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quinta-feira

Para a minha amada.

Vejo você em minha frente...doce ternura sinto em seu toque, sua pele macia;
Sinto que você pode tornar meu dia melhor, ainda que tudo pareça ruir ao meu redor;
Sinto você mulher....ser diferente, diferente de mim...que curiosidade e encanto causa em um pobre e incauto tupiniquim;
Vejo você, minha querida...algo que jamais vou compreender, suas maneiras me intrigam, suas formas servem para me enlouquecer;
Vejo você com seu sorriso ardente e seus lindos cabelos à luz do dia....faz diferente em seu trajeto até mesmo o vento que contra sua direção seguia;
Vejo você minha doce vadia, mulher vil e desprezível....ser que amo admirar...ser, que para sempre adorarei desprezar e detestar;
Te vejo por um instante....pareço profundamente te conhecer...te vejo logo adiante...não sei do que és capaz, faz até minha voz emudecer;
Siga adiante...que os ventos sigam a seu favor. Siga em direção oposta a mim, se muito....pedir não for.

Talvez, na eternidade....

Seu corpo sentiu a dor....um anjo consentiu, porém, nenhum milagre para te curar conseguiu;
Seu corpo apodrece...não importam seus motivos, não importará sua vergonha ou sua dor...o mundo, de você sempre se esquece;
Seu ego está ferido....é besteira. Frivolidade por demais para impedir seus afazeres, obrigações...sua liberdade de ser restringido;
Você pensa em suicídio....pensam logo que você é um problema, que deve permanecer sedado...ainda mais restrito, quiçá em um hospício;
Você pensa em homicídio...todos se espantam e te chamarão de monstro, entretanto...você logo desiste, você não é nada disso;
Você pensa, você sente...você existe...que diferença isso faz em um mundo frio e tão triste?
Lembrar-se-hão de ti mesmo os desafetos, no maior espetáculo da sua vida...seu desfecho! Quando já não há mais chance para receber algum alento....quando você, para sempre deste mundo deita-se em seu leito eterno e fica na poeira do tempo....
Tudo o que é póstumo será curiosamente e hipocritamente lembrado. Tudo o que é vivo...é desinteressante e desperdício para alguém se demonstrar realmente interessado.
Quando o inevitável chega para ceifar e sanar sua dor, já não há nenhum mal a ser curado...a morte não é maldição ou castigo herdado, mas sim, prêmio para quem vive em um mundo sádico que sente prazer em lhe ver machucado.


Os brincos de ouro e o ouro branco.

