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quarta-feira

Nosso doce estupro de cada dia

Para o preto e para o pobre....Polícia!
Para o rico e para o grande infrator...anistia pela malícia!
Para todo ser que não tem, o peso da Justiça;
Para quem com dinheiro compra, e é aquilo que tem, a outra face da mesma Justiça;
Para os excluídos, repressão e discriminação;
Para aqueles que gozam de uma falsa sensação de inclusão...indiferença, preconceito travestido de afeição;
Para aquele que não puder provar que seja inocente, ainda que o seja, tratamento hostil...do militar que devia ser protetor e amigo, todo tipo de ofensa e agressão;
Para o militar que deveria estar nos quartéis, sendo treinado para defender a soberania do nosso Estado que não é nação, soltos estão nas ruas, para cumprir ordens de quem mais puder mandar, como um odioso cão;
Para quem nasceu miserável e rodeado por miserável condição, a grade da prisão;
Para quem possa pagar pela Justiça, pela Polícia, pelo preço da sonegação....saúde, vida longa, educação e ostentação!
Para quem paga seus impostos, opta por uma vida de honestidade e busca deixar em seu legado uma lição...que seja considerado um trouxa, mais uma vida que se perde na multidão;
Ode à nossa sociedade hipócrita, vida longa para a nossa falsa sensação de progresso e evolução.

O preço por ousar...

Lidere uma multidão adiante, numa insurreição ou manifesto e seja abandonado pelo seu povo, pelo resto;
Seja enforcado então, pela omissão destes seus liderados, morra como líder indigente e indigesto;
Pregue a uma multidão palavras de salvação, palavras de esperança;
Na cruz, esteja livre para pagar pelos pecados que não foram seus, por abraçar a causa perdida, a desesperança;
Ouse dar um passo adiante sem pisar no território alheio, ouse ser autor de sua história...de seu fim, determinar o meio;
Esteja livre para sentir o peso da censura e da loucura, do egoísmo que há milênios impera da sociedade, em seu âmago, eu seu seio;
Acredite o bastante para escrever, acredite que com palavras, uma multidão irá mudar;
Acredite que possa com seus atos mostrar o caminho, acredite que uma massa de ignorantes possa manobrar;
Acreditar...nobre arte do ser humano, triste falha daquele que comete este engano;
Necessário para que alguém se torne pleno, necessário...para que alguém pelos demais, tome o cálice de veneno;
Do cadafalso, ninguém que te acompanhou irá te salvar...da guilhotina, sua cabeça ninguém jamais irá retirar;
Então, antes de abraçar a uma causa...pondere se vale a pena esta abraçar, pense por quais pessoas está disposto a lutar;
Muitas vezes, de sua coragem e bravura, de seus atos e palavras, assim como sua vida se encerra em punição exemplar...a vida segue adiante. E de ti, ninguém jamais irá se lembrar.


terça-feira

Vamos pedir piedade?

Vemos em casos recentes...naqueles que são filmados e expostos a olhos entusiastas e deleite de facínoras curiosos...o espancamento de jovens por praticarem atos tidos como "imorais", em uma sociedade que alimenta a imoralidade em todos os veículos de comunicação, que respira a adoece com o veneno de sua própria criação.
Como abutres que rodeiam carniça, pessoas defendem a punição física, o castigo que humilha impiedosamente se aplica e deixa marcas indeléveis para o resto de uma vida...quando uma criança falha, com o intuito de "corrigi-la".
Pois bem, acredito eu que a educação venha do berço e do meio onde vivemos. Como podemos cobrar de nossos jovens, vindos em sua maioria de lares despedaçados e abandonados à marginalidade e à própria sorte, algum tipo de atitude diferente das que, com olhos de cinismo barato a sociedade observa, condena...e julga. Coibir com o cassetete ou com o cinto é a melhor solução? De falso moralismo já estou farto, e de pessoas que pregam a punição, mas praticam seus crimes favoritos na escuridão, também. 
A mesma mão que se junta à outra para suplicar por perdão, é a mesma que com maldade, motivada por algo que se parece com frustração, espanca, causa a dor...não tem piedade, não conhece a compaixão.
Pois bem...com a frequência que tal fato ocorre em países em lenta evolução, como o nosso, acredito sobraria vaga em qualquer prisão. Não é o que se observa, claramente.
Educação...livros, oportunidade. Luta da população contra um governo corrupto, contra uma Copa do Mundo da vergonha de da oportunidade....oportunidade de se desviar mais verbas, de perpetuar o caos, de continuar a pintar nossas caras com maquiagem de palhaços sem a mínima graça (a não ser para os que de longe nos observam) e para nos alienar com o futebol idiota e com Carnaval.
Francamente...sociedade decadente, pessoas decadentes. Ainda acredito e por esse motivo, ainda escrevo para alguns. Ainda acredito que haja pessoas que pensem em consonância com a razoabilidade, e não com o fanatismo infundado ou o instrumento de açoite em sua mão.
Piedade...de nossas crianças que não pediram para nascer e sofrem em paternais mãos....piedade, das crianças abandonadas à marginalidade por um governo omisso e vagabundo, corrupto por excelência e populista por conveniência. Piedade, de nós....quinta economia do mundo, uma das piores e mais cruéis sociedades que se dizem "democráticas" deste mundo. Afinal....o que significa democrático para um povo cuja imensa maioria é composta por semi-analfabetos funcionais, que vivem de nossos impostos? Os cidadãos de bem...aquele senhor ou senhora distintos, que algo por este país por ainda não ter perdido sua fé, ainda faz?
Piedade das moscas varejeiras que vivem sem saber rodear o lixo....piedade dos vermes que não sabem fazer algo a não ser parasitar...cuidado ao lançar palavras ou atos de solidariedade verdadeiros em um mundo de canibais que se diz nação. Alguém pode te interpretar mal, e se alegrar ao te ver sofrer a "merecida" punição....ou mesmo, te ver repousar para sempre, dentro de um caixão.

Cortesia: BANGLADESH...país com IDH parecido com o nosso e barbáries semelhantes

segunda-feira

Cuidado...senão você dança!

Se parece com fogo, que aquece e brilha em uma noite de inverno;
No entanto, queima a pele, ao tocar por se encantar...se transforma em inferno;
Pensei ser eterno, aquilo que era fugaz por natureza e ante aos meus olhos cegos, se desfazia;
Parecia-se com brisa que sopra agradável e fria, mas as pás do moinho, jamais moveria;
Fez-se ante aos meus olhos, criatura de minha mente, criatura de minha criação;
Com o passar do tempo, tudo o que reluzia como ouro, um tolo levou à perdição;
Movimentam-se os ponteiros, ignorados pelos repentinos e impulsivos anseios;
Passa o tempo, a vida passa ante aos olhos...no espelho, as marcas do envelhecimento;
Construí em minha mente os obstáculos, caí no braços da vida...que mais se pareciam com tentáculos;
Em um porto seguro jamais aportei, tudo parecia perigo dentro do nada que alimentei;
Pelas mesmas calças que a austeridade caminhou, o orgulho inevitavelmente tropeçou;
Pelo mesmo fim que de minha própria história escrevi, o ponto final o destino desrespeito...e com requintes de cruel insanidade, a roda gigante novamente ele girou;
Aqui estou, onde já estive, onde jamais deveria ter estado;
Onde o doutor e o vagabundo se transformam em um só...um sai caminhando, e outro, em um luxuoso carro;
Aqui estou, onde toda a inocência cega o bastante para se perder no pecado;
Parecia com metal valioso uma vez mais, aquilo que eu via;
Parecia seguro, o fio da navalha por onde eu caminhava e em meu orgulho não percebia;
Parecia verdade o beijo, no qual naquela noite, eu me perdia;
Parecia eterno, aquilo que foi mágico,...mas, trágico se fez e perdeu sua magia em mais um raiar do dia.



