Visitantes da página

segunda-feira

A profissão da fé...

A fé que move montanhas, a fé que cega a razão. A fé no criacionismo, ou a fé em Eva e Adão. 
A origem de tudo, a origem do nada. Do nada viemos, com algo nos parecemos e, ao nada, retornaremos. fé...que se professa em uma igreja, a fé que se vende em um comercial de cerveja. A fé que conduz a um caminho onde a suposta luz irradia ao ponto de sua visão crítica, fulminar. A crença em algo que sua mente alucina, seus bens consume e sua vida arruína. Crer para ver, ver para crer. Seres humanos, oriundos de outro ser....tão certo como o Sol que raia no mesmo horário, no mesmo horizonte, nossa fé se fundamenta basicamente em saber nossa real origem, propósito, nossa fonte. Fé, quanto custa para que eu lhe profetize? ...me salvará de uma iminente desgraça, no momento de minha epifania, na maior de minhas crises? Por que fui eu nascer, por que fui eu caminhar? Sob um solo incerto, em uma sociedade insana pela qual necessitamos nos orientar. Orientar para não se perder, se perder para aliviar o desconforto de se orientar, crer em algo para viver, acreditar, para não morrer ou quiçá, eternamente viver. A esperança na crença, a crença na esperança. Viver como adulto em meio a insanos, e para não enlouquecer, não perder sua essência de criança. Professe a fé, no divino ou no material, aceite a ...no sublime ou no banal. Compre esta fé, e a consuma como seu café. 
Aquele que de manhã lhe abre os olhos, aquela que te traz de volta dos sonhos...aquela que te insere forçosamente, em um meio hostil e medonho.  Resta esta fé, que te mantém de pé...a fé, que somente você sabe em que é. 

Vá....dia.

Faça-se a aurora, traga o brilho incômodo, dissipando a escuridão que conforta as lágrimas daquele que chora. Vá...dia. 
Vá...dia.  
Vida que se vive em razão da busca do pão de cada dia, ou ao menos de uma singela fatia. Vida que tem hora marcada para se iniciar, muitas vezes sem um propósito para se acreditar, vá....dia. 
Traga o instrumento à mão do trabalhador, queime em sua impiedosa luz a ferida daquele que sente a dor, encha os bolsos daqueles que se valem de um sistema, dos raros que são beneficiados por todo o tipo de esquema.  
Abra os braços nada fraternais a quem abre os olhos  sob um teto,  de ozônio ou de puro concreto,  venha a um sonho aniquilar, a uma ilusão desafiar e ao labor,  a todos chamar. 
Vá...dia. 
Ambiente que se ilumina, paisagem e vida que já não se contempla, não mais fascinam. O tempo cronometrado a cada momento, o deitar e levantar para testemunhar o mesmo acontecimento. A rotina...que a carne envelhece e a esperança aniquila.  
O costume de resignar-se, o ato de prostrar-se o comodismo de acomodar-se....vá...dia. 
Noite. 
Alento final para aqueles que sofreram com o impiedoso açoite, o momento de iludir-se novamente após contemplar o astro-rei poente...foi-se.  Becos escuros tornam iguais os desiguais, maquiagem e lágrimas não se diferem  em  meio à histeria. 
Boemia se diverte, o pobre se entorpece, o avarento adormece e paira a divina aura, a suave brisa que aos ânimos arrefece.  
Entretanto, como tudo tem seu tempo, quando menos se espera, sempre é hora de adaptar-se à nova realidade. Tudo o que é bom, dura pouco demais para se parecer com agradável verdade....o despertar para o dia, o acordar de quem já não queria, a vida que chama e não é nada além de uma brincadeira cruel e vazia. 
Comparável à doce donzela que o céu te oferece por minutos e ao inferno te entrega por dias....VÁ..DIA! Uma vez mais, comporte-se como tal.

domingo

O chão....