Vivia em uma casa de classe média, pouca classe tinha a jovem menina, recém adolescente...morava na rua do falso moralismo, esquina com a rua da curiosidade inocente.
Como toda menina de sua idade, tinha seus desejos...normais e comuns para quem superficialmente a observava...estranhamente ímpares para os que de longe ou para profissionais que pagos por dinheiro daqueles que a ignoravam, a analisavam.
Já era então, estudante da escola bem frequentada...a escola acima de qualquer suspeita, escola da qual ninguém jamais suspeitava...afinal, do dinheiro que se paga, espera-se tudo. Segurança ainda que ao redor, sinta-se o cheiro pútrido da sociedade. Pelo dinheiro pago, compra-se saúde onde na rua se vê o doente pobre apodrecer, no vício ou doença perecer, enfim...jamais espera-se pelos ilustres ignorantes que, o vento doente que sopra dos guetos invada sua redoma impenetrável...seu paraíso comprado pelo ouro honesto ou roubado.
Janaína...menina moça, possuia já em si toda a lascívia, entretanto era "inocente" por demais, como a sociedade há de julgar meninas que ainda não foram "tocadas"...esquecendo-se que Cristiane F. dera exemplo um dia.
O pouco dinheiro, que para muitos se parecia com salário para todo um mês ganho por ela de graça, dos pais...se parecia pouco, insuficiente por demais. Sempre queria ainda mais o luxo e o lixo, sempre queria uma dose de um pouco mais.
Menina inocente, menina virgem assim dita...influenciada por si mesma e naquilo que na tevê se mostra e não se compreende, aquio que a vida expõe, mas não devidamente ensina...começou a necessitar estranhamente de muito mais dinheiro Janaína.
Começou então, com toda a liberdade que dispunha e que aos poucos sem ninguém perceber, era liberdade que prendia...chegar das festas mais tarde...parar "sem intenção" em qualquer esquina.
Menina bonita, inteligente...cheia de pecados, mas ainda "inocente". Praticava para homens de boa condição financeira, mas sem qualquer coisa que se pareça com escrúpulos ou conduta ao menos decente...atos de satisfação, entretanto, que não viessem a violar sua inocente condição.
Sua maquiagem escondia sua pele que a cada dia mais pálida se parecia, seu corpo pela natureza perfeito e esculpido, que aos poucos...sem ninguém notar emagrecia.
Batom, luxo....noites, baladas, meninos...lixo...álcool e cocaína. Era o segredo secreto de Janaína. Prostituía-se parcialmente...tudo na sua vida era parcial, pela metade assim como as verdades que a todos contava e as inconvenientes verdades, por algum tempo ocultava.
Lembrou-se um dia então, de um dia quando ainda menina, fora presenteada com ouro em forma de lindos brincos, ouro 18K...muito valor possuíam, no entanto, esquecera-se do que era valor...valor financeiro das coisas que nunca soubera, valor de algo que representaria amor...
Necessitava manter seu vício, necessitava manter sua diversão proibida...a delícia de seu torpor.
Procurou onde estes estariam e saiu naquela noite...vestida para "arrasar", arrasar com sua vida, arrasar com o lugar ignóbil onde morava com pais estranhos que chamava de lar...
Como de praxe, não informara a hora de voltar...poucos pareciam se importar...
Pobre menina rica, saiu para naquela noite se perder, tentando de alguma forma se encontrar, passou a linha vermelha, passou por onde jamais imaginara passar...perdeu-se pelas ruas, perdeu a única coisa que era seu tesouro, que era o ouro que ainda tinha. Pois, de inocência...Janaína já estava cheia, estava disposta a perder de uma vez por todas e ao mundo se revelar. De inocência já não dispunha muito para perder, acreditava ter pouco a perder senão, o ouro a rebelde e doce menina.
Não retornou para a casa, procuravam então por ela seus pais após darem falta, após dois dias...caminhava pelas ruas de destino ignorado despida do ouro, esfacelada...já sem nada, a jovem Janaína.
Foram-se para sempre, sabe-se lá para onde os brincos de ouro da menina...perdeu-se no escuro da obscuridade que sem querer ser notada nos rodeia, a inocência de uma menina. Sobrou...restaram apenas os cacos do que restava da pobre Janaína...




Inocência e o trem da meia-noite...

Em um longínquo espaço temporal, nasceu a inocência com sua alegria infantil;
Há muito tempo, essa inocência foi castigada ao sabor e dissabor do vento e abandonada em uma sarjeta, ao relento...sem notar a ferocidade de um mundo tão hostil;
Passa o tempo, cicatrizam e jamais se curam feridas abertas por dentro;
A inocência espera o trem de partida, uma vida segue que caminha com alguma esperança em seu caminho...titubeante e combalida;
A carne clama por clemência, a alma implora por uma razão...uma saída;
Do labirinto insano de confusões não há motivos, não há sinais de direção, não há razões;
Quando a inocência veio das trevas à luz, foi quando seguraste esta pela mão que já não mais a conduz;
Quando nasceu em forma de criança aquela fagulha de esperança, de seus olhos vi lágrimas escorrerem em abundância;
Inocente ser, que partiu sem sequer ter sido...sem sequer, em uma multidão de insanos ser reconhecido;
Partiu a inocência, para nunca mais voltar...quando esta há muito tempo chegou pedindo nada além de um abraço, vi você sorrir;
Quando esta se despediu de uma vez por todas deste mundo, de seus olhos já cansados e arrependidos....sequer uma lágrima de tristeza ou alegria vi cair;
A inocência partiu....indiferença, foi tudo neste dia o que se sentiu;
A capacidade de sorrir ou chorar se perdeu com a facilidade de se conformar...se resignar;
A inocência enfim, para sempre parte em um trem solitário rumo ao incerto...segue em seu titubeante caminhar, esperando algum dia; algum lugar onde haja calor e algo parecido com verdadeiro amor;

Pessoas que se possam ser chamadas de humanas simplesmente, encontrar.




quarta-feira

A maldade é inata.