Lábios de mel, lábios de fel.




Te encontrei em uma noite, onde o vento soprava, onde a Lua sorria;
Conquistei seu olhar sem pretensão, enquanto minha sobriedade adormecia;
Contigo troquei palavras de ternura, palavras em que minha tenra idade me apeteciam;
Tinha gosto de mel o toque de seus lábios, cheirava à álcool e pecado a paixão que ali acontecia;

Contigo vivi algum tempo, contigo, aprendi o que foi acreditar no amor por algum momento;
Contigo, aprendi o que era sofrimento, quando mesmo em sonhos, parecia te perder para o tempo;
Prenúncio de algo que eu repudiava, resumo de uma peça da qual o desfecho, eu já temia e esperava;
Junto de ti, perdi a mim mesmo, quando incondicionalmente te segui e, em seu mundo estranho, me encontrava;

Parecia que ali eu pertencia, parecia que eterno era o fogo que nos aquecia;
Parecia com um filme o roteiro que nossa vida seguia, parecia com triste final, o desfecho que eu já previa;
De sua boca e em suas palavras provei o mel...vivendo em sua história, descobri o amargo gosto do fel;

Era vida o que me trazia por um dia. Era morte, do meu ser, aquilo que contigo eu vivia;
Contigo, caminhei na Lua, as estrelas contava e da minha própria identidade me esquecia;
Parecia com verdadeiro amor, aquilo que por ti sentia. Parecia mentira...aceitar que pela primeira vez, algo que parecia tão puro e inocente sentimento...para as trevas me conduziu e por anos, me traía.


O palhaço

O palhaço que no picadeiro encantou, o palhaço que na vida, chorou;
Das lágrimas de riso que um arrancou, das lágrimas de pena que alguém pelo outro derramou;
O show continua, a vida segue seu caminho;
O palhaço do circo veste sua maquiagem e mais uma vez, faz de sua cômica figura a alegria de um adulto ou de um garotinho;
O palhaço da vida, acorda cedo para trabalhar onde não escolheu, onde maquiagens ou máscaras...suas lágrimas não ocultou, seu desgosto não escondeu;
Caminhos opostos, caminhos paralelos...caminhos que por vezes se cruzam, quando as luzes se apagam; 
Quando a realidade e sua crueldade, removem as máscaras, e nos bastidores da vida...todos são iguais, dores distintas se abraçam;
No abraço de piedade que somente testemunha o espelho, se encontram o ilustre saltimbanco e o anônimo palhaço;
Na vida, quando as máscaras caem ou a maquiagem se desfaz, nada mais é oculto;
Nada além de pele sofrida e alma combalida e olhos soturnos...o homem abraça a sorte, o homem abraça o mundo;
Algumas vezes, no vácuo do descaso permanece...por ser palhaço. Por ser centro das atenções para entretenimento ou para troças, e não ser digno de atenção por um segundo;
Da vida e do mundo, após sua breve jornada, resta nada além do homem, palhaço por profissão, ou...palhaço por não lhe restar opção. Tão distintos...e tão parecidos em sua solidão.


Adeus meu amigo, Adeus..meu eterno amor.

Ao deixar a ti, sinto que deixo também uma importante parte de minha história, deixo parte de mim;
Ao ver você partir, sinto como jamais senti, lágrimas de dor escorrerem pelos meus olhos, lágrimas de sangue choro por ti;
Ao abandonar você, que me ensinou o que é emoção...o que é ostentar o orgulho e a raça de um campeão;
Sofre a minha alma, parte meu já destruído coração;
Por amor, te deixo partir por razões que somente saberá o Criador;
Por te deixar partir, continuo acreditando que sempre irá alegrar a milhões de faces, por todo o Brasil, eternamente te seguirão onde for;
És maior do que eu, és maior do que meu amor traidor;
Foste a razão de meu sofrer e do meu vibrar, foste da minha vida, meu único e verdadeiro amor...
Sempre à distância, estarei a te acompanhar...e sempre sua glória, do gigante eterno que aprendi com os anos admirar, estarei em segredo a desejar;
Sempre que ouvir o grito desta maravilhosa nação nas arquibancadas ainda que vazias em minha memória a ecoar...alegrará em silêncio meu coração, pois jogar é sua missão...e sua razão é a quem te ama, jamais por outro te trocar e sempre...emocionar;
Palmeiras...minha vida foi você, Palmeiras...se soubesses quanto dói o meu sofrer...Palmeiras...como é triste o dia sem ostentar o orgulho de ter você.
Adeus meu orgulho, adeus meu amor...sigo com o coração em ti, ainda que em silêncio...seja onde for.
Eterno gigante, eterna nação...valeu pelos anos que sofremos juntos, valeu pelos anos que gritamos em uma só voz: É CAMPEÃO!!!!!!!

Recomeçar...é pedir demais?

Recomeçar...se parece com pedir no vácuo, o direito de respirar;
Recomeçar...viver a vida em ilusão de progresso, voltar atrás em amargo regresso;
Viver para em um instante sorrir, viver para dar a alguém o prazer de ver seu castelo ruir;
Viver pra se lamentar de um destino infeliz, viver no gosto diário da morte a maldita sorte;
Não acredite em mim, quando eu mesmo hesito em minhas possibilidades acreditar;
Não olhe pra mim, quando eu mesmo, detesto no espelho todos os dias a culpa que vem para me atormentar;
O que habitou em mim se cansou, o bem que em mim viveu, em amargo desgosto padeceu...faleceu;
Viver, para em um amanhã acreditar....para o passado este sempre lhe trazer;
Viver, em uma roda gigante onde o horizonte se contempla, mas jamais se alcança;
Siga a viagem, estamos de passagem. Pela vida, sempre fui da presença uma abstrata e irreal imagem;
Siga adiante, ninguém deve se atormentar por um defunto que insiste estupidamente em caminhar;
Seguir, é meu destino, sem rumo, sem saber por que andar. Sentir dor é minha sina, meu destino é sempre trazer o que irá machucar;
Não olhe para mim, não olhe para trás. Siga adiante, livre-se do que pesa por demais...livre-se do que não é, não foi...e jamais será.

