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sábado

Vida e morte de Teresa, uma brasileira.

Nasceu sem coroa, em berço de madeira. Não tinha sangue azul, sequer fazia parte de alguma realeza.
Fruto do amor de dois ilustres desconhecidos, miscigenação típica brasileira.
Foi trazida à luz em uma aconchegante tarde de primavera, tendo como nome de batismo Teresa.
Menina inocente, menina sonhadora. Sonhava com o que via e não podia tocar, imaginava em seus pés descalços, tênis confortáveis que se via em anúncios, para correr e brincar. Sonhava com a Lua em suas mãos, com bonecas com adornos de ostentação...o sorriso de uma estrela reluzia em seu coração.
Teresa, menina inocente. Dentre tantos ilustres de sua vizinhança, era alguém com uma presença marcante para as crianças a serem lapidadas como brutos diamantes. Entretanto, era alguém desprezível para adultos da alta sociedade, nada além de um pequeno ser repugnante...o flagelo social contaminado a ser evitado.
Contaminada ela, somente se fosse de alegria. Com tantos motivos para chorar em seu lar despedaçado, escrevia seus primeiros versinhos e sorria. Sorria para os que em segredo lhe odiavam, sorria sem distinção alguma, para os desamparados.
Menina de ouro, de alto quilate.Tornando-se foi adolescente, ignorando as adversidades do tempo, onde era agora, necessário correr contra o tique e taque e nadar contra correntes.
Em suas vestes modestas, trazia em sua presença a festa. Em um local de ignorância, compartilhava conhecimentos de vida e acadêmicos, impressionantes para os céticos quanto às condições para seu desenvolvimento e ofuscante, para aqueles que gozavam de caros livros e tecnológicos instrumentos, que viviam como pseudo intelectuais no interior de seus luxuosos apartamentos.
Teresa....mulher se tornara. Jovem e idealista.
Sonhava em ser repórter, trabalhar para uma conhecida revista.
Recém formada em seu curso de graduação superior, empregou todo seu entusiasmo e todo seu amor em busca da realização de seu singelo sonho. De conquistar dentre tantos iguais, um distinto espaço.
Conseguiu seu objetivo, sonhou em ser livre.
Ousou comentar sobre assuntos tabu, tocou as feridas abertas da sociedade, da polícia e do crime.
Crime contra aqueles de sua origem, que buscaram por sua própria identidade. Crime contra mulheres, que sofriam por sua condição em sua sociedade.
Teresa...sonhou um dia, viveu, chegou onde queria. Das privações de uma favela, de onde observava pela janela um bairro chique, viu-se cruzando para o outro lado do jardim, sem jamais se esquecer de suas origens.
Teresa, sonhou um dia, escreveu, porém....perturbou a ordem vigente. Seu nome já não era o de uma desconhecida e rotulada transgressora delinquente. Mas sim, de uma jornalista muito influente.
Jovem, aos vinte e cinco anos. No auge de sua juventude, com pela frente tantos planos.
Menina pobre, retornou morta para seu velho lar, seu corpo desfigurado em um rio poluído como a sociedade que ousou criticar, suavemente a boiar.
Morreu Teresa. Mulher de fibra, mulher brasileira.
Menina que sonhou, que as estrelas jamais alcançou, entretanto, uma se tornou.
Mulher que sonhou com um mundo melhor para aqueles de sua cidade, especialmente para os flagelados como ela, o fim da disparidade, alguma igualdade...sonhou demais.
Mexeu com o bicho homem que ainda não conhecia....ser mais temível que Satanás.
Morreu Teresa, identidade brasileira. Seu corpo aqui jaz, sua alma e seu legado, vive nas mentes daqueles que inspirados por ela, buscam seu lugar. Que acreditam, que pagar com a vida, seja um preço justo para jamais deixar de lutar....descanse em paz, Teresa.
Toque agora a estrela, brilhe onde estiver. Menina de sorriso marcante, doce exemplo de mulher.
Tiraram sua vida, mataram seu corpo.
Suas idéias agora, inspiram gerações futuras. Cada minuto de seu breve existir, trouxe a oportunidade e uma lição para qualquer um de nós, ante a quaisquer adversidades, seguir em frente, romper com os paradigmas e ainda por cima, manter a capacidade de sorrir.

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