Quais as consequências de se partir um coração...qual a importância de alguém que partiu sem que você notasse?
Você parte um coração com a frieza de um assassino, sem perceber e aquela pessoa se vai;
Toma rumo ignorado, como areia que você esmaga em suas mãos, seu coração se desfaz;
O desgosto alheio, estranhamente lhe apraz, como satisfação de seu ego e de suas frivolidades, lenha para aquecer a fogueira das maldades;
A pessoa parte, se vai....talvez para sempre, talvez...para jamais;
Um dia, porventura...esta pessoa retorna, seu coração ficou em suas mãos e você o esmagou como areia, mas não se lembra...afinal, quem há de se lembrar de coisas inconvenientes?
Esta pessoa estará mudada, sem um coração caminhou por rumos obscuros que você sequer sonha, desconhece...com seus sentimentos ela também não mais se importa, do ser humano se esquece;
Os cacos do espelho que despedaçou irão cortar seus pés, e poderão te fazer sangrar em um mero descuido;
Antes de ferir alguém, seja como for...lembre-se, o fator humano é imprevisível, e a consequência de se ferir um anjo inocente, poderá no futuro ser terrível;
Diante dos seus olhos, não mais estará o ser frágil, mas o abominável...aquele que não se importará...que já pensa não ter mais nada a perder;
Antes de partir um coração...parta por um instante de seu próprio corpo, prove uma dose de empatia, e evite fazer com alguém cujos olhos que brilham de encanto....na escuridão eterna se perder.....
Criamos os monstros, nos lamentamos pelas consequências...hipocrisia à toda prova.




Pecados ou meios de sobreviver?

Todo vício há de ser suplício...todo vício é humano é não será pecado mortal, talvez fruto de desventuras....devaneios e enganos;
Todo vício é humano, todo humano há de ser errante, frutos quiçá de um mero engano....
Não se sabe por que viemos, quem saberá por que padecemos;
Qual pecado deverá ser exorcizado? Qual pecado, será anistiado....há pecado quando tudo o que nos rodeia é sobre sobreviver ao caos?
Os meios que utilizamos não seriam justificáveis para suportar nossa existência;
Do alto de meu flat, eu jogo ovos nos pobre, da rua...jogo pedras nas vidraças...até me enxergar  em um reflexo dos estilhaços...até me dar conta, que deste circo, também sou um palhaço;
Vícios e virtudes, todos teremos...alguns observarão nossas qualidades e vibrarão com nossas pequenas vitórias, outros.....apontarão somente deméritos e dirão que não merecemos;
Dirão que estamos perdidos, que não temos saída...que somos um problema, ainda que cuidemos de nossas contas e pagamos nossa própria dívida;
Dúvida....é o que resta. O que será realmente bom, o que será aquilo que não presta?
Diante de tantas juras de ódio, prefiro ser um entusiasta fervoroso da vida...todos tropeçaremos, prefiro estender a mão amiga ao sorrir e dizer: "eu aviseeei";
Isso jamais adiantou, isso jamais será de alguma utilidade...seja entusiasta da vida e das qualidades de seus semelhantes, lembre-se...também és um ser vil e errante.





João Cativo




Círculos interligados que imobilizam, movimentos que pouco transcendem à inércia;
Carregava consigo sorrisos que cruelmente arrancava, unia famílias onde a terra as encontrava;
Seu nome é crime, em qualquer lugar que estivesse...vidas ou quaisquer coisas que houvesse para roubar, sempre lhe apetece;
Vivia para fugir, para fugir ainda vive...furtivo por sua essência, sorrateiro ou efusivo...sua marca jamais fora a clemência;
Ceifeiro de vidas, ladrão de coisas mundanas e de almas...nascido e criado onde a sociedade se esquece, onde o governo lança somente suas migalhas;
Contradição ambulante...ora carregava, ora, como neste momento, carregado;
Carregado como mercadoria em um carro pintado e com luzes, que se acendem à sua procura, que pedem passagem após sua captura;
Fita o mundo lá fora enquanto alguns, o fitam na inércia com desdém...fita o mundo através de sua condição de cativo...temporário, entretanto, para se considerar definitivo;
O mundo e a justiça falha, por pouco tempo dele desdenha...através dos vidros de uma viatura comum, ele em silêncio sorri e sua próxima vítima, com seus olhos e seus planos já desenha...
João Cativo...o palhaço que entretém por minutos, nas ruas ou na mídia. O assassino que faz lamentar por anos, mais uma vida perdida...João Cativo, faz parte do show de horrores, do espetáculo que somos espectadores assíduos e mantemos vivo!