A pior parte, aquela que não parte...

Por que ainda parte por dentro o coração, aquilo que parece ter partido, mas do peito jamais partiu?
Por que persiste na mente, aquela que já outrora já foi-se embora e por algum motivo, ainda que do subconsciente jamais saiu?
Paira no ar como fantasma pela casa, pára por um minuto o coração, põe silêncio em sua fala;
Pela parte daquele que espera, na porta ou na janela, pesa o peso de  saber que não mais verá quem no passado já viu;
Pela reluzente esfera que no céu se põe, pára para contemplar seu nascer e seu adormecer, parecendo algo esperar que um dia adentre por ali, sua sala. Paira no ozônio que o envolve, a saudade que a pele queima, e a tristeza que não cala;
Enquanto isso...passa o tempo, o tempo passa. À toa parece passar para quem padece. Em nada parece ajudar a remover o peso  no peito daquele que em seu leito, à noite o travesseiro com suas já frias lágrimas de desesperança...arrefece.



domingo

A bíblia e a sociedade

Pessoas que esperam do céu uma solução para os problemas que elas mesmas criam. 
Pessoas que condenam a violência que vêem nas ruas, mas praticam, instruídas pelas Bíblia contra seus próprios filhos.
Pessoas....que precisam de um norte, que precisam de um líder. 
Não aprenderam nada com Cristo, e se julgam no direito de demonizar Hitler.
Acreditar em um Deus...talvez. Acreditar em palavras escritas por homens durante séculos, por mera conveniência...o cúmulo da estupidez. 
Pessoas, falhas e contraditórias. Esperam sempre de alguém...do governo, da sociedade...nunca de si mesmas, e toda a culpa atribuem aos outros e à história.
Fundamentalismo cristão...este por mim é mais temido que o fundamentalismo persa, ou árabe.
Estes últimos, são assumidamente rigorosos e têm claras suas restrições e punições.
O que paira sobre este país é a incerteza, onde muitos deixam de acreditar na ainda utópica, mas viável democracia e preferem cegar seus olhos com uma bíblia e com a hipocrisia que se põe à mesa.
Um país que demoniza quaisquer tipo de drogas, mas apóia o consumo irrestrito de álcool, um país que fede à cigarro e cerveja.
Pessoas que interpretam ao pé da letra, por falta de instrução e discernimento...ou por pura conveniência, aquilo que foi escrito pelo homem há milhares de anos, em um diferente contexto.
Compre sua salvação com o dinheiro...sim, aquele mesmo que Calvino dizia que dignificava o homem no passado, pois se tratava de fruto de seu trabalho (ou exploração dos seus irmãos).
Realmente...pessoas ainda me dão medo, pessoas são estranhas. Com elas convivemos, mas elas, jamais compreenderemos.
"Castiga teu filho com vara enquanto há esperança, mas não te excedas ao ponto de matá-lo".
Ensinamento bíblico....por isso, ainda acredito que o homem possa determinar seus próprios caminhos, por isso, acredito que o maior castigo seja o psicológico e não o físico...por isso, acredito que há necessidade de recuperar, e não de matar.
Atrocidades em nome de Deus! Queimar livros em nome de Deus! Espancar os filhos...em nome do mesmo....sinto muito, eu passo! Se fossem por estes boçais, algumas obras humanas geniais estariam destruídas em dias atuais.
Realmente compreendo agora...porque longe, lá fora. Em países nórdicos, que são exemplo de sociedades evoluídas...é grande o número de ATEUS, é excelente o IDH e grande a EXPECTATIVA DE VIDA!
Gente civilizada, realmente é outra conversa!


Silêncio é Ouro

A voz do juízo, a voz da insanidade...a voz sem propósito vocifera e a voz de toda iniquidade;
A voz que insiste em falar sem propriedade, invadir por diversos meios os lares;
A voz que se ouve em conversas de botequim, a voz que se ouve em contendas nos adjacentes lares;
Vozes....um boca para falar, dois ouvidos para escutar...uma mente para enlouquecer;
Desejo com intensa e calada ansiedade, quando todas as vozes...por um minuto se calarem em toda cidade;
No silêncio surge a idéia, a solução; no vozerio...fomenta-se discórdia, digladia-se divergente opinião;
No silêncio reina a paz, o equilíbrio se restaura e a mente, é capaz de produzir sem dizer o que a voz fala, mas não faz;
No vozerio...pessoas tentam se impor por sua austeridade, sem argumentos por pouco pensar e demais falar, criam problemas que causam inveja aos irracionais;
No silêncio, em um hospital ou em um templo...salva-se a alma, salva-se a vida;
Na gritaria...se perde a razão, se perdem oportunidades, se perdem as mesmas vidas;
Silencie sua voz e seu juízo...coloque em questionamento aquilo que prolifera em palavras, se faz para alguém ou para si mesmo, algum sentido;
Silencie sua voz, vá ler um livro....exercite sua mente; tenha a voz calma de um ser digno de ser chamado racional, e não de um demente;
Silêncio...a calma que pede o corpo, onde a mente e o ser se fazem plenos, onde surge a oportunidade para a evolução daquilo que se chama de alma;
Gritaria...onde o homem se faz de fera, onde multidões se parecem com fauna...onde acontecem tragédias e guerras, onde alguém no final, sempre chora.


Dinheiro






Foi-se tudo aquilo que um dia parecia seu, foi-se todo seu inútil esforço repentinamente como ceifado pela foice;
Era nada tudo o que dizia possuir, era nada...ante a magnitude de um mundo que o mundo sem cobrar lhe dava, do qual este, com mordaz pretensão pensou que se apossava;
É da vida, aquele que compra o quase tudo, aquele pelo qual morre cedo e na ilusão o pobre e engorda a barriga e a conta do que explora e vive no luxo e se considera por o possuir, sortudo; 
Aquele que compra o veneno que mata e é ganho sob  o açoite, aquele que não possui tanto poder quanto pensa ter para, em dia, transformar uma noite;
Foi aquele que o ouro sem sua nobreza ou seu brilho inato substitui, em sua condição miserável e frágil de metal barato ou papel;
Foi o mesmo, que comprou palavras de sabedoria, mas jamais trouxe paz e conhecimento a quem o utilizou; 
A ignorância e arrogância somente fomentou e jamais extirpou. Por ti, guerras começaram...o mundo sempre se acabou e com você, recomeçou;
Trouxe à notoriedade uma burguesia...trouxe aos pobres de alma, algum status pelo qual com você pagariam;
Mas, jamais entre os nobres deixara de ser pobre, simplesmente, um ignóbil ser esnobe;
Seria algo talvez, se não tivesse sido vil metal que vidas comandava, doenças não curava, a morte encomendava...mas, ressurreição não comprava;
Aquilo que sob o árduo Sol, sem um sorriso no semblante e por sobrevivência excruciante, o ser humano se digladiava...
...tente comprar a fé dos desesperados, comprar indulgências...tente comprar salvação. Mas, por ti, vil papel, vil metal...não terá piedade o toque da divina mão.