O chão....algo que nasceu de uma incógnita, de uma criação divina ou de uma intergaláctica explosão.
Chão...feito para o cultivo, feito para o abrigo. Feito para você, para seu irmão, para uns um alicerce, para outros, o próprio colchão.
Alimento que brota da terra, como um pássaro que semeia nos ensinou, alimento que é ceifado da terra, para a satisfação de alimentar o senhor que faz a guerra, e ser as migalhas do simples trabalhador, que ao seu dispor, se entrega.
Flor que se faz fruto, fruto de muita dor. Fruto que encanta aos olhos, fruto que alimenta o mendigo e o doutor.
Cercas...que dividem a terra, cercas, que separam e fazem delimitações, cercas que fazem a guerra.
Homem, que luta pelo chão, chão que lhe foi dado, luta até descer à terra.
Desce à terra o homem, nasce uma flor.
Uma flor regada pelos prantos, uma flor que encanta com sua história de dor.
Flor inocente, homem imprudente, irracional e inconsequente.
O chão que está sob seus pés não lhe pertence, é somente parte de sua passagem, e também o orgulho da ignorância e avareza daquele que se julga perene.
Mãos que aram a terra, mãos que fazem a guerra.
Dinheiro, que constrói e destrói. Dinheiro, que se apropria e expropria. Dinheiro...constrói o nobre lar do rico, perpetua a pobre condição do miserável.
Polícia, à serviço de um sistema, à serviço de uma justiça. Justiça que não é divina, justiça que não é criacionista. Justiça cega, cruel...egoísta. Justiça para apropriar-se de pedaços que a nós foram dados, sem que nos fosse cobrado moedas, sequer centavos.
Filhos bastardos de uma “mãe gentil”, quando poderão exaltar a ordem e o progresso, sem se tornarem meros flagelos de um visível regresso?
Chão, pelo qual caminha o homem, chão do qual todos temos direito à terra. Chão, aquele que outrora livre se torna negócio, aquele sob o qual, nos tornamos fera.


Quando a Alma Chora....

Sabe aquele dia que o olhar te denuncia?
Que a alma pede socorro e a boa vontade, por momentos renuncia?
Sabe o momento, em que a verdade é insuportavelmente terrível para lhe proporcionar alguma pequena alegria?
Onde qualquer mentira ou ilusão maquiada ou travestida, embora sombria, parece ser sua melhor companhia.
Sabe....aquela noite onde um whiskey ou cocaína, foram melhores que o prazer de estar com qualquer menina?
Conhece a hora em que o ódio que cega? Então...seu caráter aliando-se à sua alma, e em qualquer local distante se refugiam, como náufrago que em qualquer madeira que se pareça com porto seguro, se apega?
Ouviu falar da escuridão que cega e desespera os aflitos, que se parece com luz e sufoca seus gritos?
Sabe da dor que se sente, quando a mente está ausente e o corpo, em algum lugar indevido se faz presente?
Sabe o que é pedir um cigarro qualquer, rejeitando com um escarro até mesmo a boca de uma formosa mulher?  Queimar nas brasas as esperanças, sentir morrer por dentro aquilo que acreditava ser uma criança......

Meu caro senhor, minha cara senhora...conhecendo os caminhos e optando pelos atalhos, muito embora, eis um homem indagando questões absurdas quando seu interior chora.Se não sabes de nada, reza a lenda de que a ignorância é sua maior aliada...e que nela persista, para seu conforto, em sua longa jornada.Se não conheces o mal que lá fora assola, o que é irromper em prantos após longa noite, ao raiar de uma cruel aurora...deixe seu senso de julgamento, onde este se faça necessário, e não é neste momento.

Frase pra esta noite...

Coisas engraçadas que você pode dizer com um choro

reprimido em sua garganta.....estamos sujeitos. Quando 

você pega a tristeza e faz uma poesia, ou uma canção, é o 

preço que se paga. Veste-se da personagem, coloca a 

maquiagem, mas as lágrimas ainda escorrem em seu rosto.

sexta-feira

O redundante ser andante...

O redundante ser andante, caminha entre céus e trevas, em seus devaneios, um ser errante. 
Um réu sem algemas, preso em sua própria desgraça, entre arranha-céus perambula não sendo sequer, considerado uma ameaça. Apenas um flagelo que invisível dentre os demais, simplesmente passa. 
Poucos olhares que lhe dedicam alguma atenção, entre desprezo e compaixão indagam...cheios de orgulho mesquinho ou pouca e real aflição. O que teria levado este ser, aparentemente saudável e até mesmo capacitado, a andar descalço sobre um chão, ou ter nas calçadas frias seu colchão? 
Para quais rumos levaria aquele caminho, a não ser para um óbvio atalho que se observa para mais cedo, estar em um caixão?  
Indaga o doutor, com o orgulho de sua profissão, conhecimentos acadêmicos, arrogância de seu superego e pouca compaixão.  Indaga também o mero empregado, aquele que acredita ser de um jogo marcado, a diferença para algo ou para alguém, sob o açoite é explorado e acredita ser parte fundamental em um mercado...apesar de não passar de algo descartável, um simples número, um pobre coitado. 
Questiona o homem, questiona a mulher, enquanto o redundante ser andante repousa abaixo de uma árvore ou sombra qualquer, faz simplesmente, desprovido de qualquer aparente preocupação, aquilo que lhe aprouver. 
Perguntas sobram, julgamentos também. Rótulos abundam e a empatia morre, agonizando aos poucos. Os mesmos que pregam, se contradizem...enquanto ele, simplesmente anda. Segue um rumo ignorado, dorme sob o Sol ou a Lua, come simplesmente aquilo que lhe é dado. Vive aparentemente ignorando o caos vigente. 
Resta somente uma pergunta, minha gente...está satisfeito com sua própria vida e é suficiente e pleno para seu próprio existir? Pense com a mente, responda com o coração. Esqueça o alheio e faça uma permita-se fazer uma introspecção. 
Para esta simples questão formulada, após alguma ponderação, geralmente a resposta mais adequada é um sim ou um não. Se houver muitas justificativas e uma resposta pouco conclusiva, o silêncio evasivo é sua melhor opção.