A vida é um filme.





A chuva finalmente caiu...alguém olhou para o céu e sorriu, outro olhou para o mesmo e por desânimo...de tudo desistiu;
O sorriso de alguém, o mesmo presente vindo do mesmo remetente, será o pranto de alguém em algum lugar igualmente carente....
Carente de atenção, alguns dos céus, outros dos seres que habitam e governam o vil chão;
Gente carente, que clama por uma gota de água para saciar sua sede, algo que se pareça com lágrima divinas e não de seus próprios olhos mortais;
Gente carente...que sofre em encostas e moradias irregulares, que implora pelo básico da atenção...e tudo que recebe é esmola e o castigo involuntário da natureza por sua pobre condição;
Há festa no sertão, há festa na mansão...há dor ao entorno de um ilustre desconhecido que se deita eternamente em um barato ataúde, um caixão;
O São Francisco, a terra rachada e as vaquinhas magras do sertão agradecem....o São Sebastião do Rio de Janeiro, se entristece...ao ver seus filhos dizimados por aqueles que prometem e depois, deles se esquecem;
A alegria do sertanejo e esperança do pobre e sofrido sertanejo é a tragédia de seu irmão distante, aquele que jamais conheceu...pois, de seu pedaço de chão jamais saiu para um passeio;
País continental...continente que abriga países. Países que abrigam irmãos distantes, que falam quase línguas diferentes, mas sentem na pele a mesma dor, de viver em um território rico com um governo ausente;
Não conheço o sertanejo, não conheço o carioca ou o sulista...sou pobre demais para viajar, sou um humilde trabalhador paulista;
Como gostaria de poder chamar este país de meu....como gostaria que toda lágrima que aqui caísse, ao menos na maioria das ocasiões, não fosse pela dor...e sim, pelo inevitável fim do nosso ato de gado, nosso papel sem graça de ator...ao Deus dará, sem nenhum diretor.




terça-feira

Sonho de um menino

De mel e de cores você parece ser feita...se veste das cores mais belas, és imagem para admiração e satisfação para uma visão perfeita;
Do mar você sai ofuscando sua imensidão com sua beleza, não é rainha, mas tem sua majestade...única e ímpar, obra esculpida da natureza;
A noite pode cair, mas você se eleva...lá fora faz frio...saio à sua procura ainda quando neva;
Te contemplar é meu deleite, te desejar é algo errado...és musa de admiração, não fora feita para satisfação, para o vil metal...não és objeto do pecado;
Musa de minha admiração, musa dos meus sonhos....parece real diante dos meus olhos, se assemelha com a areia que se desfaz quando ouso lhe tocar, simplesmente se liquefaz...
Assim como você se liquefaz, meus olhos derramam uma lágrima de alegria que a ti se une, em um sorriso de estranha alegria...ainda que seja imaginária, sua ausente presença me apraz;
Não serás tocada pelo rico, jamais será profanada pelo profano e sagaz...será somente musa da minha imaginação, minha imagem de perfeição....
Mulher perfeita, como deveria ser....viva somente em meu mundo de utopia, onde tudo lá eu terei a lhe oferecer;
Será rainha no mundo que é só meu....será alegria e alento para um delirante plebeu;
Será alguém para mim....e nosso mundo, em meus devaneios, será algo que poderei chamar de meu.


Pare o mundo, quero descer....

Por que a todo momento temos de ser fortes?
Por que, a todo momento devemos atender a expectativas e suas necessidades, ante a olhos alheios, serão sempre frivolidades?
Por que somos obrigados a viver na realidade que já foi a utopia de alguém do passado, sem contestar?
Por que devemos sempre ser reprimidos ao questionar situações que parecem lógicas demais para serem desagradáveis aos demais...?
Por que não temos o direito de enlouquecer....quem disse que não posso agredir meu agressor psicológico?
Quem há de ser polícia em um mundo onde sequer um verme miserável é digno de respeito?
Por que não posso voar nas nuvens, sem me preocupar quando retornar ao chão....?
Por que nos importamos com o que irão achar, e não com a meta que temos a realizar?
Por que cedemos tanto sem nada em troca receber?
Por que acreditamos em coisas que não vemos e preferimos colocar nelas as esperanças, enquanto transformamos o mundo onde existimos em um lugar ainda mais miserável para se viver?
Por que somos tão hipócritas e sempre contradizemos nossas palavras?
Por quê pedimos pela verdade ansiando para escutar a mais bela mentira?
Por que....parecemos ser filhos do nada, caminhando para lugar algum e suplicando piedade de um pai alcoólatra que nos abandonou há tempos?
Até quando usaremos muletas....são milênios. Será que ainda não somos capazes de andar com as próprias pernas?