Brasil, mostra a sua cara...tens uma?

É impressionante ver aqueles que demonizam Stálin, defender o retorno de uma ditadura em nosso país que, mesmo em seus percalços diários, ainda busca uma identidade e quem sabe, ruma em direção à idealizada democracia de verdade. Ao menos, neste sistema a chance ainda está em nossas mãos, próximo do ideal podemos fazê-lo real, se dispostos estivermos a lutar por nossos irmãos.
Muitos defendem que no poder, deveriam estar os milicos que o tomaram há anos atrás, que impuseram a lei da mordaça, afundaram o país em dívidas e desfrutavam de luxo enquanto a população, perecia. O Capitalismo aqui funciona bem? Está satisfeito com tudo o que paga e com o pouco que ganha? Consegue comprar tudo aquilo que se vê em outdoors sem se endividar e acredita ser livre? Parabéns, você é mais um idiota.
Stálin foi um assassino de tártaros, especialmente...Hitler, de judeus, polacos, e quem aparecesse pela frente...os EUA, que tantos aqui admiram, não medem esforços em assassinar quem quer que seja para matar sua sede de riqueza. 
Nossa "querida e saudosa" ditadura militar, a qual tantos enaltecem em seu cúmulo de estupidez e falta de argumentos...diria até de amor próprio, matou em salas ocultas, em cantos onde o filho chora e a mãe não escuta.
Muitos pensadores e estudantes socialistas eram brutalmente perseguidos, exilados ou assassinados. Nas leis do quartel, onde não se criam "homens de verdade", mas sim soldados...e por vezes, carrascos; não se ensina nada além do cumprimento de ordens e imposição da vontade destes ou de alguém pelos mesmo protegidos a qualquer custo.
É cômodo demais para a geração coca-cola e video game, para a classe média emergente, clamar por segurança....mas, de uma forma absurda e com pobres argumentos. Pedir para alguém fazer sempre, típico tupiniquim, o agir estupidamente.
Desejar o progresso implorando o retrocesso, não é solução e jamais foi.
Talvez, se nosso povo tivesse identidade...se nos enxergássemos não como indivíduos somente, mas como real sociedade; não pereceríamos nas mãos dos déspotas atuais, traidores de suas próprias convicções. Aqueles que praticam o populismo barato e pregam a alienação das multidões.
Concordo. Nossa democracia ainda tem cara de ditadura...nos falta segurança, a qual o próprio Estado nos tirou o direito de fazer e não nos fornece adequadamente, sequer o básico para aqui sobreviver, ainda que com a arrecadação absurda de nossos impostos.
Democracia onde se obriga a votar, democracia....onde existe Copa e eventos para distrair, meios para alienar. Para varrer debaixo do tapete o flagelo das favelas, onde existe uma polícia que mais parece nossa inimiga, que só serve para recolher nossos corpos e nos impede de lutar por justiça.
Realmente...todo sistema é perfeito em sua utopia e falho em sua implantação, pelo fator humano que o gerencia. 
Observar uma maioria pedir pelo retorno de uma ditadura militar, me faz lamentar por não ter nascido em outro país, por não ter tido esta opção...faz com que alguns de nós pense em desistir, nos traga extrema desilusão.
Mas, ser conivente com a corrupção, pagar caro sem sequer ousar boicotar, pensar em uma vez na vida dizer um NÃO...chamar de baderna qualquer tipo de manifestação....repudiar a idéia de que, talvez, pegar em armas e promover uma guerra civil seja a única solução.
Realmente, só tenho a dizer....o maior problema deste país, não é somente a falta de identidade, a falta de sangue nas veias e a subserviência em relação ao patrão. O problema maior que persiste e nos torna eterno motivo de troças pelo mundo, é nossa falta de EDUCAÇÃO!


sábado

Cem

Sem pretensão, sem me importar...iniciei minha curta jornada de vidraça, expus a real ou fingida emoção.
Sem querer começar, por anos escrevendo na escuridão...por alguém fui encorajado, alguém que sempre achou em meus dizeres algo para aprender, ou ao menos, para considerar.
Sem pensar, iniciei tardiamente aquilo que há anos atrás...deixei no ostracismo, embaixo do colchão.
Sem acreditar que seria possível, de alguns chamei a atenção, acreditando que tudo aquilo que escrevia não passara de lixo, mero instrumento para manifestar alegria particular ou lamentação.
Socializar a informação, compartilhar a emoção...sem pensar, me empreendi nesta aventura e gostei da sensação.
Sentir que alguns, ainda que raros, encontram naquilo que escrevo algum motivo seja por um segundo, seja para o que for.
Sentir que posso falar da vida, descobrir que o universo girava além do meu ego, em minha solidão.
Que alguma relevância encontrariam minhas palavras para outros em meio a multidão.
Sem pensar, me lancei a missão. Sem hesitar...continuo, ainda que o mundo conspire contra minhas vontades sempre me dizendo que não.
Sem escutar a voz da negação, desta vez decido seguir adiante...mostrar ao mundo um pouco daquilo que está em minha mente aprisionada em meus complexos, aquilo que está oculto no meu coração.
Aquilo que é real, aquilo que eu desejasse que fora real...vivências e desventuras, anseios e devaneios.
Sem pensar e à voz reticente que sempre freou meu projetos, não estar disposto a escutar. Sem pensar e por ainda acreditar...que além de mim, alguns queiram de mim mesmo, algo ler ou escutar.
Cem! Aqui estou...número que para alguém possa não significar nada, mas em pouco tempo, que se parece com longa jornada. O maior presente que alguém que se atreve...alguém que escreve pode receber, é justamente perceber que possui algo para dar.
Não estou aqui para aqueles que nunca se importaram, passar a se importar. Não estou aqui, para aqueles que jamais agradei, tentar agradar..estou aqui para com o mundo me comunicar, estou aqui, para novos amigos além de meu pequeno horizonte, conquistar.
Cem! Um brinde à minha audácia, um brinde à vossa paciência...e que muito mais pela frente, ainda haja!
Obrigado, caros leitores. Por trazer alguma alegria a este anônimo que, por longos anos, observou a vida e seus protagonistas, seus atores....jamais havia falado das emoções, jamais havia falado das flores!