quarta-feira

Ilusão de Liberdade

Dorme a criança em um sonho que não dura mais que poucos instantes, incapaz, entretanto, de fazer algum sentido ou se parecer com algo possível, ele se liberta em sua confortável cama de espinhos. Desfruta neste momento de uma estranha liberdade que gostaria que fosse clausura por completo, ao menos não seria tão dolorosa quanto a falsa ilusão de liberdade. Ele é livre, livre para não questionar, livre para obedecer, livre para se calar enquanto todos falam absurdos socialmente aceitáveis. Seu sono, induzido obviamente por algumas hóstias dos infiéis que lhe causam torpor por tempo determinado, que lhe atenuam a dor e fazem esquecer seu passado do qual fora refém de opiniões e mandos e desmandos alheios, simplesmente por não ter sido forte o suficiente para ter uma presença marcante. No entanto considerado bom caráter por todos é claro, inofensivo demais para representar um risco a alguém. Conseguiu algumas coisas durante sua trajetória pouco interessante de vida, coisas simples e inexpressivas para muitos, mas que lhe faziam muito sentido e lhe garantiam alguma coisa que se parecesse com realidade de real deleite de sensações reais, ou mais verossímeis possíveis. Perdeu em dobro, por uma ilusão, pelas armadilhas da vida, por mais uma vez ter sido bom demais para desconfiar de pessoas ou de si mesmo quando necessário, tudo aquilo que havia conquistado. Acorda o homem, se depara com um rosto combalido, derrotado por si mesmo e por suas escolhas infelizes neste mundo que não lhe traz nada além de ilusões baratas de consumo. Mas, há que se haver um mártir para ser enforcado dentre vários ladrões absolvidos. Ele se levanta mais uma vez, agradecendo somente por ainda estar vivo, sem saber exatamente se deveria ser tão grato por este fato...acredita com uma dúvida que sufoca e lhe causa angústia extrema em um amanhã melhor, apesar de acreditar por instantes que já viveu tudo o que a vida poderia ter proporcionado. O céu tocou por instantes, ao inferno, desceu e caminhou por dias, meses. Faça a barba e vá trabalhar, vá para a cama e durma, você tem barba no rosto, tem mais de 30 anos completo, mas JAMAIS será dono de si mesmo. Esta voz ecoa em sua mente, desperta seus sentidos mais primitivos e lhe causa pavor. Mais uma vez, independente do que fez das circunstâncias, ele tem a liberdade de fazer o que lhe ordenam a fazer, tem forças e conhecimento para romper e ir adiante, mas jamais terá aquilo que é necessário para tal, e buscou durante toda sua vida sem, no entanto, saber definir em uma palavra o que seja.  Enriqueça ainda mais seu intelecto....para quê? Cresça e tonifique ainda mais seus músculos que para nada lhe servem. Faça tudo aquilo que ordenam que faça, para que uma vez mais ameaças frequentes advindas de uma sociedade mais doente que você mesmo, entretanto cega demais para enxergar suas falhas ou soberba demais para admiti-las, possa condená-lo a um confinamento ou fazer com que assuma de vez sua condição de monstro ao realizar um ato bestial. A um passo da loucura em uma insana luta para retomar a lucidez...segue o homem, agora mais humilhado e despido do pouco que ainda lhe restava em sua carne, caminhando somente sem saber para onde....um soldado esperando uma ordem para cumprir, um soldado esperando uma morte digna. Nada, além disso. Nada, é o que enxerga ao final de um horizonte de incertezas. Já não mais causa dor, entretanto....o torpor é seu único amigo, e será o único aliado até o final de seus amaldiçoados dias.



terça-feira

Homem Dupla-face.