Um lar, um dia.





Já pensei em retornar um dia, já pensei em reencontrar meu lar;
Já sonhei com o céu, já sonhei em repousar próximo à brisa do mar;
Já sonhei com esta casa, já pensei em ser pássaro para me livrar de uma prisão, usando uma imaginária asa;
Já quis querer que tudo fosse diferente, já quis desejar que nada houvesse para restringir meus sonhos em minha frente;
Já corri sem me preocupar com os percalços, incauto...contemplando um horizonte intangível com meu olhar ilimitado....
Pereci por ser um mero humano, por obedecer à regras e jamais ousar ser diferente sem ser contrariado;
Ousei sonhar, sonhei errado...ousei andar, tropecei em meus passos;
Confiei e estendi minha mão, recebi em retorno tudo aquilo que deixa marcas....alguma escoriação;
Acreditei o suficiente para aprender até de minha alma desconfiar....andei o suficiente aparentemente, mas não suficientemente para encontrar minha felicidade e finalmente, o lugar que um dia chamarei de lar.





Sirenes...




Sirenes...de perseguição, de alerta...luzes que se acendem e sons para chamar a atenção;
Sirenes que rumam aonde a vida, em seu último suspiro...esteja clamando por atenção, ressuscitação; 
Sirenes que rumam em direção ao perigo, abrem caminhos que indicam onde está tirando o direito de alguém, o vil ladrão; 
Sirenes...que são toque de recolher, prenúncio de bombardeio e destruição;
Mórbido é o som...parecem sentir a dor daqueles que em minutos, na carne sofrerão;

Sirenes, por todas as partes...em um sociedade onde é urgente a emergência por resgate do senso de humanidade;
Sirenes...algumas gritam, outras...amarelas, calam pelo luto e são companheiras das lágrimas que silenciosamente caem;
Sirenes...colorem involuntariamente, são geralmente anúncio de tristeza, de pressa para se evitar desgraça...ou então, serão sempre aquelas que conduzem o cortejo...quando já não há mais da vida...um simples gesto que não seja de póstuma lamentação ou respeito. Desejo iluminado de descanso em paz finalmente, restará na curta viagem, neste cortejo;
Sirenes...pela cidade, sirenes...obrigado por existirem e nos avisarem do perigo de nossa própria maldade.







"Hear the sirens....hear the circus so profound..." - Sirens - Pearl Jam

Ode à ostentação

O excelente valor cede lugar à ostentação;
Para toda liberdade de expressar sensata indignação, há de existir o ato majoritário de cruel admoestação;
Ostentar aquilo que se compra por um valor, mas aquilo que não toca o coração;
Carregar no peito ou no bolso pertences fugazes, esquecendo-se que como legado, jamais servirão;
O eterno pelo efêmero;
O sagrado pelo profano...o culto do corpo e de coisas comuns em detrimento da sublimação da condição de réles humano;
O valor que ostenta não preenche o vazio do seu ego;
Quem te segue, seguirá por mero interesse ou por ignóbil condição de aculturado e cego;
No linha do tempo, não restará poeira que remeta à sua existência, pois vazia é sua mente, vil é sua alma e, paradoxalmente, grande é seu ego;
Na linha do tempo, seu nome não será lembrado, onde descansará eternamente será ao lado do mero indigente;
No além não haverá nada para ostentar, a não ser aquilo que se chamava caráter neste planeta que temporariamente, veio para visitar;
Em livros ou em mentes evoluídas, sua história não fará parte...em páginas não estará escrita;
A subcultura e a perversão enaltecidas.....mas, o ouro verdadeiro e diamantes de brilho raro...como as obras de inestimáveis valor; ainda que por poucos....jamais serão esquecidas.