Máscaras e Parasitas

É motivo para alguém, algum tempo perder e no papel, sobre ti escrever;
É o vozerio que perturba; aquele que estarrecidos observamos seu cinismo e sua caridade barata que emana egoísmo;
Um minuto de silêncio atribuímos à sua insignificância, para que na plácida e introspectiva quietude, poder os ânimos acalmar e sobre o mal que você destila em palavras, dissertar;
Faz-se de dálias perfumadas ou rosas atraentes;
Se faz de espinho...que, quando encantados, tocamos e ferem a gente;
Jamais foi flor que perfume em sua presença, és erva daninha que nasce e prejudica, sem precisar de licença;
Faz-se de amigo, quando sabe que é algoz. Sempre na espreita um inimigo;
És do espontâneo sorriso o ladrão, és da felicidade o assassino satisfeito, encontra em lamentação alheia sua redenção...encontra no infortúnio que causa, seu maior feito;
Se faz de anjo, ostenta no seu semblante a paz e no fundo dos seus olhos, vê-se o perigo que a ninguém apraz;
No entanto, não é anjo, sequer é bom o suficiente para se parecer com sagaz perigo;
É um vil ser andante...que caminha sobre duas pernas e vive sem saber o motivo;
Tenta ver no prejuízo alheio algum alento, algo que lhe faça algum sentido;
Tenta viver, sem como exatamente saber, sem ser parasita por um dia...algo que trará no máximo nojo consigo, algo que lhe faça valer pouco mais que uma imunda vadia;
Indiferença pela sua presença, suas palavras nada agregam;
Todos sabem que parte de ti, pura demagogia que aos tolos cegam...e porventura, por instantes alegram;
Não me traga seu açúcar barato, pois amargo é meu sangue;
Não teste os limites daqueles que possuem caráter e dignidade...pois, até mesmo um parasita, há de ser incômodo para que seu hospedeiro, em algum momento se zangue;
Procure outra habitação para morar, busque dentre a multidão seu lugar;
Se capaz não for de viver sem desgraças alheias para admirar e comentar ou para o sangue alheio sugar...por que não, fotossíntese, recolher-se à condição de vegetal que se parece não aceitar?
Para alguém, diferença não fez e jamais fará. Para si mesmo...eternamente sua maldição é tentar se distinguir, encontrar sua identidade perdida...sem jamais saber se aceitar;
Pobre parasita...vivendo somente para parasitar.


O menino e a pipa

O sonho do menino pobre, nascido na favela do Mesquita, se chamava brincar, se fazia de pipa.
Em uma relação de mútua e singular emoção, a pipa fazia seus olhos brilharem no céu; a pipa ele construía como um sonho colorido, um sonho de voar parecido com o de Ícaro,que em sua pobre e inocente mão, o colocava nas alturas sem se preocupar com a cera que o traria ao chão. Menino da pipa...corria contra o vento, elevava seus sonhos o mais alto do que qualquer monumento. Voava sem sair do chão, em sua vida, bastavam o vento, o chão, e um carretel em sua mão.
Elevava seus sonhos, garoto que ante a desgraça que o rodeava se fazia alheio, se fazia risonho.
Garoto que não tinha um sonho, pois vivia em sua vida até então, seu momento de glória...fazia em cores que subiam e em linha que controlava, despretensiosamente, um doce pedaço de sua história.
Não precisava do ouro, não precisava de nada além do que a natureza lhe dava. Não precisava para dormir a noite, sequer de um conto. Nos bolsos, trazia somente uma moeda, um conto necessário para colocar no céu seu sonho.
Um belo dia, a inveja que neste mundo nos rodeia e à qual todos estão sujeitos, resolveu invejar até mesmo seu pequeno universo. E com a crueldade de quem usa cerol cortante, cortou o seu pequeno pedaço de mundo...seu humilde sonho, o despertando para a vida que não queria de seu agradável sono profundo.
Na tenra idade, ainda nos seus nove anos, obedecera ao chamado do mal, sem ainda conhecer a maldade. Fora aliciado por lobos, escravos de um sistema marginal, propagadores da marginalidade.
Ao mundo dos entorpecentes fora cruelmente chamado por meninos mais velhos, que já conheciam o pecado. Iniciou-se então o caminho que o levaria para um triste desfecho, o fim do sonho de pipa de um menino. Com a cola e papel fazia subir seus sonhos, seu pequeno projeto aéreo de liberdade...com a droga, perdeu-se em seus passos, colocou ponto final em vidas, fez pousar para sempre no chão triste da realidade. Usou seu instrumento de sonho, que recém perdera sua inocência, para servir a um traficante da comunidade. Foi sem querer, conivente e contaminado ainda em sua pouca idade, onde seu caráter ainda estava sendo moldado e ansiava por um gesto caridoso de bondade; com a corrupção e destruição de vidas, com os escravos da maldade.



No tráfico se perdeu para sempre o menino que sonhava...pensava agora nas notas que arrecadava, sem se importar com as vidas que, sem se dar conta aos poucos ceifava.
Morreu a criança, nasceu o adulto. Morreu o inocente, nasceu o meliante.
Todos os dias, nas esquinas escuras da vida, nos lugares onde não são lembrados com a devida frequência...morre a inocência e nasce a delinquência.
Enquanto isso...um outro menino ainda solta pipas em um céu de diamante....esperando da vida anistia por sua condição. Esperando dos céus, nada além de clemência e por uma luz que guie seu coração...livrando-o talvez, da provável perdição.

sexta-feira

Minuto de reflexo e reflexão







Antes tivera sido aquilo que no longínquo passado sonhara e me fizesse pleno;
Antes fora, aquilo que não me destruísse, a palavra singular que ninguém disse;
Antes seguisse por meus próprios passos...remando pelo rio sereno, não optasse pelo tormento e não provasse do veneno;
Antes tivera permanecido o que não me tornasse um ser frágil, combalido. Aprendesse com tudo o que visse e não, confiar naquilo que quem desejara meu mal, outrora disse.


Estrela da Vida, Estrela Amiga.

És do amanhã, minha inquestionável certeza;
És de um céu escuro, aquele que traz o azul em sua estonteande clareza;
És daquele que hoje perece, a expectativa de algo melhor quando outro dia amanhece;
És do ontem, o fogo que aquece e o passado em seu calor, derrete e adormece;
És mais que esperança, é certeza de uma nova chance, da esperada benventurança;
Ante a sua magnitude, quaisquer palavras de descrição não passam de mera audácia retórica;
Estrela que durante o dia brilha, próxima para fazer florescer a vida;
Estrela que à noite dorme, adormece após uma árdua jornada para trazer a luz essencial, a pausa merecida;
Da lua é combustível e amiga, do homem, é vida e cura para aquilo que ainda cicatriza;
És o que chamamos de astro-rei, brilha quilômetros luz, brilha de forma infinita;
Traz aos nossos olhos a beleza criada por Deus, traz reluzente destaque à toda forma cinza ou colorida. Traz forças ao fraco, atravessa o translúcido e ilumina o opaco;
És astro rei, não precisa de licença para reinar...esta lhe foi concedida pelo criador, para que nossa estrada viesse a iluminar;
De ti, ninguém se esconde, por ti...sofrem onde no sertão há estiagem e fome;
Por ti, pagãos já entoaram louvores, já dedicaram oferendas. Já confundiu o pobre humano que te considerava um Deus e sobre ti, escreveram lendas;
Se pareces impiedoso demais, jamais teve culpa pelos danos que o próprio homem lamenta, mas à natureza sempre trouxe e à fina película que nos separa, ainda traz. Simplesmente continua ao rico e ao sofredor, à Lua...e todo seu empenho faz para continuar nos iluminando...simplesmente continua reinando e romances...inspirando.