Ser social, ser individual. Papel assumido perante aos demais, afável e tranquilo em seu dia-a-dia, em seu nobre e não menos obrigatório labor.  
Adentra ao raiar do Sol suas vestes, veste sua máscara. Sorrisos forçados, desejos de um bom dia forçado entre os dentes, lançado muitas vezes com o vil olhar de uma serpente. Abraça sua causa, cumpre sua jornada. Sabe que esta preenche miseravelmente seus bolsos, quanto ao seu ego, está tão repleto de algo, que ainda se parece com muito se comparado à dor de um nada 
Ser individual, ego combalido, termina sua jornada, despe-se de suas vestes. Tira sua máscara e não necessita mais de sorrisos ou de quaisquer artifícios que o traveste.   
Retorna à vil construção de concreto e metal que chama de lar, apesar de que lar, é um termo muito acolhedor para o hostil ambiente que irá encontrar.  
Durante o trajeto, sabendo do que o espera, na iminência de um ataque de nervos....adentra a um bar e perde-se na ebriedade, para matar  aquilo que lhe habita, a fera.  
Entre um trago e outro, acende um cigarro, perde-se na esperança que se consome rápido como a chama. Beija forçosamente com o desgosto de um escarro, com a mente ainda perturbada por sua dor e confusa pelo torpor, pratica contra seus rebentos a violência que condena com fervor. Alguém deverá servir de bode expiatório, um inocente sorriso ao mundo trazido, que pede somente um abraço, nada além de ser acolhido, se converte em lágrimas de dor, que parecem lhe aliviar toda sua frustração, e se parece tão verossímil quanto uma expressão de amor....amor que espanca sem necessidade, que causa dor em alguém sem por mera banalidade. Amor...de alguém que trouxe ao mundo, por mal se ostentar em suas pernas o maldito verme, vagabundo, alguém para agredir sem piedade, ainda que este pequeno ser mal conheça o mundo e sua verdade.  
Espera que sua cria seja alguém, já que ele não passa de um ninguém, uma mera vítima das circunstâncias. Sente a necessidade de culpar aos demais por suas falhas, criticar aos demais por sua incompetência. É querido por estranhos, temido pelos seus. Eis o homem dupla-face, o adorável monstro, aquele que usa sua mão para afagar e para castigar, que usa sua boca para cumprimentar e maldizer por pouca cultura ou poucas boas ideias ter para acerca delas ponderar e disseminar. Demonstra a cordialidade, cortês escravo do ódio.  
Pouco serviu para agradar a si próprio, muito serve para denegrir e destruir ao próximo. 
Eis o homem dupla-face, sem propósito e com uma função, com um cérebro limitado e condicionado e sem um coração...eis o homem, que neste mundo, trava quaisquer possibilidades de evolução. Eis a fria rocha, que jamais permitirá qualquer tipo de lapidação...

Destino... Em quais mãos?

Em quantos minutos eternos já não me deparei consigo mesmo, indagando a mesma questão? Há um Deus ou não? De fato, acredito sim na lei da ação e reação, que tudo o que semeamos no universo retornará em forma de graça ou lastimável desgraça. Projetar...arte humana de seus erros tentar justificarIludir... caminho fácil aparente e mais suave a seguir. Mentira....é onde você passa a viver, de um microcosmo, torna-se seu universo, um recrudescente emaranhado de indecências e vergonhas que insiste em omitir. Punição....com ou sem a ciência dos seres ao seu redor,  é do seu próprio castelo de cartas marcadas, de seu nicho onde jazem feridas não cicatrizadas, a consequência iminente,  o desfecho para sua enganosa jornada. Ostracismo....é onde irá permanecer, retorno ao zero novamente, após uma longa jornada...após projetar todos os seus erros, justificar suas mancadas por seres humanos, entidades maléficas ou a divina e imaterial Graça, é a chance de retomar seus passos, sua odisseia. Uma tragédia ou uma comédia, uma redenção ou uma maldição....o caminho está adiante, as páginas em branco estão...e a caneta, as vírgulas e reticências que nada mais são ponto para ponderação, ainda permanecem em suas mãos.



segunda-feira

Uma Simples Razão

O que me faz, por ti ser lembrado? 
Seria eu digno de ser amado, odiado...ou simplesmente condenado ao ostracismo e ignorado? 
Quando sinto que não caibo em seu abraço, talvez este não seja meu espaço; 
Se não enxergo o bem que lhe trago, tampouco irei enxergar o mal que te faço; 
Como um barco rumo ao incerto e nadando contra uma infindável tormenta; 
Minha vida se apaga lentamente, como a exígua chama de uma vela que não reluz ou esquenta, simplesmente é irrelevante para ser para alguém, sequer um objeto que por algum tempo orienta... 
Fenda que jamais se emenda, ferida que por toda uma vida se ostenta; 
Tempo de sair por aí, tempo de parar para refletir e tempo.....de caminhar rumo ao nada e simplesmente, sumir....

Despretensiosamente...

"Escrevi, sem perceber  me esqueci. Pelas idéias que ponderei e sentimentos que senti, um ser extra ordinário contemplou e logo se interessou. Então, este anônimo mortal, por sua boa vontade ao mundo mostrou e sua memória eternizou. Gratidão não é nada ante a incondicional afeição. Grato sou, por fazer me sentir dentre tantos humanos desinteressados, algo além do simples e triste frio de minha solidão... A pena pesada que guia minha mão." 

Pensamento do dia...