a única atividade de seu ocioso dia;
Merecerá todas as honras e aplausos, pois o preço de seu trabalho é mais alto que o de uma bela vadia;
São as estatísticas...as probabilidades, que dizem que você pode sair com segurança, mas sempre com um ar de suspeita...por pequena margem te deixa susceptível a uma possível fatalidade;
É da regra uma exceção, és do sistema, prisioneiro do trabalho, prisioneiro da sociedade que mata a personalidade e a inspiração;
A inspiração...há de sucumbir ante a exatidão, às estatísticas;
Quando até um menino em sua inocência, pausa a sua própria respiração para evitar uma tragédia em uma distante nação, na ignorância de sua tenra idade, na esperança de que seja alguém relevante um dia para promover alguma solução.

"Por que não está respirando Chavinho??? - Para que não morram os chineses...:("
SÃO AS ESTATÍSTICAS!







Fogo e Gelo

Fogo de olhos que não faíscam onde o céu é plúmbeo e predomina o gelo;
Olhos gelados, ainda que claros, onde o Sol brilha são opacos e não possuem alma, logo não desta não se fazem espelho;
Olhos cor de mel, cor de esperança ou cor do céu;
Olhos de safira, belo encanto, provocante e inocente tom que atrai sábios e inocentes para uma armadilha;
Quando se parecem com o mel, experimenta-se a personalidade que por trás destes se oculta com sabor do fel;
Olhos de esmeralda, cor de esperança que é distinta, fascina e encanta...cor secundária, entretanto, que escondem na persona que ostenta todo tipo de malícia e enganos;
Olhos da cor do céu, olhos cor de mel...olhos de esperança, cansados em adultos e faiscando em crianças;
Onde o céu é cinza, seu tom quando é parecido com verdade e condiz com a personalidade...ainda que na ausência de luz há de se destacar e jamais perder-se-há em opacidade;
Olhos que nascem vivos e morrem com fatos da vida, ou são natimortos; da própria existência, a escuridão de dissipar não terão a capacidade;



Onde o Sol predomina, jamais serão como um iceberg que expostos a este, derretem...simplesmente pela verdade e pureza que neles estão presentes, hão de brilhar ainda mais intensamente...e dignos serão, de serem eternizados em fotos ou telas, eternamente!

domingo

Cemitério





Caminhando pelos verdes campos onde a mais bela grama havia de brotar e nascer, por elas passeava e sentia pairar a paz, a paz que não sentia lá fora naquele triste entardecer;
Sentia esta sensação estranha de placidez, aura branda e estranhamente mórbida...sabia que ali somente, procurava motivos ao caminhar, para livra-me das dores e persistir em viver;
Meu semblante ali não deixava entristecer, observava as placas no chão, cuidadosamente e respeitosamente por estas eu passava e dedicava um olhar ao brevemente ler;
Nomes gravados com trajetória devidamente demarcada, trajetórias que na memória de alguém com certeza, não haveriam de sucumbir como a carne que ali jazia...não haveriam de morrer;
Naquele local onde não havia desespero ou cheiro de morte, mas somente de saudades, encontrei o que procurava ao simplesmente por ele todo passear solitário, analisar e perceber;
Que as formas de vidas mais belas nascerão onde aquilo que se encerra, deverá ao chão descer;
Um corpo sem vida jamais deveria ser velado...evitando comparações entre quando há o sopro da divindade e a eterna palidez;
Um corpo sem vida não há de ser nada a não ser memórias que não devem ser guardadas, é mera imagem do sadismo que parece agradar de forma estranha aqueles que esperam uma ressurreição daquilo que não há de, em carne, se levantar e renascer;
Naquele lugar, onde repousa para sempre a memória do ser; não me incomodavam histórias de fantasmas...restos mortais ou coisas do tipo, que jamais hei de temer;
Temo o mundo lá fora, um mundo que não permite a natural transformação da energia, que dita as regras ao seu cruel modo de ser;
Um mundo, no qual pareço não ser nada além de um número e, que a em um momento que jamais hei de saber...
Saber...quando este encerrará minha trajetória selando meu espaço eterno com uma placa sem dizeres, que ninguém talvez venha olhar por não haver nada de interessante para se ler;
Que não se edifiquem do chão, monumentos ou ornamentos para honrar memórias da vil carne, que ao tempo perece e ali, simplesmente encontra sua morada para em sua natureza servir e definitivamente, pertencer;
Uma lápide talvez, com meus últimos dizeres...isto sim me apetece, para que na memória de quem de mim se recorde ou por ali passe, pare por um minuto que seja para refletir e atentamente, como hoje eu fiz...algo de interessante ler;
Preocupo-me com o mundo aqui fora...que leiam e recordem-se de mim enquanto vivo, neste momento e para sempre, pois do inevitável não pretendo fugir e com este admito que já flertei;
Em poeira e ossos um dia também hei de me transformar, para que a grama mais verde sobre minha eterna morada, venha a nascer...a pessoa não é a carne, o poeta ou seja você quem for, é tudo aquilo que aos olhos, a carne insiste em esconder.

"Descanse em paz Ricardo, seus restos aqui jazem...sua memória, os teus eternamente consigo, trazem"
Fernando Ordani

sexta-feira

Minuto de Silêncio.


Lançados à distância, geralmente com prévias coordenadas e direção;
Lançados para fins de movimentar uma economia em colapso, lançados para tudo aquilo que fora por anos edificado, trazer ao chão;

Não respeita cor, idade, sexo ou religião;
Diz-se criação perfeita e inteligente, da química se constitui com espantosa propulsão e alto poder de destruição;
A ciência exata, onde cruzam-se as coordenadas...nem sempre a exatidão, bombas inteligentes jamais carregaram consigo um coração;
Inteligência fria, ogival...destrutiva, lançada com sorrisos de desdém pelo mais forte, temida com lágrimas de desespero por quem às espera no chão, rezando pela própria sorte...tentando sem sucesso escapar da agonia do anúncio da morte;
Enchem bolsos dos senhores da guerra de dinheiro, infestam um lugarejo longínquo, por mero capricho, com temor e desespero;
Tocam as sirenes de aviso, toque de recolher...não há espaço suficiente em abrigos, não há onde se esconder;
Nada escapa ao radar a não ser o que seja para destruir, sempre há de estar devidamente mapeado, o chão que um míssil há de, sem piedade, atingir;

Do céu se espera água que sacia a sede, do céu se esperam milagres, jamais fogo;
Do céu já se esperaram muitas coisas, mas o "presente" que deste vêm "carregados de liberdade", é predecessor do pânico, de lágrimas dos miseráveis há de se satisfazer o ego de quem proponha o jogo;
O que resta são ruínas, ruínas inanimadas, humanas ou lembranças que tentam ser esquecidas...contas a pagar por quem não destruiu e da destruição, coisas para serem reconstruídas;
Cornetas da cidade bombardeada que antes convidavam aos festejos, hoje pedem silêncio...um funesto silêncio pela destruição ao conduzir cortejos;
Míssil inteligente, grande instrumento militar para movimentar a economia e trazer aos civis alguma novidade tecnológica, evolução...míssil lançado por quem não se importa, afinal aquilo que ele deseja matar, jamais fora pensado como um irmão.