RETICÊNCIA...

Uso as reticências...abuso, das reticências. Do meu abuso tenho ciência; não me perturba jamais, ou me põe reticente, quando uso uma reticência.
Me alegra sua presença, me consterna sua ausência.
Reticência...em episódios da vida, aguardamos pela continuidade...reticência; nos ensina o significado do que é esperar pelo que virá adiante, é o exercício pleno da paciência.
Reticência...continuidade incerta, incerta como a vida. Certa como a morte, até após esta, quem estará certo o suficiente para negar uma...RETICÊNCIA?
Reticência...precursora daquilo que chamamos de tensão...de preocupação, de uma grande alegria, precursora da emoção!
Ode à reticência! Detalhe que a gramática nos explica, coisas que a vida nos ensina, incerteza que não explicará nenhuma ciência.
Como será no próximo capítulo? Quem viver, verá. Quem morrer....QUICÁ!

Hope...nascida em algum lugar

Esperança...de nome batizada, nascida como criança em um dia de sol, ou da noite em sua calada; 

Esperança...nada além de inocente e recém chegado rebento, que repousa nos braços maternais ou é acolhida pelo vento ao relento; 

Esperança...nascida em berço de ouro, tida como inestimável tesouro. Nascida no gueto...tida como mais um problema para o sistema, seja branco, ou seja preto; 

Esperança. Nascida e crescendo esperando, esperando viver sempre algo que a mantenha viva em uma chama, ou daqueles que perecem, ao menos na lembrança; 

Esperança do sublime para quem vive. Esperança talvez seja sair da margem, sair do crime para quem somente sobrevive; 

Esperança...dizem quem já está adulta, para alguns, madura, para outros ainda permanece criança;

 Em seus vários estágios, para alguns faz o comum transcender...para outros, não significa nada além de um termo no dicionário, algo meramente ordinário; 

Acreditar no amanhã, vivendo ou suportando presente. Esperança que se faz de sucesso, de um pequeno pedaço de pão ou pedaço de veneno...e morre lentamente;

Em sei leito, muitos afirmam que ela ainda permanece. Para o coração do desesperado e solitário que ela aquece, para os ânimos exaltados do suicida que, de repente, como um lampejo ela arrefece; 

Esperança...padecendo em seu leito, esperar aquilo que se pareça perfeito. Jamais terá seu merecido descanso, enquanto o humano invocar por seu nome e remar pelo seu remanso; 

Dizem que você é a última a morrer, entretanto, ninguém jamais te verá falecer. Pois, até no fim de nossa estrada de lutas, quando eternamente o homem vier a adormecer...continuará a sua nobre missão, continuará o seu dever. Esperança...continue sendo velha ou criança, seja sempre o motivo ou uma doce lembrança...viva sempre, para acreditarmos que será aquela que morrerá juntamente com com nossa vida...ou perecerá ante a tanta ignorância. Finita é nossa jornada...e, ainda que fagulha seja, eterna é sua chama...não importa o quanto se consuma por alguém que sempre te chama.



quinta-feira

Mário...nete.

Mário...nete.
Com seus olhos observava a vida, seus autores e atores admirava, mas não passava de ilustre tiete;
Fantoche...Mário jamais foi senhor de sua vida, possuía uma figura esquálida e inerte, alvo dos iguais que se parecem por demais, sempre foi deboche;
Inerte...com sua voz pouco altiva, não se impunha. Sonhava com a liberdade de ser, sonhava em ser a bola da vez e do jogo, e não uma mera raquete;
Mário...nete. Da vida, um ilustre ninguém que buscava ser alguém, sempre solicito com os demais...nada parecia ter para dizer que o impede;
Da engrenagem, uma importante peça. Importante, porém não singular o suficiente para que qualquer reposição, impeça;
Mário...nete. Sonhou em ser alguém, viveu como ninguém;
Obedeceu por obedecer, admirou a quem ousou com os parâmetros romper...por assim ser, por a ele caber não o espetáculo, mas sempre os aplausos...marionete;
Se um dia foi palhaço, não foi por sua escolha, mas talvez, por sua omissão. Jamais esteve atento ao seu mundo, colocava os demais a priori, em detrimento de sua própria missão;
Mário assim viveu, Mário...assim morreu. Marionete...aquele que não se destacou por pura subserviência, aquele que sua personalidade foi assassinada pela conveniência do ensino da total obediência...descanse em paz, marionete. Neste mundo onde faltam tantos atores e originais...sobra o deboche estúpido para alegrar as infames tietes.

O quão profundo é o seu amor?


Caminhei pela Terra, vi o valor da vida...senti o terror da guerra;
Fui aquele que pensou um dia ser muito, sou o homem que aquilo que se tornou jamais deveria ter sido;
Muito deveria ter sido para mim pelas estradas que caminhei. Muito a quem não importava me doei em sonhos libidinosos que em devaneios, eu sonhei;
Doei o melhor que pensava que tinha...perdi bens materiais, risquei minha imagem...perdi minha linha;
Sou aquilo que já teve algum valor, fui aquele que não valeu a pena ter sido;
Cedi e jamais emprestei. Do pouco que dispunha, sem hesitar a quem me detestava, eu dediquei...me despojei;
Voltei atrás no passado, vivo no presente. No bolso não carrego mais nenhum centavo, ao meu lado, todos os que me seguiam estão ausentes;
Provei ser aquilo que tinha e jamais o que eu era. Provei ser alguém que pouco se importa consigo mesmo, alguém de quem nada além de um trocado se espera;
O que me resta para dar, o que me resta para provar? Passei então a ponderar...
Sem muito tempo para pensar e com uma estrada chamada vida, para minhas combalidas pernas motivar a caminhar...concluí que, se há algo para adorar, se há pouco para dar e, se há alguém a se valorizar...este alguém chama-se espelho, e esteve por anos, pela minha pessoa a procurar;
Amar a mentira, acreditar na ilusão...valorizar aos outros que se esquecem que um dia já necessitaram de sua mão. É o melhor caminho para no ostracismo sofrer, é o melhor caminho para a completa solidão;
Trair a si mesmo, ser algoz de sua própria reflexão...para alguns caminhos não há volta, para alguns crimes...a vida não anistia com seu perdão.

quarta-feira

Tudo passa...passará?

Nem sempre, aquilo que pensamos corresponde com aquilo que desejamos...mas, sim, com aquela idéia que em segredo veneramos, ou na escuridão repudiamos. 

Nem sempre tudo o que parece bom por um momento, parece ter cara de que dura para sempre...pode ser apenas satisfação do ego, pode ser apenas, aquilo que é conveniente. 

Tudo o que se parece, mas não é o suficiente para gostarmos sequer para lembrar que se foi. De admitir que existiu...de aceitar, que passou e já partiu.Tudo vai, tudo passa. Deixa indelével marca...poucas deixam o ar de graça, muitas, deixam na pele a dolorosa insígnia de uma desgraça.

Tudo aquilo que é real demais, mas parece fugir ao tato...tudo aquilo que se parece mentira, vexatório demais e se deseja que fosse nada além de mero sonho ruim, algo abstrato. 

Todo cheiro, todo som....todo toque, tudo o que é ruim demais ou demasiadamente bom. Deixará sua marca, deixará o seu tom...colore de cinza ou colore com batom. 

Tudo na vida passa, tudo sempre há de passar...algumas coisas ainda persistem. Na mente habitarão para doces momentos recordar ou simplesmente, para sua paz perturbar. 

Poucas por nosso desejo e muitas, sempre se farão presente pelo nosso eterno pesar...do passado havemos de no esquecer...como haveremos de nossa história ou nossa memória, matar e então...continuar a viver?




Sempre à Espera...



Uma vez mais, um cara olha pela janela.


Lá fora a vida não é calma, a vida não é bela. Sabe que, seja além dos muros que o cercam, ou seja em sua falsa ilusão de liberdade cerseada que nunca liberta...sua companhia nunca é nada além de uma fera...algo que na escuridão habita, que o momento oportuno espreita. Sabe que seu caminho é errante e tortuoso e tem a convicção plena, de que em seu atual contexto, nada jamais se endireitou ou se endireita.
Vive cercado por alguns que dizem que por ele têm alguma estima. Sente o pesar de uma adaga...de um eufemismo acompanhada, atravessando seus pulmões. Quando ousa dizer o que pensa, quando uma mera sílaba contraria...vê-se involuntariamente compelido a uma desleal luta de esgrima.
Luta da qual jamais saiu vencedor, luta da qual apenas sentiu a dor...se feriu, perdeu o sentido do que é a vida e perdeu a esperança, do que seja o amor.
Jovem que vive na espreita...seu sonho, não é nada além de uma arma de fogo poderosa em sua mão direita. Uma última fagulha que não acende o pavio de sua esperança, pois este, já se consumiu em completa desesperança. Simplesmente espera...aguarda. Não sabe por quê, não sabe por quanto tempo e pelo quê exatamente tanto se resguarda. Possui a fúria e a força ao alcance de suas mãos; tem a incessante tarefa de domar seu caráter, manter a razão.
Rapaz que espera na escuridão...para você há esperança, mas não é por aqui não. É além do horizonte que enxerga, é na fuga que há tanto tempo espera...ou será finalmente, quando todos estiverem rindo em torno de seu caixão.

Palavras apenas...palavras.

Palavras me mostraram o significado de paciência, mas nada explicaram da sua razão;
Palavras me mostraram o que denota sentimento. Mas, jamais me ensinaram a sentir a emoção;
Palavras, da escola...da teoria, para na vida a aplicação;
Me mostraram o significado de racional, mas jamais me fizeram dono da razão;
Palavras...me explicaram o que era a desistência, mas ainda não me convenceram a desistir;
Denotam o significado de anonimato, mas para o mundo decidi aparecer, escrever...com elas de forma pretensa, fazer alguém chorar ou sorrir;
Palavras...de vós faço uso, por vocês; na escrita esqueço-me da fala;
Palavra...que vinda de alguém que para mim não seja ninguém, não representa nada além de uma pataca...sequer vale um vintém;
Palavras em uso, palavras em desuso....coloquial ou erudita, rudes ou bonitas...palavras; 
Poucas para não se parecerem repetidas...muitas no dicionário ou no imaginário, para que se pareçam infinitas.



terça-feira

Quando olhos se encontram

Quando olho em seu olhar, vejo refletir na íris dos meus olhos, uma doce criança ternamente a me fitar;
Quando vejo seu olhar, dispo-me de minhas armas...sinto não haver mais necessidade de brigar;
Quando estou em seu olhar, sou tudo aquilo que os outros não vêem...sou por instantes o centro de seu universo, a razão do seu contemplar;
Quando me perco em seu olhar...sinto que não vejo necessidade de me encontrar, pois seguro me sinto em ali simplesmente me abrigar;
Em seus olhos, em seu olhar, vejo a alegria e os sonhos que outrora, carreguei em minha tenra idade...no início do meu caminhar;
Em seus olhos, ainda que tivesse vontade de chorar...via somente um sorriso doce, um doce motivo para continuar a perseverar;
Na órbita de seu olhar, meu planeta insiste em girar. Na luz dos seus olhos, vejo o brilho que meus medos fazem dissipar;
Procurando um corpo, encontrei seu olhar. Procurando a lascívia...aprendi a te adorar...tropeçando em meus próprios passos, sempre por ti estarei a esperar...
Por fim lhe digo: quando olho em seu olhar, não vejo o nunca que se parece com jamais, não vejo suficiente alegria que ainda não peça por mais...vejo simplesmente; a razão de não haver necessidade de olhar para trás....


Pedra essencial...

Pedra...pelo caminho, entre as suas não se distingue por ser somente pedra;
Pedra em seu caminho. Notória como da rosa, um doloroso espinho, notória e dolorosa para ser dura e sorrateira como pedra;
Pedra...a valiosa entre elas, o homem espera. Intrépido, se aventura em rios selvagens ou por esta vai procurar onde habita a fera;
Pedra...metamórfica, preciosa, sedimentar...sobre ela o homem desapercebido vive a caminhar; nela por vezes, insiste em seu descuido tropeçar...por ela, justifica as privações que passa e admite até a seu irmão matar;
Pedra...veneno da lata. Pedra que da natureza, não é inata;
Pedra...nela a sociedade tropeça, parece mais com montanha que se move até mesmo, onde ninguém peça...maldita pedra;
Que come a ilusão, que parte um coração...destrói o ser humano, destrói sua razão;
Para aquilo que se faz, para aquilo que se espera...por aquilo que te mata, aquilo que no torpor um corpo degenera;
Na história de um homem, para o caminho da evolução ou do retrocesso...sempre haverá uma pedra! Pela nossa desordem, ou para nosso progresso.





segunda-feira

Lítio....

Lítio...esquecimento e equilíbrio, para viver entre os demais....lítio;
Lítio...restaure meu bom humor, faça-me viver sem oscilar entre o ódio ou aquilo que se parece com algum amor;
Lítio...branco como o esquecimento. Necessário para que não me odeie, para que não me detestem...para que eu não tropece em meu próprio senso de discernimento;
A pílula que estabiliza, a pílula que despersonaliza;
O elemento que, para uma mente perturbada sacia e se faz alimento...elemento contra o humano sofrimento;
Se minha mente se lembra da liberdade nefasta que eu desejo por algum momento, encontro no lítio uma doce prisão...prisão do meu ser, daquilo que me traz todo o sofrimento;
Maldita é a mente que vive em devaneios e onde a tristeza sem fundamento habita;
Maldito é o momento onde a depressão e sua face oculta te domina...quando é compelido para tudo aquilo que não presta, mas ainda assim te fascina;
Lítio...seja meu doce veneno, seja minha saída;
Lítio...seja meu Alcatraz; do qual nenhum plano de fuga em minha mente se arquiteta, pois sei que a liberdade já não mais me apraz;
Lítio...um bom dia e uma boa noite com você....como senti saudades dos dias que passei sem te ver, quando emoções humanas simplesmente desejei sentir, e o desconhecido e perigoso demais....ousei por instantes com meu olhos mortais, tocar e ver.
Só me libertarei daqui...quando a vida me deixar partir. Até lá, agradeço por me privar de ser simplesmente humano demais...e por existir, para que me faça refém satisfeito de ti.


Apenas, João.

João...vista sua roupa e vá trabalhar;
João, não pergunte o por que, faça somente aquilo que lhe mandar sem questionar, sem hesitar; 
João, ninguém se interessa por sua opinião, jamais se interessará;
João...sua vida é importante para o sistema, sua morte também. Para substituir você sempre haverá outro...João;
João, aquele que levanta cedo, volta tarde, trazendo consigo nada além de um saco de desgostos e um saco de pão;
João...desde nascido, não escolheu seu nome, escolheram para ele sua profissão;
João, pouco do mundo conhece apesar de percorrer seus quilômetros de chão;
Percorre o mesmo caminho pela mesma cidade, não conhece o outro lado da ponte...não conhece, nada além do que é subserviência e divina piedade;
João...quer assistir a um jogo? Não, agora é hora de suas tarefas domésticas...não sonhe com lazer João, isso nunca foi, não é para gente como ti, não!
João...aguarde pelo Sábado sem saber o por quê, porque todos os dias se parecem a mesma coisa para você;
João...ainda novo, teve uma crise de hipertensão, sofreu um infarto do coração....
Pobre João, sua vida se encerra. Agora o que lhe resta, é um outro João para lhe jogar algumas pás de terra..a terra por onde pisou, a terra por onde serviu e agora vai servir...a família que por minutos sua ausência lamentou e agora, sorri;
Ainda bem que, para a máquina girar, para o capital não parar....para a vida seguir e para a obediência nunca se questionar, sempre haverá outro João!
Quem disse que não é irreparável sua perda...meu irmão? É somente mais um número, um gado marcado, peça no tabuleiro...algo que já fora descartado.
Descanse em paz João...amanhã, todo o peso que carregava será carregado por um outro homônimo, mais um para o qual a vida se parece com um prato cheio de pouca misericórdia, castigo sem motivo...apenas pela sua condição....condição de João.



domingo

A luz e a escuridão

Seu nome era Luz. Iluminava vidas sem se questionar; sem hesitar carregava sua diária cruz...que não parecia em nada pesar, apesar de tanto sofrimento ter de testemunhar. Seu nome, era Luz.
Seu nome era escuridão, que nos cantos que o Sol não ilumina, onde somente ervas daninhas crescem e onde o amor e a vida, se assassina; fazia oculta sua face mau humorada, fazia de qualquer canto onde não houvesse a compaixão, sua morada.
Seu nome era Luz...pobre e pretensa demais para ser admirada. Para adormecer, todos os dias tinha uma hora marcada. Apagava-se então, a Luz.
Para a escuridão, ainda que durante a hora da Luz, sempre houve exíguos, mas frequentados espaços. Sempre houve o beco onde a cada dia, se morre em agonizante aflição, onde a indevida oportunidade lhe abre os braços.
Seu nome era Salvação. Prometida principalmente àqueles que se perdiam na escuridão. 
Escuridão...que não sabia respeitar a vida, nunca soube ao certo seu momento de partida....era para alguns abrigo para quem se incomodava com a Luz, era para outros, onde a cada dia mais, acrescia-se um quilo em sua já pesada cruz. No crepúsculo de uma vida, no raiar da aurora...escuridão fez-se de sombra, fez-se para aqueles que servem à morte, de doce Senhora.
Seu nome...era ser humano. Um errante ser que caminha entre feras e que esconde suas próprias formas por vergonhas...com qualquer veste, qualquer pedaço de pano.
Humano...aquele que da Luz, cria novas idéias e empenha-se em seu labor. Humano...que mesmo durante a hora da Luz, vive à espreita, esconde seus pecados em uma viela estreita...tenta parecer perfeito, tenta parecer cruel...tenta parecer suficiente...se esquecendo que, da Luz um dia nasceu, na escuridão prefere por vezes habitar por achar meios que sua vida venha a facilitar....espera Salvação, ainda que hipocrisia seja sua principal arma, cinismo tem sido como a serpente, sua aliada.
Humano...habite na luz, sofra na escuridão...seja conivente com a morte de seus semelhantes e peça aos céus, pela sua própria salvação. 
Todas as coisas boas tem sua hora, respeitam sua lei e aguardam pacientes por algo que recompense a demora. Se parece com a escuridão....todos os ensinamentos, jogou fora...ignora o momento de cessar seus crimes, ainda que com o irromper da aurora...escuridão. Se parece com ti, ser humano....ser humano, que espera salvação.


Recado a Deus.

Já sei dos mortos que não regressam de sua sepultura, já sei da vida, o quanto para mim se faz cruel e dura;
Já sei de parte dos seus ensinamentos, já li muito sobre sua leitura;
Já fui por algum tempo, crente de sua crença. Minha mente, por dias, fez parte de toda esta doença;
Louvor, fundamentalismo....para que gritam tantos tolos enquanto padecem aqui, no ostracismo?
Ouves o Senhor, o grito daqueles povos que padecem com a doença e com a fome?
Cansou-se talvez de sua criatura, e esta abandonou talvez para conviver com aquele que expulsou, o Anjo sem nome?
Senhor, eu entendo que com este infeliz verme que rasteja por entre as belezas que criou, sua paciência se consome;
Se somos vossa imagem e semelhança, talvez também deverá ser difícil perdoar, talvez, seja mais conveniente abandonar;
Talvez seja mais confortável em seu trono eterno repousar e ao grito dos miseráveis e ignorantes, simplesmente ignorar;
Senhor...não sei de seus desígnios...se são ou não divinos, Senhor, o qual por um dia já tive admiração e de uma criança, adoração e fascínio;
Senhor....conivente com a dor e com todo tipo de maldade que no escuro habita, com o extermínio;
Mostre-nos a solução, mostre-nos uma vez mais, a ressurreição;
Venha a nós, definitivamente extirpar o mal daquele que diz ter sido aprisionado, mas entre os humanos sorridente parece estar cumprindo sua missão;
Senhor, não tomes como desafio toda minha proposição...simplesmente, entenda isso como um distinto tipo de oração;
Daquele que pede talvez, pela última vez; por um mundo que padece, por filhos que adoecem....por ainda acreditar que haja uma solução, por não mais acreditar na sociedade...e crer, que o mundo gira sobre suas invisíveis mãos;
Senhor...mostra sua face, sua criação perde a cada dia seus motivos, rebaixa ainda mais sua própria classe...Senhor, venha para ajudar, venha para ceifar...só não me peça, particularmente, para jamais o nome de alguém que eu jamais verei, continuar a chamar ou adorar.